Estava conversando com meu marido sobre pequenos gestos e me lembrei de uma situação que passei há uns quatro ou cinco anos, lá na papelaria.

Naquele dia, o primeiro cliente que entrou na loja foi um rapaz. Talvez uns 25, 26 anos. Após desejar-lhe um bom dia, ele retribuiu meu cumprimento e perguntou, com um olhar muito, mas muito suplicante mesmo, se eu tiraria 2 fotocópias da certidão de nascimento de suas filhas. É que ele tinha conseguido um trabalho. Deveria começar naquele dia. Mas precisava da certidão das meninas prá apresentar ao novo empregador. E ele me explicou que, se não apresentasse as certidões, ele não poderia trabalhar, porém, se pagasse pelas cópias, as meninas não comeriam pão naquele dia. (e me pareceu que aquele seria o único alimento do dia prá elas).

Sinceramente, ele não precisaria ter me justificado nada. Só pela forma como me pediu as cópias, eu já as tiraria sem cobrar. Mas ele fez questão de explicar, e me disse: “moça, quando receber meu primeiro salário, passo aqui prá lhe pagar, faço questão”.

Naturalmente fiz as cópias, ele me agradeceu muito e saiu. Passou o dia, a semana, o mês.

Eu nem me lembrava mais do fato, e eis que entra na loja um rapaz com um olhar feliz. Sabe quando você acha que conhece a pessoa, mas não sabe de onde? Foi isso que senti. Aí ele falou: “Lembra de mim? A senhora fez 2 fotocópias da certidão de nascimento de minhas filhas, há um mes. Hoje recebi o pagamento, vim pagar. E me entregou uma moeda de R$ 0,25″. (na época, a cópia era R$ 0,10, cada).

Sabe quando você perde o chão? Ele voltou prá me pagar 20 centavos. E não queria o troco. Embora eu tentasse convencê-lo do contrário, ele pagou. E mais, no dia seguinte, foi levar-me um vasinho com uma plantinha que sua esposa tinha preparado especialmente prá mim.

Foi uma emoção tão grande, que a sinto até hoje.

Vez por outra o rapaz passa na frente da loja e quando me vê, entra e conversa um pouquinho. Me fala sobre as meninas, sobre a esposa, me fala da casinha que está construindo.

E me agradece sempre pelas duas fotocópias.

R$ 0,20 que mudaram e, talvez, salvaram quatro vidas.

Simples assim.

R$ 0,20.

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Ontem minha filha mais nova completou 13 anos.

Meu Deus, como o tempo passou rápido.

E daí, percebi uma coisa. Quem já é mãe, com certeza haverá de concordar comigo.

O nascimento da minha filha estava previsto para 17 de junho, mais ou menos. Aliás, este é o dia do meu aniversário. Seria meu presente de 40 anos. Mas a garotinha resolveu dar o ar da graça antes. Quero dizer com isto, que não havia cesárea marcada, portanto o dia transcorria como outro dia qualquer. Não havia expectativa nenhuma com relação a nascimento, maternidade, nada.

Mas eis que por volta de 18 h, começou. E a filhota nasceu às 22:55 h. E aí, chego onde queria.

Por mais incrível que possa parecer, eu lembro de cada momento daquele dia. Uma segunda feira. E me toquei que assim como lembrava desta segunda feira, me lembrava também do sábado em que o menino nasceu e do domingo em que a mais velha veio ao mundo.

Nenhum dos partos foi programado. Muito pelo contrário. Todos foram no sistema surpresa total. O menino, mesmo, era previsto nascer em 7 de setembro (patriota) e resolveu dar as caras em 30 de julho. Pouquinha coisa antes.

A mais velha nasceu num tempo em que não havia ainda (pelo menos na cidade em que ela nasceu) um ultrassom. Portanto, tudo era na base do RX, e não era possível ficar fazendo RX direto. Seria muito prejuizo pro bebê. O jeito, neste caso, era esperar e torcer.

Portanto, todos os partos foram surpresa.

E aí eu pergunto: o que é isto que faz com que a gente lembre de todos os momentos de um dia que não tinha nada de especial até que a criança nascesse?

Não é de pensar? Porque se o bebê não tivesse nascido neste dia, será que a gente conseguiria lembrar do que se passou durante o dia todo?

Claro que isto tambem ocorre com outras situações, felizes ou infelizes, mas me flagrei disto ontem, e ontem era um dia muito feliz.

Que bom.

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Quando eu tinha de dois para tres anos, minha mãe contratou uma senhora prá ficar cuidando dos filhos, pois ela trabalhava fora.

Esta senhora fazia umas bolsas de trico com corda e barbante que eram muito legais. Se fosse hoje, com certeza, ela estaria muito bem de grana, porque as bolsas eram realmente muito bonitas. Vai daí que, eu, curiosa como sempre fui, encasquetei de aprender a fazer trico também. Mas nesta época, eu tinha somente 4 anos, e ensinar uma criança de quatro anos a tricotar, e ainda por cima com aquelas agulhas grossas, realmente eram uma coisa meio pro difícil.

Mas eu desisti? Não. (aliás, minha mãe diz e repete prá quem quiser ouvir que eu sempre fui extremamente teimosa; se eu queria, eu queria e pronto). Então se eu tinha decidido aprender trico, eu iria aprender trico.

E aprendi. Só que aprendi a fazer olhando de frente. Logo, aprendi “em espelho”. Hoje faço quase qualquer coisa, porém, tricoto do jeito inverso. Tudo que é prá frente eu faço prá trás e vice versa. Depois de muito tempo fui entender porque nunca tinha conseguido fazer nada por receita. Sempre deu errado. Mas agora ficou fácil, é só reescrever a receita mudando tudo de lado.

Mas depois de um tempo razoável tricotando, com a idade, e com uma certa inflamação num músculo, lá se foi meu tricozinho. (também meu croche). E prá diminuir um pouco minha tristeza, meu marido me deu de presente uma máquina de trico. Foi um dos presentes mais gostosos que ganhei. Em tres, quatro horas, a gente faz uma blusa básica.

euzinha e filhos meus menores "trabalhando"

euzinha e filhos meus menores "trabalhando"

Depois de um tempo, ele comprou um motor, o que facilitou ainda mais meu trabalho, pois nesta época, eu já me aventurava com trabalhos prá terceiros. Fiz isto muitos anos, até que não deu mais. Vendi minhas máquinas, qua na verdade àquela altura já eram duas. Infelizmente, prá mim tinha chegado a hora de parar, mesmo sendo trico com máquinas.

E um dia desses, quando começou a esfriar, vi uma blusa de trico num programa de televisão muito parecida com uma que eu havia feito, muito tempo atrás.

Me deu saudade. Aí lembrei da minha primeira máquina, procurei, e achei uma foto.

E nesta foto, dá de ver como era gostoso fazer as peças. Fiz muita blusa, colete, roupinhas de bebê, calças, meias…

Foi muito bom. Pena que passou.

Agora, só posso fazer pequenas peças, com muita calma, sem exagerar, e na base do manual.

Mas pelo menos, não esqueço como fazer meu tricozinho. Mesmo que seja pouca coisa. Mas enfim…

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Quem falou que pai e mãe sempre sabem tudo, não imaginava o que possíveis decisões fazem com a cabeça e o coração de quem tem que toma-las.

Hoje, por exemplo, temos que dar a resposta se a filha menor vai ou não participar do casting de uma agência de modelos. Foram dias e dias colocando as coisas na balança. Prós e contras, contras e prós.

Parece bobeira, mas é uma decisão que pode mudar muita coisa. Permito que ela vá? Não? Sim? Não?

Isto esta parecendo britadeira na minha cabeça. Sim, não, sim, não. Eu poderia ficar o dia todo aqui, iria encher o saco de todo mundo, e, mesmo assim, talvez não conseguisse responder. Vou continuar a pensar e ponderar.

Sim, não, sim, não…

Quem falou mesmo que pai e mãe sempre sabem decidir tudo?

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Pessoas, mesmo eu sendo uma pessoa extremamente otimista, hoje tô péssima.

Há um ou dois meses atrás fui à ginecologista, e ela me falou que eu ainda não estava, fisicamente falando, mostrando sinais de uma menopausa iminente, que meu útero está bem em forma e estas coisas todas. Portanto, teóricamente, não devo estar passando por todos os incômodos da menopausa. Aliás, no meu outro blog já falei sobre isso.

Se é TPM, está durando muito,mais de mes, e tenho a impressão que isto não vai acabar nunca.

Mas, e se for gravidez? Eu, com 53 aninhos, e grávida? Por mim tudo bem, mas e o marido e os filhos, irão me aguentar? Porque sendo isso, se preparem, porque vou ficar muito, mas muito mesmo, manhosa.

E, ainda por cima, este telefone que não toca. Aliás, tocar, toca, mas não é a ligação que estou esperando. Importantíssima.

Já vi que meu dia vai ser longo, muito longo. Definitivamente, vai chegar amanhã, e o hoje ainda não terá acabado.

Dia caca.

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Ontem foi Dia das Mães. Embora pareça mentira, eu realmente não me ligo em presentes. Prefiro mil vezes ganhá-los sem dia definido. Nem com presente de aniversário me importo.

Aliás, na verdade, prefiro dar presentes. Acho muito mais prazeroso.

Presente de dia das mães, mesmo, eu só gostava quando meus filhos eram pequenos, quando eles faziam aquelas coisinhas na escola, cantavam aquelas musicas (sempre as mesmas, mas a gente sempre chorava), faziam uma apresentação simplesinha… Mas tudo era feito por eles. E isto foi o que sempre teve mais valor prá mim.

Mas ontem não teve jeito. Minha filha mais velha tasca um post no blog dela falando em mim. Pronto. Desabei. Chorei mesmo, ué. E na sexta meus filhos menores ganharam uma gincana na escola (me referi a ela num post no meu outro blog), o que foi um presente, porque muitas pessoas serão assistidas com os cobertores e alimentos que eles arrecadaram.

Mas uma coisa bateu mais forte, e mais forte de um jeito bem diferente. No post, minha filha fala na avó, e eu me lembrei da minha vó Zezé. Uma nordestina baixinha, braba, mas braba mesmo, matriarca no maior sentido que esta palavra pode ter.

Mas que me adorava. E que eu adorava na mesma medida.

Dentre mais de 50 netos, eu era um xodó entre as meninas. E ela demonstrava isto sempre.  Do jeitinho dela. Ela sempre participou da minha vida, sempre me apoiou, em muitos momentos, sendo a única que tinha coragem de fazer isto. Me apoiar sempre.

E ela gostava de usar um sabonete. Maja. Um sabonete extremamente perfumado. E quando acabava o sabonete, ela me ligava, avisava que precisava do sabonete, e lá ia eu procurar o bendito. Comprava e levava prá ela.

E o sabonete ficou como o nosso elo de ligação. Ainda sinto falta dela (mesmo ela tendo falecido há mais de 20 anos). Mas quando a saudade aperta mesmo, peço a minha filha que compre o sabonete da vó prá mim. E tomo um demorado banho com ele. E é como se sentisse a vó do meu lado, me abraçando, com aqueles braços pequeninhos. Mas que conseguiam me enlaçar toda.

O cheiro deste sabonete me lembra ela. E sempre me lembrará. Ele faz parte da minha vida.

1ª caixa que ganhei da minha filha

1ª caixa que ganhei da minha filha

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Bom, falo português fluentemente. E não morreria de fome na França, na Inglaterra, nem nos Estados Unidos. Acho que passaria bem nos países em que se fala castelhano ou espanhol. Mas agora, a surpresa maior. Eu também falo cachorrês, e um pouquinho do gatês.

Cachorrês? Gatês? Ué, nunca ouviu falar, não? Tá por fora, hein?

Cachorrês é a lingua dos cachorros, e gatês a dos gatos, oras.

Ontem, aconteceu de novo. O nosso totó, o kini, (vê a foto) começou a rondar, e latir. E o pessoal não sabia o que era. Mas ele olhou prá mim, latiu e eu entendi. Ele queria a bolinha prá brincar. Foi só perguntar: kini quer bolinha?, que ele correu. Eu peguei a bolinha dei a ele, ele foi brincar e pronto.

Este é o kini. Um filhote com cara de velho.

Este é o kini. Um filhote com cara de velho.

Quando ele quer comida, quando quer água, eu entendo. E não é o primeiro cachorro que eu consigo entender. Com os outros que tivemos já era assim. Eu entendia cada latido. Com a gatinha foi assim também, mas era mais difícil. Talvez porque gatos sejam mais independentes, sei lá.

Mas mesmo assim dava de saber o que a gata queria.

Talvez, também, a dificuldade com os gatos ocorra porque não morro de amores por gatinhos. Não gosto que os maltratem, mas prefiro mil vezes cachorros. Com eles me dou muito melhor.

Mas eu estava pensando, aqui com meus 2 botões, que esta facilidade de comunicação pode ter a ver com o fato de ser mãe, não é? Porque quando nossos filhos são pequenos, a gente tem que usar muito da sensibilidade prá entender os sinais que os bebês nos dão. Então pode vir daí, certo?

Se a gente consegue entender um bebê, consegue entender um animal.

Então, mães, todas somos poliglotas.

Nosso curriculum vitae cresceu.

Aêêê.

Ps.: Não estou comparando bebês com animais. Somente constatando as possibilidades.

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Ontem, através da minha filha Renata, conheci um blog legal. E o achei muito legal, mesmo. Até já coloquei nos favoritos. Tem posts muito bons.

Porém, ai, porém…

Li o post de ontem e confesso, no começo, fiquei triste pelas fotos postadas. Em princípio, achei um baita desrespeito. Não sei se, na verdade, a garota que o escreve teve ou tem próxima dela, uma pessoa de mais de 50 ou 60 anos. Ou pelo menos alguém que, com esta idade, gosta de se maquiar, é vaidosa.

Mas continuando na leitura, fui aos comentários. (adoro lê-los). E o último de então, de alguém que assina Cris, me foi particularmente tocante. Ela fala numa avó que gostava de se maquiar, e deu aos outros comentários a resposta que eu gostaria de ter dado.

É muito fácil ridicularizar pessoas que estão com uma maquiagem forte, over, diriam elas. O blush errado, muito forte, um batom além das medidas e a sobrancelha parecendo a de uma louca.

Primeiro, devo dizer que  própria autora do post pede que a avisem quando for mais velha, se ela estiver exagerando nalguma coisa. Isto é porque ela sabe que aos 88 anos, como é o caso da sra da foto, ela talvez não esteja enxergando bem, ou a moda da época vá ser outra. E se ela mesma admite que poderá errar, por que esta sra não tem este direito?

Eu tenho 53 anos. Sou da época de dancing days, de embalos de sábado à noite e hair. Naquela época, tudo era muito mais intenso, assim como, pesquisando a gente pode saber que, no tempo em que aquela senhora era novinha, as sobrancelhas eram absolutamente marcadas e os olhos excessivamente pretos. Porém, eram a moda da época.

Hoje, é tudo muito mais sutil (mesmo assim, a gente vê cada coisa no meio da rua), as informações correm a mil, temos a internet. Mas pessoas mais velhas às vezes demoram um pouco mais a se desligarem daqueles hábitos do passado. E há mais um detalhe. Todos falam, falam, mas ajudar que é bom, necas.

Eu mesma tenho procurado na internet, blogs que tenham posts ensinando maquiagem prá minha idade. O máximo que encontrei, sob o título “maquiagem para pálpebras caídas”, foram fotos ensinando como maquiar um olho japonês. Ora, o olho dos japoneses são dotados de uma pálpebra até caída, mas a pele é firme, clarinha. Mas a nossa não. A nossa, mesmo com todos os cremes à disposição, é, não apenas caída, mas também flácida.

Aí está a diferença. Não deu de adaptar, ou não consegui. (um aparte: não fale em plástica, nem todas temos dinheiro ou coragem ou condições físicas para fazê-la).

Eu gostaria que alguém nos olhasse com carinho. Que alguém nos ensinasse, como ensinam milhares de possibilidades de maquiagem para as mais novinhas. Eu queria que nos entendessem.

E não que simplesmente rissem de mim e dos meus erros.

Obrigada.

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Sem querer querendo, como diria o Chaves (que eu adoro), volto ao assunto novelas.

Não assisto, ou por outra, não acompanho. Não gosto, e como sou extremamente ansiosa, ficar todo dia sentada em frente à tv esperando para ver situações que eu sei como vão acabar, não consigo. Porque, por mais que o autor coloque lágrimas e risos nas situações, a coisa termina do mesmo jeito. O mocinho com a mocinha, o bandido preso ou morto, o filho aceita o pai, ou vice versa, e por aí vai. Não tenho paciência prá isso. Prefiro ficar com meus quebras cabeça. (tá certo assim?)

Mas quando a gente passa em frente à tv e vê um excelente ator, como o Tony Ramos, por exemplo, não tem como parar. Então, volta e meia, vejo alguma coisa. E daí? Daí que sempre reparo no jeito como os personagens falam.

Neste momento mesmo, estão reprisando uma novela com uma personagem nordestina, mas que já está no Rio há muito tempo. Porém, ah, porém, em que pese a maravilhosa atuação da atriz que encarna a nordestina, alguém lhe “ensinou”(?) um pseudo sotaque nordestino que eu nunca vi em nenhum dos lugares do nordeste em que morei. E olha que não foram poucos. Nunca vi nem ouvi uma coisa tão grosseira.

E outras novelas seguiram na mesma rota. Em compensação, novelas que teóricamente se passam em outros países, nos trazem personagens que falam a mesma língua. Viajam de lá prá cá, daqui prá lá, e todo mundo se entende perfeitamente. O oriental se entende perfeitamente com o brasileiro, que se entende perfeitamente com o russo, que se entende perfeitamente com o português, que se entende perfeitamente com o chinês, e por aí vai.

Ninguém tem nenhum sotaquezinho. Nenhum. Bom, pode ser que alguém tenha se tocado dos vexames do passado.

Mas mesmo assim, fica muito estranho ver povos tão diferentes entre si, com cultura e situação tão distintas se comunicando tão perfeitamente, porque nunca, mas nunca mesmo, vi algum personagem que encontrasse alguma dificuldade de comunicação com outro, estejam eles onde estejam, falem a lingua que falem.

Êta povo inteligente este de novelas. São todos poliglotas.

E põe poli nisto.

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Meio estranho o título,não é?

Mas é isso mesmo. Alegria de camelô.

Foi assim que minha casa foi chamada certa vez por um colega de trabalho. Aliás, um ex colega de ex trabalho. (é uma delícia falar isto).

Explico.

Meu marido adora novidades. Ele é um gênio prá achar coisas novas. Tem um faro incrível. Ele descobre utensílios prá pescaria, prá cozinha, pro computador, prás crianças, enfim, ele descobre as coisas.

Prá terem uma idéia, quando surgiram os absorventes embalados um a um, foi ele quem viu.E não apenas viu. Também comprou prá mim.

Com este exemplo, dá de saber porque o apelido da minha casa, né?

Quando o pessoal se reunia em casa, era o máximo.

Se alguém queria pegar azeitonas de um vidro grande, era só achar o utensílio que o ajudaria. Raspar coco prá sobremesa? Tem um raspador super prático. Tirar o miolo do abacaxi? Fácil com o instrumento certo. Cortar as batatas em lâminas ou palito? Também é fácil.

algumas poucas coisinhas

Algumas poucas coisinhas

Por mais incrível que possa parecer, nunca me foi pedido algo, ou alguma coisa prá facilitar um trabalho, que eu não tivesse em casa.

Algumas coisas hoje já não existem mais. Afinal, foram muitas, mas muitas mudanças mesmo. (mas outro dia falo sobre isto).

Muita coisa desapareceu, muita coisa perdi, muita coisa se quebrou.

As residências mudaram. Ora um apartamento, ora uma casa térrea, ora uma com mais andares.

Mas o apelido, este continua o mesmo.

Alegria de camelô.

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