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Só uma bonequinha de pano?

Estou às vésperas do aniversário de 1 ano de falecimento de minha mãe.

Naturalmente que os pensamentos voam, ora tristes, ora alegres. Mas de todos, houve um que me ‘pegou’.

De tudo que pensei, lembrei, chorei, acho que o mais importante foi a constatação de que, mais que as vezes em que minha mãe me dava força, me dizia que tudo iria dar certo, men ajudava com uma garra que só ela tinha, mais que isso, ficou a lembrança de todas as vezes em que ela me incentivou, me colocou em frente, me elogiou. Qualquer coisa que fizésse, qualquer coisa mesmo, por mais estranha que fosse, ela me animava a ir em frente. Não que ela não me alertasse dos ‘problemas’ ou ‘erros’ no que foi feito ou seria, mas sempre havia um que de ‘bonito’, ‘lindo’, ‘ficou ótimo’.

Daí lembrei desta bonequinha de pano, que depois que ela morreu, voltou prá mim.

Minha mãe teve muitos irmãos, e, naturalmente, a vida não foi fácil pros meus avós. Daí  que bonecas e sapatos eram artigos de extremo luxo. Minha mãe contava que usou sapatos somente com 12 anos, e mesmo assim, herdados de um irmão. Quer dizer, sapatos velhos e ainda por cima masculinos. Então, desde quando pode, ela comprava sapatos. Muitos.

A mesma coisa com as bonecas. Ela era louca por bonecas. Todos que viajavam traziam bonecas prá ela, de onde fossem.

Daí que uma vez, nós conversando, ela me falou que adorava bonequinhas de pano, que ela chamava de bruxinhas, pois era com elas que conseguia brincar na infância.

Então me animei e pensei: Por que não? Vou tentar fazer uma bruxinha prá minha mãe.

E saiu. Esta bruxinha que vocês podem ver na foto.

a 'bruxinha' da minha mãe

Foi minha primeira ‘obra bruxística’. E minha mãe deixou rolar uma lagriminha quando a dei prá ela. Ela adorava esta bonequinha. Elogiou tudo e mais um pouco. Nesta bruxinha, ela não conseguia ver defeitos. Tudo ficou perfeito, segundo ela.

E quis dividir isto com vocês.

Porque foi um momento lindo, único e perfeito. Até o fim dos meus dias haverei de lembrar dele.

A bruxinha que eu fiz, foi morar com a minha mãe, e agora voltou prá mim. Com o perfume da mãe, com o sorriso dela, com o abraço dela nestes bracinhos curtos da bonequinha. Bracinhos curtos, como aliás eram os braços da minha mãe. Mas que nem por isso abraçavam com menos força, menos paixão, ou menos amor.

Até qualquer hora, mãe, e não se preocupa. Estou cuidando bem da sua filhinha, a agora ‘nossa’ bruxinha.