Arquivo da tag: filhos

Álcool e filhos

Decididamente, não entendo mães que bebem ‘todas’, tendo filhos pequenos. Seja em casa, seja em qualquer outro lugar.

Embora possa parecer menos problemático beber em casa, fico aqui imaginando o que deve passar na cabeça de uma criança vendo a mãe ficar sem noção das coisas. Se a bebedeira for fora de casa, como as crianças veem a mãe chegar no estado em que chegam? Será que elas pensam que a mãe foi a algum lugar perigoso?

Sei lá, seja qual for a situação, em casa ou na rua, e a responsabilidade da mãe, como fica? Porque acidentes, urgências ou emergências ocorrem. E se a criança precisar de alguma coisa, e a mãe está tonta? Como irá socorrer? Como irá atender um pedido?

Decididamente, não entendo. Não entendo e não aceito isso.

É mãe? Seja responsável. O futuro de uma criança se sedimenta no presente.

E claro, tudo o que falei acima, se aplica aos pais também, que afinal, são tão responsáveis quanto.

É assim…

Comecei a escrever neste blog há bastante tempo. Mas nunca havia me preocupado muito em divulgá-lo, porque pensava, como objetivo, que ele serviria tão somente prá que um dia meus filhos, ou pessoas que tivessem passado pela minha vida, pudessem ter uma melhor idéia do que eu sou ou penso.

Mas há poucos dias, algo estalou na minha cabeça.

assim se deu o estalo. ou quase.

Percebi que estava sendo extremamente egoísta em não divulgar meus escritos. E explico.

Eu leio muitos blogs, muitos mesmo. E um aparte: somente agora também percebi a importância que tem para alguém que escreve, saber que outros o leem. Por isto tenho me cadastrado nos blogs que ando lendo. Mas voltando. De muitos destes blogs que leio, sempre tiro alguma coisa para a minha vida. São informações, conhecimento, palavras que já me ajudaram muito.

Então, por que eu não deveria fazer o mesmo? Pois, de repente, uma palavra minha poderia ser importante para alguém. Um pensamento poderia desencadear uma atitude que poderia dar um novo impulso à vida de alguém. Não é prepotência ou altivez de minha parte. É a simples constatação de que se tantos me ajudaram, por que eu não poderia também ajudar alguém?

E daí que decidi abrir a guarda.

Mudamos o aspecto do blog, ele ficou levinho e clarinho. Do jeitinho que eu sempre pensei.

Colocamos a possibilidade de as pessoas se cadastrarem para me seguir e receber mensagem avisando de novo post.

Este estalo foi incrível. E eis-me aqui, colocando-me à disposição de todos.

Terei um imenso prazer em receber seus recados, e sempre que possível, irei respondê-los.

Obrigada por me lerem…

Desmontando duas vidas

Já falei aqui que minha mãe faleceu em novembro de 2009. Logo após meu pai precisou ir para uma clínica geriátrica, pois seu estado mental piorou sensivelmente, e a conselho dos médicos, psiquiatra e outros profissionais que cuidam dele, cocordamos com a internação, não sem uma dor horrível no peito. Lá ele está bem, considera aquela a sua casa, visto que seu estado regrediu até os 10/12 anos. Está feliz.

Restou para nós, os filhos, na verdade mais especificamente para minha irmã mais nova, que mora perto, a tarefa de desmontar o apartamento, organizar papéis, estas coisas dolorosas.

Sinceramente, não sei como ela tem aguentado rever tudo que significou duas vidas. A vida do meu pai e da minha mãe.

Duas vidas que estão sendo desmontadas.

Cada móvel que foi indo embora, cada pedacinho de papel distribuido, cada foto, era um pedaço da vida deles que ia, porque cada um tem uma história, tem um momento.

um dos quartos do apartamento sendo desmontado

Hoje o apartamento já está quase vazio, e o pintor já está acabando a pintura.

Ele será vendido, pois para meu pai ele não significa mais nada, e só por ele o lar poderia ser mantido.

É muito triste ver esta desmontagem de vidas.

Mas ela é necessária. Infelizmente.

Resta o consolo de saber que lá eles foram felizes.

Foi o que ficou…

Sala, quartos e corredor. OK?

Consegui. Venci. Depois de semanas na labuta, tentando colocar/achar lugar prá guardar o que veio da papelaria que fechamos (por absoluta falta de tempo prá cuidar), consegui. Estantes nos dois lados do corredor que dá pros quartos e mudança na posição de alguns móveis da sala e dos quartos, consegui. Finalmente.

Na verdade, meio finalmente. Pois que ainda falta colocar os enfeitezinhos nos locais próprios, na sala. E por que falo enfeitezinhos? Porque quase todos são bem pequenos. Presentes dos filhos, em sua grande maioria. Outros, poucos, comprados em alguma viagem.

Porém, e sempre há um porém, talvez esta seja a mais difícil das tarefas. Senão vejamos.

Como conciliar num mesmo ambiente um dragão chinês verde e vermelho, uma dupla de cangaceiros, duas garrafinhas de areia colorida do Ceará, um golfinho numa concha azul, um burrico de argila cheio de cestinhos, um cavalinho azul, tres vasos azul e branco, um vaso coloridíssimo, uma árvore de bolinhas douradas, um vaso fininho cor de chumbo, um ovo/vela de vidro beeeem colorido, duas matrioskas (uma em azul e outra em vermelho), um porta-retrato de madeira feito pelo meu avô, crucifixo, bíblia, um enfeite de flores que fiz pras bodas de ouro dos meus pais, dentre outras pequenas coisinhas?

É tudo tem um valor imenso prá mim. Simplesmente, tenho que expor tudo. Tudo me lembra algo. E me é extremamente gratificante olhar prá cada coisa e lembrar da sua história.

Só mais um detalhe, na sala ainda tem um conjunto de poltronas e sofá comidos pelo cachorro, duas mesinhas de canto (que antes eram baus do quarto das crianças), uma mesa de centro, a tv (naturalmente), um home theater (herdado dos meus pais), um XBox com todos os acessórios a que tem direito (duas guitarras e bateria), dois aparelhos de fax, e, prá fechar com chave de ouro, um escritório completo do marido (móveis, papéis, aparelhos etc).

Mas eu vou conseguir. Sou brasileira, e, dizem, brasileiros não desistem nunca. Então…