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A tarde feminina

Já faz um certo tempo que minhas filhas e eu saimos uma tarde só nós tres. Os ‘meninos’ ficam em casa, ou vão prá outro programa, e nós tres começamos nossa tarde. Nossa tarde feminina.

E o que é, ou tem, uma tarde feminina? Tudo aquilo que a gente gosta de fazer. Nós, invariavelmente, começamos pelo salão de beleza. Com tudo a que temos direito, e o $$$ do momento permite. Após o salão, uma passadinha na loja de cosméticos, que um batonzinho e um vidrinho novo de esmalte nunca são demais (eu só gosto de esmalte e batom baratinhos, não sei porque). Depois um lanche leve, porque a estas alturas a fome já bateu faz tempo. Daí então, se der tempo e houver $$$, uma passadinha básica naquela lojinha tipo R$ 1,99, que nunca tem por este preço aquilo que gostamos.

Basicamente, a tarde se passa assim. Mas a gente fala besteira, ri, resmunga do  cansaço, do pé doendo, do frio, do calor, mas sempre rindo. Anda de mãos dadas pela rua, com os braços balançando como em filmes. E passando e deixando aquele indisfarçável cheiro de salão que sempre fica nos cabelos.

Esta é uma tarde feminina.

Mas acima de tudo, mais que feminina, uma tarde maravilhosa de mãe e filhas.

Me vejo velhinha, bem gagá, andando arrastado, mas saindo prá estes passeios com as minhs meninas.

Oxalá eu chegue lá.

Amém.

bonequinhas tiradas da internet. créditos a outrem.

Aquelas duas fotocópias

Estava conversando com meu marido sobre pequenos gestos e me lembrei de uma situação que passei há uns quatro ou cinco anos, lá na papelaria.

Naquele dia, o primeiro cliente que entrou na loja foi um rapaz. Talvez uns 25, 26 anos. Após desejar-lhe um bom dia, ele retribuiu meu cumprimento e perguntou, com um olhar muito, mas muito suplicante mesmo, se eu tiraria 2 fotocópias da certidão de nascimento de suas filhas. É que ele tinha conseguido um trabalho. Deveria começar naquele dia. Mas precisava da certidão das meninas prá apresentar ao novo empregador. E ele me explicou que, se não apresentasse as certidões, ele não poderia trabalhar, porém, se pagasse pelas cópias, as meninas não comeriam pão naquele dia. (e me pareceu que aquele seria o único alimento do dia prá elas).

Sinceramente, ele não precisaria ter me justificado nada. Só pela forma como me pediu as cópias, eu já as tiraria sem cobrar. Mas ele fez questão de explicar, e me disse: “moça, quando receber meu primeiro salário, passo aqui prá lhe pagar, faço questão”.

Naturalmente fiz as cópias, ele me agradeceu muito e saiu. Passou o dia, a semana, o mês.

Eu nem me lembrava mais do fato, e eis que entra na loja um rapaz com um olhar feliz. Sabe quando você acha que conhece a pessoa, mas não sabe de onde? Foi isso que senti. Aí ele falou: “Lembra de mim? A senhora fez 2 fotocópias da certidão de nascimento de minhas filhas, há um mes. Hoje recebi o pagamento, vim pagar. E me entregou uma moeda de R$ 0,25”. (na época, a cópia era R$ 0,10, cada).

Sabe quando você perde o chão? Ele voltou prá me pagar 20 centavos. E não queria o troco. Embora eu tentasse convencê-lo do contrário, ele pagou. E mais, no dia seguinte, foi levar-me um vasinho com uma plantinha que sua esposa tinha preparado especialmente prá mim.

Foi uma emoção tão grande, que a sinto até hoje.

Vez por outra o rapaz passa na frente da loja e quando me vê, entra e conversa um pouquinho. Me fala sobre as meninas, sobre a esposa, me fala da casinha que está construindo.

E me agradece sempre pelas duas fotocópias.

R$ 0,20 que mudaram e, talvez, salvaram quatro vidas.

Simples assim.

R$ 0,20.