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Só um fone de ouvido?

Minha filha acabou de chegar e me trouxe um fone de ouvido. Um daqueles como o que telefonistas usam, externo. Porque aqueles pequeninhos comigo não dá certo. Eles não prendem na orelha, caem toda hora, e eu vou ficando braba.

E daí, jacaré? Daí que agora vou poder ouvir as músicas que quiser, sem atrapalhar o ser vivente que estiver ao meu lado, querendo, por exemplo, ouvir/ver televisão.

Vou poder ouvir bem alto (embora seja mais adepta de um som baixinho), todas aquelas músicas chorosas que amo. Todos os pianos tocados bem ou mal, todos os chorinhos, todos os cd’s do André Rieu (que eu ouço todo santo dia, e que estou ouvindo agora, por sinal), Andrea Bocelli…

Liberdade, teu nome é fone de ouvido…

E que não toque o telefone ou alguém clique a campainha agora, porque não vou escutar mesmo.

Agora sou só eu e minhas músicas.

Pronto.

Gente, eu vi. E sobrevivi.

Hoje minha filha chegou falando que na escola, uma professora deu uma lição em alguns alunos que faziam piadinhas e riam por conta da morte do Michael Jackson.

Ela, a professora, com muita razão, falou a eles sobre a importancia dele para a música, sobre o que ele produziu, enfim, a revolução que ele causou. Falou, inclusive, sobre as questões da justiça.

Daí que me toquei prá uma coisa. Quantas coisas aconteceram no mundo e eu acompanhei? Comecei a me lembrar e foi muita, mas muita coisa mesmo. Algumas de maior, outras de menor importância. Mas cheguei à brilhante conclusão de que a minha geração foi de fato muito privilegiada.

Quer exemplos? Bom, eu acompanhei Elvis Presley no auge, vi surgir Michael Jackson, Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos e muitos outros, na musica. Aliás, na musica como um todo, houve a revolução dos discos. Aqueles bolachões que a gente ouvia de um lado, levantava prá trocar o lado quase não existem mais. Aliás, o que veio atrás deles, os cd’s, me parecem que também já estão com os dias contados, não é?

Acompanhei o primeiro transplante de coração no mundo, feito pelo dr. Barnard. E no Brasil, feito pelo dr. Zerbini. Vi a primeira criança a nascer pelo método de fertilização artificial, o então chamado bebê de proveta, Louise, vi os avanços em outros transplantes, assim como vi o surgimento de doenças terríveis, como a Aids, e o aumento do número de pessoas com câncer.

Vi o surgimento da consciênca ecológica (embora com alguns exageros por parte de alguns), mas também vi aumentar a fome no mundo.

Vi o homem chegar à lua. E, sinceramente, não acredito nas teorias que dizem que o homem na lua teria sido uma montagem dos americanos.

Vi a tecnologia possibilitar que os telefones fossem diminuindo de tamanho e surgirem os celulares. E as máquinas fotográficas, então? Antes um trombolho, pareciam pedaços de paralelepípedo. Hoje pesam tanto quanto um controle remoto de televisão; esta aliás, que eu cheguei a assistir em preto e branco, e as transmissões não eram ao vivo. Eram em vídeo tape. Gravadas.

E vi, também, o surgimento disto que me permite estar aqui agora falando com vocês. O surgimento dos computadores pessoais e da internet, que possibilitaram as comunicações no mundo.

Quase que eu esqueço. Eu também vi a virada do  ano 1999 para o 2000.

Caramba, eu vi muita coisa, mesmo.

E sobrevivi.