Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.

Eu e minha máquina de trico

mai 21, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Euzinha

Quando eu tinha de dois para tres anos, minha mãe contratou uma senhora prá ficar cuidando dos filhos, pois ela trabalhava fora.

Esta senhora fazia umas bolsas de trico com corda e barbante que eram muito legais. Se fosse hoje, com certeza, ela estaria muito bem de grana, porque as bolsas eram realmente muito bonitas. Vai daí que, eu, curiosa como sempre fui, encasquetei de aprender a fazer trico também. Mas nesta época, eu tinha somente 4 anos, e ensinar uma criança de quatro anos a tricotar, e ainda por cima com aquelas agulhas grossas, realmente eram uma coisa meio pro difícil.

Mas eu desisti? Não. (aliás, minha mãe diz e repete prá quem quiser ouvir que eu sempre fui extremamente teimosa; se eu queria, eu queria e pronto). Então se eu tinha decidido aprender trico, eu iria aprender trico.

E aprendi. Só que aprendi a fazer olhando de frente. Logo, aprendi “em espelho”. Hoje faço quase qualquer coisa, porém, tricoto do jeito inverso. Tudo que é prá frente eu faço prá trás e vice versa. Depois de muito tempo fui entender porque nunca tinha conseguido fazer nada por receita. Sempre deu errado. Mas agora ficou fácil, é só reescrever a receita mudando tudo de lado.

Mas depois de um tempo razoável tricotando, com a idade, e com uma certa inflamação num músculo, lá se foi meu tricozinho. (também meu croche). E prá diminuir um pouco minha tristeza, meu marido me deu de presente uma máquina de trico. Foi um dos presentes mais gostosos que ganhei. Em tres, quatro horas, a gente faz uma blusa básica.

euzinha e filhos meus menores "trabalhando"

euzinha e filhos meus menores "trabalhando"

Depois de um tempo, ele comprou um motor, o que facilitou ainda mais meu trabalho, pois nesta época, eu já me aventurava com trabalhos prá terceiros. Fiz isto muitos anos, até que não deu mais. Vendi minhas máquinas, qua na verdade àquela altura já eram duas. Infelizmente, prá mim tinha chegado a hora de parar, mesmo sendo trico com máquinas.

E um dia desses, quando começou a esfriar, vi uma blusa de trico num programa de televisão muito parecida com uma que eu havia feito, muito tempo atrás.

Me deu saudade. Aí lembrei da minha primeira máquina, procurei, e achei uma foto.

E nesta foto, dá de ver como era gostoso fazer as peças. Fiz muita blusa, colete, roupinhas de bebê, calças, meias…

Foi muito bom. Pena que passou.

Agora, só posso fazer pequenas peças, com muita calma, sem exagerar, e na base do manual.

Mas pelo menos, não esqueço como fazer meu tricozinho. Mesmo que seja pouca coisa. Mas enfim…

Indecisões de pai e mãe

mai 15, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Família

Quem falou que pai e mãe sempre sabem tudo, não imaginava o que possíveis decisões fazem com a cabeça e o coração de quem tem que toma-las.

Hoje, por exemplo, temos que dar a resposta se a filha menor vai ou não participar do casting de uma agência de modelos. Foram dias e dias colocando as coisas na balança. Prós e contras, contras e prós.

Parece bobeira, mas é uma decisão que pode mudar muita coisa. Permito que ela vá? Não? Sim? Não?

Isto esta parecendo britadeira na minha cabeça. Sim, não, sim, não. Eu poderia ficar o dia todo aqui, iria encher o saco de todo mundo, e, mesmo assim, talvez não conseguisse responder. Vou continuar a pensar e ponderar.

Sim, não, sim, não…

Quem falou mesmo que pai e mãe sempre sabem decidir tudo?

Poliglota, eu?

mai 6, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Euzinha

Bom, falo português fluentemente. E não morreria de fome na França, na Inglaterra, nem nos Estados Unidos. Acho que passaria bem nos países em que se fala castelhano ou espanhol. Mas agora, a surpresa maior. Eu também falo cachorrês, e um pouquinho do gatês.

Cachorrês? Gatês? Ué, nunca ouviu falar, não? Tá por fora, hein?

Cachorrês é a lingua dos cachorros, e gatês a dos gatos, oras.

Ontem, aconteceu de novo. O nosso totó, o kini, (vê a foto) começou a rondar, e latir. E o pessoal não sabia o que era. Mas ele olhou prá mim, latiu e eu entendi. Ele queria a bolinha prá brincar. Foi só perguntar: kini quer bolinha?, que ele correu. Eu peguei a bolinha dei a ele, ele foi brincar e pronto.

Este é o kini. Um filhote com cara de velho.

Este é o kini. Um filhote com cara de velho.

Quando ele quer comida, quando quer água, eu entendo. E não é o primeiro cachorro que eu consigo entender. Com os outros que tivemos já era assim. Eu entendia cada latido. Com a gatinha foi assim também, mas era mais difícil. Talvez porque gatos sejam mais independentes, sei lá.

Mas mesmo assim dava de saber o que a gata queria.

Talvez, também, a dificuldade com os gatos ocorra porque não morro de amores por gatinhos. Não gosto que os maltratem, mas prefiro mil vezes cachorros. Com eles me dou muito melhor.

Mas eu estava pensando, aqui com meus 2 botões, que esta facilidade de comunicação pode ter a ver com o fato de ser mãe, não é? Porque quando nossos filhos são pequenos, a gente tem que usar muito da sensibilidade prá entender os sinais que os bebês nos dão. Então pode vir daí, certo?

Se a gente consegue entender um bebê, consegue entender um animal.

Então, mães, todas somos poliglotas.

Nosso curriculum vitae cresceu.

Aêêê.

Ps.: Não estou comparando bebês com animais. Somente constatando as possibilidades.

Qual é mesmo o idioma das novelas?

mai 5, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Televisão

Sem querer querendo, como diria o Chaves (que eu adoro), volto ao assunto novelas.

Não assisto, ou por outra, não acompanho. Não gosto, e como sou extremamente ansiosa, ficar todo dia sentada em frente à tv esperando para ver situações que eu sei como vão acabar, não consigo. Porque, por mais que o autor coloque lágrimas e risos nas situações, a coisa termina do mesmo jeito. O mocinho com a mocinha, o bandido preso ou morto, o filho aceita o pai, ou vice versa, e por aí vai. Não tenho paciência prá isso. Prefiro ficar com meus quebras cabeça. (tá certo assim?)

Mas quando a gente passa em frente à tv e vê um excelente ator, como o Tony Ramos, por exemplo, não tem como parar. Então, volta e meia, vejo alguma coisa. E daí? Daí que sempre reparo no jeito como os personagens falam.

Neste momento mesmo, estão reprisando uma novela com uma personagem nordestina, mas que já está no Rio há muito tempo. Porém, ah, porém, em que pese a maravilhosa atuação da atriz que encarna a nordestina, alguém lhe “ensinou”(?) um pseudo sotaque nordestino que eu nunca vi em nenhum dos lugares do nordeste em que morei. E olha que não foram poucos. Nunca vi nem ouvi uma coisa tão grosseira.

E outras novelas seguiram na mesma rota. Em compensação, novelas que teóricamente se passam em outros países, nos trazem personagens que falam a mesma língua. Viajam de lá prá cá, daqui prá lá, e todo mundo se entende perfeitamente. O oriental se entende perfeitamente com o brasileiro, que se entende perfeitamente com o russo, que se entende perfeitamente com o português, que se entende perfeitamente com o chinês, e por aí vai.

Ninguém tem nenhum sotaquezinho. Nenhum. Bom, pode ser que alguém tenha se tocado dos vexames do passado.

Mas mesmo assim, fica muito estranho ver povos tão diferentes entre si, com cultura e situação tão distintas se comunicando tão perfeitamente, porque nunca, mas nunca mesmo, vi algum personagem que encontrasse alguma dificuldade de comunicação com outro, estejam eles onde estejam, falem a lingua que falem.

Êta povo inteligente este de novelas. São todos poliglotas.

E põe poli nisto.

Minha casa alegria de camelô

mai 1, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Família

Meio estranho o título,não é?

Mas é isso mesmo. Alegria de camelô.

Foi assim que minha casa foi chamada certa vez por um colega de trabalho. Aliás, um ex colega de ex trabalho. (é uma delícia falar isto).

Explico.

Meu marido adora novidades. Ele é um gênio prá achar coisas novas. Tem um faro incrível. Ele descobre utensílios prá pescaria, prá cozinha, pro computador, prás crianças, enfim, ele descobre as coisas.

Prá terem uma idéia, quando surgiram os absorventes embalados um a um, foi ele quem viu.E não apenas viu. Também comprou prá mim.

Com este exemplo, dá de saber porque o apelido da minha casa, né?

Quando o pessoal se reunia em casa, era o máximo.

Se alguém queria pegar azeitonas de um vidro grande, era só achar o utensílio que o ajudaria. Raspar coco prá sobremesa? Tem um raspador super prático. Tirar o miolo do abacaxi? Fácil com o instrumento certo. Cortar as batatas em lâminas ou palito? Também é fácil.

algumas poucas coisinhas

Algumas poucas coisinhas

Por mais incrível que possa parecer, nunca me foi pedido algo, ou alguma coisa prá facilitar um trabalho, que eu não tivesse em casa.

Algumas coisas hoje já não existem mais. Afinal, foram muitas, mas muitas mudanças mesmo. (mas outro dia falo sobre isto).

Muita coisa desapareceu, muita coisa perdi, muita coisa se quebrou.

As residências mudaram. Ora um apartamento, ora uma casa térrea, ora uma com mais andares.

Mas o apelido, este continua o mesmo.

Alegria de camelô.

Mocinha de novela não lava louça

abr 27, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Televisão

Não sei vocês, mas eu reparei.

Como não sou muito chegada em novelas, nas vezes em que vejo, sou extremamente crítica. E uma coisa tem me intrigado.

Mocinha de novela, não lava louça. Também não varre casa, e nem arruma camas.

Mocinha de novela, no máximo, afaga o filho, ou dá uma bronca, daquelas bem politicamente corretas.

Uma das pouquíssimas mocinhas que eu vi fazendo alguma coisa foi a Isaura, a escrava Isaura, que no caso, tinha que fazer ou fazer, afinal, era uma escrava.

Mesmo aquelas mocinhas pobres, bem pobres mesmo, passam o dia chorando, ou suspirando pelo mocinho rico, ou num computador, porque hoje, todo mundo de novela navega na internet.

Ninguém ajuda o pai ou a mãe.

Aliás, um aparte. Onde os cenógrafos se inspiram prá fazer as casas pobres de novela? Ou do interior do nordeste? Ou do interior do país?

Porque toda casa é pintadinha, tem cortininha combinando, louça completa e bonita pro almoço ou café da manhã,

Na minha casa, se tiverem mais de seis pro almoço ou pro café, pronto. A louça na mesa vira um carro alegórico. Todos os modelos ou cores possíveis. As cortinas já estão ficando meia boca.

Mas em novela, não. Pode ser a casa mais pobre que for, e tá tudo bonitinho.

E voltando às mocinhas.

Nas novelas, elas são sempre lindinhas, corpo bonitinho, cabelos esvoaçantes, dentes perfeitos…E trabalhar que é bom, nada.

Ah, tá, normalmente as heroínas são menores de idade. Certo, então também não podem estar em baladas, festinhas até altas horas na casa do mocinho. Elas não podem trabalhar o dia todo, ok, senão não teria assunto pro dia a dia da novela.

Mas lavar um pratinho? Arrumar sua caminha (com aquela indefectível colcha rosa dos cenários), por que não?

Atenção, atenção. Não estou falando sobre todas as mocinhas, em todos os canais.

Além da Isaura (óóóó, buá buá, buá), lógico que outras houveram que fizeram alguma coisa, assim como já vi casas muito bem retratadas. Mas no geral, sinto muito, mas o mal feito é predominância. Infelizmente.

E esta é uma das razões pelas quais não assisto novela.

Eu não aguento estes deslizes, que parece, estão lá testando meu senso crítico.

Por favor, parem com tanto inglês.

abr 22, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Computador

Adoro internet.

Infelizmente demorei muito a me entender com ela. Eu sempre morri de medo de fazer besteira. Continuo com medo, aliás, mas pelo menos agora, com o meu próprio computador, fica mais fácil. Se eu errar, não tem zebra. Se eu fizer uma caquinha muito grande e der pau, tudo bem. Não estarei detonando o trabalho de ninguém.

E o medo faz coisa, muito mais do que a gente pensa.

Por exemplo.

Meu inglês é o de escola. Meio mequetrefe. Aliás, bem mequetrefe.

Não que meus professores não se esforçassem em nos ensinar direito. Eu, particularmente, tive excelentes professores. Mas nunca gostei muito de inglês. Sempre preferi o francês. (acho o som desta língua muito mais bonito). E além disso, naquela época, (meu tempo, lembram?), cursos de inglês eram muito caros. Eram coisa prá elite, mesmo. E hoje, mesmo com os cursos bem mais acessíveis, os filhos tem preferencia no aprendizado.

E a consequência é desastrosa.

As instruções na internet são, senão todas, a grande maioria em inglês. Sites legais que nos são indicados são, em que lingua?, inglês. E o pior. Muito pior. No twitter, que eu adoro, muita gente fica colocando minimensagens como? EM INGLÊS.

Pessoinhas, parem com isto. Ou pelo menos, diminuam um pouco tanto inglês. Mesmo com um dicionário do lado, não dá. É muita coisa.

Tem gente que eu sigo no twitter, que eu adoro. Mas estou pensando em desistir. É uma frase em português, outra em inglês. Uma em português, duas em inglês. Mas eu estou no Brasil, bem ou mal. Bom ou mau que ele seja.

Por favor, me ajudem.

Ajudem esta semi idosa a entender melhor o que lê.

Ou tenta ler.

Me ajudem a não ficar boiando, e me sentindo vocês sabem o que…

Propagandas e outros que tais com probleminhas básicos

abr 6, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Televisão

Novamente, pessoal, peço desculpas por ser chata.

Mas sabe o que é?

Eu estava vendo televisão, e andei percebendo uma coisa que acontece repetidamente nas propagandas, principalmente. Sejam elas na televisão, ou impressas. Na verdade, isto acontece também em novelas, filmes e outros programas.

Vocês já repararam que muitas, mas muitas vezes mesmo, quando alguém está usando um notebook nas situações que falei acima, ele está sendo usado em cima de uma cama?

Mas peraí. Quando ganhei o meu, é, ganhei, veio junto um manualzinho de instruções.

Eu, ao contrário da maior parte das pessoas, adoro ler um manual. E, naturalmente, li o do meu notebook também. E lá estava escrito: manter as saídas de ar liberadas, para que não ocorra um superaquecimento inteno, o que viria a prejudicar o funcionamento do aparelho. Falam inclusive nas temperaturas máxima e mínima ideais para a perfeita conservação do aparelho.

Pois bem, como então nas cenas que a gente observa costumeiramente, o notebook está bem acomodadinho entre cobertas e/ou lençóis? Normalmente, não dá de ver se o aparelho está ligado ou não, mas seja como for, fica o exemplo, ou por outra, o mau exemplo, ou não é?

Quem vê a propaganda, ou as outras situações,e não leu o manual de instruções, pode achar que, se o pessoal usa assim (na cama) então tudo bem. E muita gente compra um notebook pela facilidade em usá-lo. E usa errado. Bem errado, diga-se de passagem.

Na minha opinião, quando alguém propõe o uso de notebooks na televisão ou em revistas, deveria se preocupar com estes detalhes. Afinal, televisão e revistas são veículos de muita influência. Não custava muito colocar o aparelho sobre uma pataforma, ou fazer alguma observação sobre a ventilação, sei lá.
Mas acho que seria de muita utilidade.

Afinal, notebook não é um aparelho exatamente barato. E se as pessoas ainda não se acostumaram a ler os manuais, por que não dar uma dica rápida?

Ou que pelo menos que não se mostre as coisas de um jeito errado.

Já ajudaria muito.

Começou a gincana novamente

abr 1, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Solidariedade

No colégio dos meus filhos menores, todo ano eles realizam uma gincana.

A gincana é muito legal. Na verdade são duas. Uma para os alunos até a quarta série, e outra para os maiores. Meus filhos já estão nesta segunda. Mas desde pequenos participam.

A gincana dos pequeninhos é muito interessante. São jogos, brincadeiras, mas sem esquecer o aspecto educacional e de fazer o bem. Desde pequenos eles aprendem que, além de se divertir, podem estar ajudando pessoas que não tiveram oportunidades como as que eles tem. E é muito legal ver o empenho das crianças.

E a gincana dos grandes, então? É muito bom participar. Aqui em casa a gente se envolve mesmo. Talvez por serem dois participando, a empolgação seja maior.

Como eu sou meio metida (só meio? perguntariam meus filhos), não vou ao colégio, participo nos bastidores, fazendo bandeiras, enfeites, indo atrás das doações, dando idéias. Se eu for até a escola, acabo mandando em tudo, o que é absolutamente desaconselhável, visto que um dos objetivos é a interação entre os alunos.

Como já falei anteriormente, tal qual na gincana dos pequenos, nesta também, além dos testes de conhecimento, agilidade física, estratégia e outros, há um aspecto muito bonito. Todos os anos, são arrecadados muitos, mas muitos quilos mesmo de alimentos. Até um tempo atrás também havia o recolhimento de roupas. Ano passado não teve, mas em compensação o que os alunos conseguiram de alimentos e cobertores foi uma coisa absurda.

Mas, naturalmente, por se tratar de um colégio particular, sempre há aqueles que deturpam tudo.

Já falei que tenho uma papelariazinha. Pois bem, há uns anos atrás, no dia da carreata que encerrava a gincana, uma das equipes teve seu ponto de reunião exatamente na frente de minha loja. (não era a equipe dos meus filhos). Estava tudo muito bonito, tudo que caía no chão, os garotos recolhiam. Até porque isto fazia parte da prova. Não poderia haver resto de sujeira na via publica.

Pois bem, entra uma madame na loja, faz o pedido do que queria comprar, e começa a soltar o verbo contra a escola. contra os garotos, contra tudo.

Coisas tipo “eu conheço escola particular, as doações vão todas prá eles mesmos, a comida eles ficam prá eles, a sujeira depois pagam alguém prá limpar, e olha o som” (ótimo, diga-se de passagem) e outrasbesteiras do tipo.

Foi quando entrou um dos alunos e me pediu alguma coisa, não lembro o que, e a mulher exigiu, isto mesmo, exigiu que eu mandasse o garoto se retirar. Não deu de aguentar, não. Afinal, mandando o garoto se retirar da minha loja, seria quase como mandar meu filho embora. Afinal, mesmo que em outro ponto da rua, ele também estava participando. Nesta hora, a baiana rodou. A pessoa ouviu o que quis e o que não quis. Falei da grandeza da ajuda. Falei de quantas famílias na cidade seriam beneficiadas. Falei que o que ela dizia era mentira, pois varias vezes eu estava no colégio quando as cestas básicas e as roupas eram distribuidas.

Eu sempre vi agradecimento nos olhos das pessoas que recebem as doações. Tudo é feito de forma organizada. Há um cadastramento das famílias, a distribuição é com muita ordem, sem atropelos.

Eu participo, e minha família também. Meus filhos pedem doações aos avós, aos tios, a amigos.

É por uma excelente causa. Por eles mesmos e pelos outros.

Eles, por se aproximarem mais dos colegas e os outros por poderem receber um pouco de carinho e atenção.

São entusiasta desta gincana. E mesmo quando meus filhos já não estiverem mais estudando no colégio, vou tentar continuar participando.

Participem também, se puderem. Ou pelo menos torçam para que a gincana continue o sucesso que tem sido.

E que a equipe dos meus filhos ganhe de novo. ( só prá variar um pouquinho, eheheheh).

Acompanhando alguém no hospital

mar 30, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Comportamento

Nestes últimos dias, precisei acompanhar uma parente próxima que precisou ficar internada num hospital.

Decididamente depois destes dias, passei a valorizar muito as pessoas que acompanham enfermos em geral.

Foi uma experiência que eu diria, nada agradável. Talvez por causa da minha idade (porque sempre fui escalada nestas situações, pela minha facilidade em ficar alerta, mesmo no período da noite), desta vez a coisa foi braba.

Foi muito ruim, mesmo.

Mas andei questionando a turma da enfermagem (pessoal muito desvalorizado, que não tem o reconhecimento que merece, diga-se de passagem), e até estas pessoas falavam a mesma coisa. Praticamente todos que ficam internados ficam muito chatos.

Quem eu estava acompanhando, também ficou, e muito.

Naturalmente que às vezes a chatice vem da própria debilidade física, que gera também uma debilidade emocional. Mas muitas vezes não é isto. A internação só faz exacerbar o que a pessoa é.

Caramba. É como se não existissem outras pessoas no mundo, e que o problema de cada um seja sempre maior do que o do outro.

Sim, já fiquei internada, e muitas vezes. Muitas mesmo. Mas eu sempre evitei me sentir a mais sofredora das pessoas, até porque acho que o meu problema sempre é menor que o do meu vizinho do quarto ao lado. Mesmo que muitas vezes não seja.

Já estive em UTI, sei o que é. Mas mesmo lá, mesmo estando completamente entregue a tubos, sempre tem alguém pior que a gente.

E se pensarmos que vamos ficar bem, aconteça o que acontecer, já teremos andado meio caminho para a cura. Ou pelo menos para a melhora.

Quem se entrega tem mais chance de ficar pior. Porque o organismo não reage. E nem a cabeça.

Eu não me entrego. Nem sob suspeita de câncer. O que não ocorreu somente uma vez, na minha vida. Mas sigo firme.

Sempre achando que, aconteça o que acontecer, amanhã o dia será bem melhor. E o outro, melhor ainda.

Sempre otimista.

Sempre olhando prá frente.

Sempre olhando pro alto.

E sempre agradecendo a Deus.

Até.

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