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Sabonete Maja

Ontem foi Dia das Mães. Embora pareça mentira, eu realmente não me ligo em presentes. Prefiro mil vezes ganhá-los sem dia definido. Nem com presente de aniversário me importo.

Aliás, na verdade, prefiro dar presentes. Acho muito mais prazeroso.

Presente de dia das mães, mesmo, eu só gostava quando meus filhos eram pequenos, quando eles faziam aquelas coisinhas na escola, cantavam aquelas musicas (sempre as mesmas, mas a gente sempre chorava), faziam uma apresentação simplesinha… Mas tudo era feito por eles. E isto foi o que sempre teve mais valor prá mim.

Mas ontem não teve jeito. Minha filha mais velha tasca um post no blog dela falando em mim. Pronto. Desabei. Chorei mesmo, ué. E na sexta meus filhos menores ganharam uma gincana na escola (me referi a ela num post no meu outro blog), o que foi um presente, porque muitas pessoas serão assistidas com os cobertores e alimentos que eles arrecadaram.

Mas uma coisa bateu mais forte, e mais forte de um jeito bem diferente. No post, minha filha fala na avó, e eu me lembrei da minha vó Zezé. Uma nordestina baixinha, braba, mas braba mesmo, matriarca no maior sentido que esta palavra pode ter.

Mas que me adorava. E que eu adorava na mesma medida.

Dentre mais de 50 netos, eu era um xodó entre as meninas. E ela demonstrava isto sempre.  Do jeitinho dela. Ela sempre participou da minha vida, sempre me apoiou, em muitos momentos, sendo a única que tinha coragem de fazer isto. Me apoiar sempre.

E ela gostava de usar um sabonete. Maja. Um sabonete extremamente perfumado. E quando acabava o sabonete, ela me ligava, avisava que precisava do sabonete, e lá ia eu procurar o bendito. Comprava e levava prá ela.

E o sabonete ficou como o nosso elo de ligação. Ainda sinto falta dela (mesmo ela tendo falecido há mais de 20 anos). Mas quando a saudade aperta mesmo, peço a minha filha que compre o sabonete da vó prá mim. E tomo um demorado banho com ele. E é como se sentisse a vó do meu lado, me abraçando, com aqueles braços pequeninhos. Mas que conseguiam me enlaçar toda.

O cheiro deste sabonete me lembra ela. E sempre me lembrará. Ele faz parte da minha vida.

1ª caixa que ganhei da minha filha
1ª caixa que ganhei da minha filha