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Minhas rugas e cicatrizes

eu e minhas rugas

Há poucos dias, vendo um canal de documentários na tv, numa séria sobre saúde, a mulher não se conformava com o fato de ter que fazer uma cesariana. Não lembro grandes coisas da história, mas em certo ponto ela falou: “ok, a cicatriz vai estar aí, e meu marido sempre fala que cicatrizes são histórias vividas”. Ou algo assim.

E é verdade, rugas e cicatrizes estão aí como prova do que vivemos e do que passamos, de bom ou de ruim.

Minhas rugas tem período de nascimento e crescimento. Elas foram surgindo devagarinho, foram se fortalecendo com a minha vivência, com os acontecimentos. E estão aí, firmes, fortes, quase inabaláveis. Porque um creminho as disfarça, mas fazê-las desaparecer por completo não, e na verdade, eu nem quero que desapareçam. Já as cicatrizes tiveram até hora de nascimento. Todas tem nome e sobrenome. Todas tem um porque. Umas nasceram num momento mais, outras num momento um pouco menos nobre, como a cicatriz na perna e a no braço que são resultado de uma desobedência aos mesmos pais. Conhece arame farpado? Pois é, eu me enrosquei num. Outras cicratizes ruins são lembranças das inúmeras cirurgias a que já tive que me submeter. Já as cicatrizes boas, eu as tenho como lembranças do nascimento dos meus filhos. Eu os trouxe ao mundo, e a assinatura destas vindas podem ser traduzidas nas cicatrizes que carrego. Elas são como que a assinatura do nascimento de cada filho.

Por isso que não consigo pensar em cirurgias plásticas. Cirurgia reparadora, ok. Eu preciso operar as pálpebras, mas não porque elas sejam desabadas e sim porque o desabamento chegou a tal ponto que está atrapalhando a visão. Não é uma questão estética. É uma questão funcional, digamos assim. Se já não enxergo direito normalmente, imaginem com uma pele na frente do olho. É uma névoa constante…

No resto do meu corpo não mexo. Somente se algum médico me disser que é imprescindível. Se não for assim, deixarei minhas rugas e cicatrizes como marcas da minha vivência. Elas irão junto comigo até o fim.

Assim espero.

Agora um homem. Agora uma mulher.

Meu filho acaba de sair com o pai prá ir comprar o seu primeiro barbeador. Elétrico.

Deu um nó na garganta, uma emoção sem nome, um que de: já?

Mas ele ainda é um menino, tão novinho. Quase uma criança…

Não, ele não é mais uma criança. Ele já fez 16 anos. Já é um homem. Não completamente formado em toda sua plenitude. Mas já um homem. Já tem barba e bigode, que estão precisando ser aparados, e não por um barbeiro, ou pelo pai. Precisam ser aparados por ele mesmo. Quando sentir necessidade. Quando quiser.

Acho que o sentimento é o mesmo de quando, missão paterna, o pai saiu prá comprar o primeiro absorvente prás meninas.Tantos anos de diferença entre elas, mas a emoção teve o mesmíssimo tamanho.

Aquele primeiro pacotinho, recebido com um sorriso meio encabulado por elas, enquanto nosso coração de pai e mãe batia descompassado.

Ela já não é mais uma menina. Ela agora é uma mulher.

Assim foi nosso debut como pais de um homem especial e duas mulheres  maravilhosas.

Nossas eternas crianças.

Nossos filhos.

Reencontrei minha melhor amiga. Ou quase.

Estou meio em estado de graça. Meio? Sim, meio. Já explico o porque.

Quando eu estudava na 2ª série do antigo curso científico, atual 2º grau, conheci uma menina muito legal. Nos tornamos muito amigas. Daquelas super amigas mesmo. Sem segredos ou frescuras.

Eu, bolsista, se não a mais, uma das mais chinfrins da sala. Ela, de uma das família$ mai$ tradicionai$ da cidade. Mesmo com esta diferença, sempre nos demos extremamente bem. Confidentes mesmo.

Ela sempre foi linda. Continua, inclusive, com seus 50 e poucos. (mesma idade que eu)

Depois que nos formamos, eu tomei um rumo na vida, me afastando da nossa cidade. Passei num concurso importante, casei, fui prá longe, e ela permaneceu lá.

Depois de uns 8 anos, mais ou menos, não sei como, recebi uma ligação dela, na empresa em que trabalhava, tendo eu daí já voltado prá nossa cidade, me convidando pro casamento dela. Não pude comparecer pois já havia outro casamento na família, e, claro, no mesmo dia.

Depois eu soube que ela havia tido um menino. E eu já tinha uma menina. E até hoje, não sei porque, nem eu conheço o filho dela, nem ela a minha filha mais velha, que dirá meus outros dois.

Quando vim prá Itapema, passados já então quase 20 anos, comecei a lembrar muito dela, procurei nos catálogos telefônicos pelo nome do marido, e não tendo achado, pesquisei pelo pai, irmão, e outros, nem lembro. Mas enfim, achei. (um aparte. naquele tempo, internet já existia, mas funcionava a manivela, era mais rápido pesquisar pelos telefones).

Tanto fiz que consegui falar com ela. E foi como se tivessemos nos encontrado no dia anterior. Coisa boa. Conversa fácil, bonita, sincera.

Daí, mais um tempão, e quase 30 anos depois, num daqueles relâmpagos de inteligencia, pesquisei pelo nome dela no orkut. Demorou horrores, mas achei.

Mandei recados, mensagens, e nada. Estranhei, mas sabendo que nós duas somos meio “antas”, fiquei no aguardo. E eis que num dia, sem que eu lembrasse mais, me chega um recado de alguém que eu não conhecia. Não sei porque, porque não abro recados nem páginas de quem não conheço, desta vez resolvi ver. E era ela.

A minha querida amiga conseguiu “perder” o orkut dela e estava me mandando um recado através de outra pessoa. Mandei prá ela recados e tal, até que ela sumiu novamente.

Mais um tempo, e ela ressurge do nada. Ela achou a senha e o orkut dela. Me mandou um email prá que eu a adicionasse.

Daí, que fiz eu? DELETEI o email dela. Assim, sem um que nem porque. Mas consegui mandar uma mensagem pedindo que me adicionasse que eu completaria o processo, ou que me mandasse novamente um email, prá que eu pudesse adicioná-la.

Prá resumir, estamos nisso há 1 mes. Eu peço o email dela, ela não me entende. Ela me manda um recado, não sei o que ela quer dizer.

Quando digo pros meus filhos que a minha amiga me mandou outro recado eles já riem, e falam que acham que nós nunca vamos nos adicionar mutuamente.

Que estamos parecendo, ou sendo, duas antas quadradas. (perdão às antas, elas não mereciam que eu nos comparasse a elas).

Será que um dia isto vai ter fim?

Será que um dia poderemos conversar (?) via orkut?

Espero sinceramente que sim. E este dia será especial. Tão especial que vou avisar vocês.

O nome dela? Não falo, nem o primeiro nome. Vai que alguém que tenha estudado conosco nos reconheça, daí a gozação tá feita.

E não vou dar esta chance prá ninguém. Não mesmo.

Esperança (parte 2)

Me desculpem a demora em falar sobre o resultado dos exames complementares a que me referi no post do dia 05/03/2009.

Mas a emoção ainda é muito grande. Basta eu começar a lembrar de tudo, e choro. Ainda choro mesmo. Neste momento, por exemplo, já comecei a tremer. Mas vamos lá.

Os exames complementares de meu filho foram feitos. Analisados, confirmaram o que se desejava. O coração de meu filho parou de piorar. Não quer dizer que ele esteja melhorando, ou que agora o mano poderá começar a fazer exercícios. Isto não. E como disse o cardiologista, provavelmente isto não deverá acontecer.

Porém, o fato de não continuar a piorar já é muita, mas muita coisa mesmo.

Os remédios foram suspensos aos sábados e domingos, e até agora tem dado certo.

Prá nós, é como se nosso filho nascesse novamente. Com 15 anos, ele está renascendo.

Hoje, olho prá ele e vejo a real possibilidade da vida. Do renascimento.

E continuo vendo, além de tudo, a maior, a grande possibilidade da fé.

Eu acreditei, acreditei mesmo, e este foi o prêmio que recebi.

Meu filho conosco mais tempo.

Era tudo que eu queria.

E agradeço a Deus e a todos que nos deram força neste tempo todo. Que entenderam nossos momentos de silêncio, de resguardo. Que entenderam as lágrimas por trás dos sorrisos.

E que entenderam a nossa fé. E que, junto da gente, acreditaram também.

Obrigada.