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Aquela gaveta cheia de maquiagem.

Nestes dias de saudades, lembrei de uma pessoa que também foi muito importante na minha vida, além daquela que citei em meu post no outro blog. A que citei no outro post é mais que especial. A do poste de hoje foi e será sempre querida.

Pois bem, esta, da qual me lembrei agora, posso citar-lhe o nome. Lurdes. Não Lourdes, simplesmente Lurdes. Ela era uma morena muito querida, humilde, de uma religiosidade exemplar, mas que nunca tentou me “doutrinar” para que eu passasse a seguir a religião que ela seguia. Mas o mais curioso na biografia dela é que, sendo evangélica, de uma confissão que não permitia o uso de maquiagens, ela era vendedora de cosméticos numa grande rede de farmácias da minha cidade. E como demonstradora, ela tinha que usar os produtos. Ela sofria, mas sempre, antes de sair prá casa, ela tirava tudo. Sei que era um sofrimento muito grande prá ela, mas não tinha como ela sair deste trabalho, pois a remuneração era excelente e ela era, além de tudo, meio arrimo de família.

E daí, como demonstradora, ela ganhava amostras de todos os produtos que vendia. E não eram estas amostrinhas diminutas que se ganha hoje, não. Amostras, naquela época, eram unidades normais dos produtos. E como ela não os usava fora do local de trabalho, e neste havia as amostras para demonstração (além das que ela ganhava prá ela), prá quem ela os dava? Advinharam. Prá mim. Por diversas vezes, minha mãe, fuçando minhas gavetas, achava aquela montoeira de maquiagem, me dava uma bronca danada pelo excesso de dinheiro gasto com estas superficialidades, e não havia quem a convencesse que eu as havia ganho. Acho que até hoje ela não acreditaria.

Mas amigas, se vocês acham que quando eu falo “muito”, estou falando numa mísera gavetinha, erraram. A minha gaveta era muito, mas muito grande mesmo. E eram somente marcas famosíssimas, e que até hoje ainda existem, pelo menos a grande maioria. E, daqueles produtos, muitos eram importados, imaginem. Lembro de algumas, como Helena Rubinstein, Max Factor, Revlon, dentre muitas outras.

Naquele tempo, jamais, em tempo algum, alguém me via de “cara limpa”. Eu usava mesmo. E melhor, usava direito, porque ela me ensinava tudo. Passo a passo.

Uma maquiagem que hoje é ultrapassada, é verdade, mas que naquela época era um sucesso total.

Depois de um tempo, quando fui morar no nordeste, principalmente, com o calor de lá, e com minha pele ultra, super, hiper oleosa, fui abandonando aos poucos, até perceber que, de tudo, eu havia passado a usar tão somente um batonzinho, um blushezinho e um rimelzinho, e olhe lá. E isto somente quando estava muito, mas muito animada mesmo.

Mas, como tudo um dia muda, de repente, eis-me novamente às voltas com eles. Os produtos de maquiagem. Ando procurando me reciclar. Porque agora sou uma semi idosa, e por isso, não posso mais fazer as loucuras que fazia. Ou usar as coisas do jeito que usava.

No mínimo, no mínimo, eu seria taxada de velha ridícula. Embora eu ache, com toda sinceridade, que ninguém deveria se meter no que faço, penso, ou uso. Mas enfim…Vamos nos adaptar aos tempos, né?