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A minha hora mágica

Não lembro se já falei aqui, mas sou meio metida a fotógrafa. Vivo dando minhas tentadas e rateadas pela vida. Não saio de casa sem uma máquina nem por decreto, e escolho meu celular pela qualidade da câmera.

Daí que por isso, volta e meia saio catando na internet sites e/ou blogs de fotógrafos que nos ensinam muita coisa.

Numa dessas passadas, li sobre “hora mágica”, que na verdade são duas. São dois momentos do dia em que a luminosidade do sol está no seu ponto máximo em termos de beleza, o que faz com que tudo que seja fotografado neste período  seja valorizado nas fotos. Estes momentos são o amanhecer e o entardecer. Observando, constatei ser verdade. Há um momento pela manhã em que as cores nas fotos ficam mais bonitas, assim como também ao entardecer. Acho que por isso aquela correria quando fotógrafos e cinegrafistas estão trabalhando em publicidade, por exemplo. Deve ser por causa da tal “hora mágica”.

Mas, ao olhar umas fotos em casa, percebi que existe outra hora mágica. Que prá mim, na verdade foram tres.

Aquela hora mágica, aquele momento mais que especial em que nosso bebê nos é apresentado, segundos após nascer. Eu consigo lembrar de cada segundo destes momentos. Cada mexidinha que meus filhos deram. Cada ruguinha que eles tinham. E, incrível, eu estava sem óculos. Mas eu vi. Não sei como, mas eu vi.

Estas foram as minhas “horas mágicas”. Nada irá substitui-las. São os momentos mais lindos, mais poéticamente perfeitos da minha vida. As cores mais nitidamente maravilhosas que já vi.

Só tenho fotos deste momento da última filha, pois os outros dois nasceram, uma, numa época em que a possibilidade de fotos em sala de cirurgia nem pensar, e no parto do menino tivemos o contratempo de um dos médicos faltar, o que fez com que um fizesse o trabalho de dois. Mas tem esta foto, e ela simboliza todas as minhas “horas mágicas”.

a minha 3ª "hora mágica"

Deixar chorar? Nem pensar…

Há tempo, algo como uns 15 anos, eu via na televisão, não lembro em que programa, um psicanalista meio velhusco, com uma voz chatérrima, que, ao meu ver, falava umas coisas absurdas. A bem da verdade, até hoje não entendi porque eu assistia este bendito dar suas opiniões.

Mas ok. Eu via, e agora não tem como explicar. Na época meu filho era um bebê, e como todo bebê, às vezes chorava. E eu sempre procurava verificar o que estava acontecendo. Se não descobrisse o que estava acontecendo, eu o pegava no colo, e procurava acalmá-lo no embalo, aquele vai-e-vem que tranquiliza o mais intranquilo dos seres.

Pois aquele senhor que mencionei acima, sempre, sempre mesmo que se referia a choro de bebê, dizia que não se devia correr prá ver o que o bebê queria/sentia, e nunca, jamais, pegá-lo no colo. Como se, por pegá-lo no colo, os pais fossem desviá-lo de boas condutas no futuro. Eu odiava quando ele falava isso. Prá que deixar uma criança chorar, meu Deus? Maldade.

Pois bem, alguns dias atrás eu o vi na televisão admitindo que errou. Que o colo é um dos maiores fatores de aproximação entre pais e filhos, e outras coisitas mais. Daí me questionei: e como ficaram aquelas crianças cujos pais, por inexperiência, por confiança nele, ou seja lá porque, acreditaram na sumidade que lhes dizia aquelas barbaridades? Segundo ele, hoje, observando crianças cujos pais ele aconselhava, percebeu que as crianças são tristes, envergonhadas, sem iniciativa etc. Ele pediu desculpas. Simples assim.

Lembrei deste caso pois hoje, num programa matutino na televisão, vi um pediatra falar que todo choro tem um porque, triste, doído, alegre ou de manha. E disse mais, que é mais fácil para os pais saberem o que um filho tem pelo simples interpretar do choro, e que, maioria das vezes, o “diagnóstico”dos pais é o que o médico constata depois, quando se trata de saúde.

Resumindo, acho que profissionais, de todas as áreas, deveriam ouvir mais o que pais e mães falam sobre seus filhos. E não simplesmente aplicar a teoria que aprenderam, pois a teoria muitas vezes não bate com a realidade.

Aliás, neste quesito, sempre tive sorte. Todos os pediatras pelos quais meus filhos passaram, pensavam como eu. E sempre aprovaram o colinho, o chazinho, o beijo e o abraço.

E assim foi.