” O homem fala, o sábio cala, o tolo discute.”
Provérbio árabe

Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.
” O homem fala, o sábio cala, o tolo discute.”
Provérbio árabe
Já fui feminista. Convicta e juramentada. Companheira de lutas e pensamentos de Betty Friedmann e Rose Marie Muraro, duas das maiores defensoras do movimento feminista de que se tem notícia.
Ambas sempre apresentaram um pensamento coeso, detalhista e extremamente convincente, posto que muito verdadeiro.
Embora nesta época do culto ao feminismo eu tivesse meros 12 ou 14 anos, por aí, os pensamentos e ações delas me atraíam, talvez até porque sempre tive uma tendência para participar e defender as minorias. (em outro post falo mais sobre isto).
E, naquela época, prá quem não sabe, nós mulheres, principalmente no Brasil, estávamos apenas engatinhando nas questões de igualdade entre os sexos.
Porém, e lá vem o primeiro porém, sabe que ser feminista de carteirinha não me levou a lugar nenhum? Ou por outra, me levou sim, à incompreensão, ao preconceito, ao afastamento de amigos e amigas, que passaram a me ignorar, muito solenemente.
Foi muito o tempo em que fiquei sendo meio marginalizada. Até que virei totalmente de banda.
Me tornei machista, mais por conveniência, hoje o sei,do que por convicção. E foi um tempo razoávelmente melhor. Até o lado financeiro lucrou. Afinal, acabou o tempo das despesas divididas, de fazer questão de participar de rachas em bares, restaurantes ou gasolina.
Mas o que se faz sem o coração participar, naturalmente tende ao fracasso; e este período machista também ruiu.
Foi somente aí, que fui perceber que o que me fez perder os eixos nas duas situações anteriores foi o extremo. Ou eu era feminista convicta, ou machista juramentada.
E o ideal é o meio termo. Como tudo, aliás, na vida.
Hoje defendo a igualdade de salários e oportunidades para todos os sexos, mas também não dispenso uma cadeira sendo cordialmente puxada para que eu me sente. Até porque gentileza não tem sexo, não é?
Hoje, considero que servir o prato para o meu marido não é ser machista, é ser gentil com alguém que não se importa de todo dia lavar a louça do almoço, o que antes eu poderia considerar uma atitude absolutamente feminista.
A dose de feminismo ou de machismo é aquela que nos faz bem. Aquela à qual nos adaptamos e que nos ajuda no nosso dia a dia.
Hoje afirmo, não sou feminista nem machista, muito pelo contrário.
E está ótimo assim.
” Quem vê cara não vê que horas são.”
Egberto Gismonti
Uma frase do Jô Soares me chamou a atenção. “As pessoas que se queixam da vida, o que dirão da morte?”
Eu fico impressionada como, todo santo dia, entra alguém na minha lojinha reclamando da vida.
Pessoas com uma família legal, morando numa casa boa, situação amorosa definida, conta no banco recheadinha, e reclamando.
Conheço pessoas que estão em situação beirando o desespero, e nem por isto estão reclamando da vida. Pessoas com os filhos doentes ou doentes elas próprias, sem perspectiva de cura, já tendo que ter vendido os poucos bens que ainda possuíam para pagar tratamentos, sem casa própria prá morar, a esta altura já sem crédito no comércio, e mesmo assim elas permanecem otimistas e pensando no futuro.
Por que para alguns estas adversidades são verdadeiros tônicos e para outros um espirro ou um sapato desejado que não serviu são como uma declaração de morte?
Aí, entra a frase do Jô Soares.
O que estas pessoas prá quem nada parece satisfazer pensam quando passam por uma situação que realmente não tem volta, como a morte? Porque um dia algum ente querido dela vai se mudar da Terra. E o que elas pensam quando se deparam com a possibilidade de sua própria morte? Será que este pessoal não pensa que um dia vai morrer, queira ou não? Ou será que, para uma pessoa que só vê o mundo que acontece ao redor de seu próprio umbiguinho, ela nasceu para a eternidade?
Talvez por isto, esta crise de tédio.
Como, com certeza, estas pessoas serão eternas (é o que elas pensam), dá um cansaço pensar no tudo que terão que fazer pela eternidade afora. Então já ficam reclamando a partir de agora, talvez prá ganhar tempo.
“Experiência não é o que acontece com você, mas o que você fez com o que lhe aconteceu.”
Aldous Huxley
Não sou do esporte. Nunca fui. Nunca gostei. Sou avessa às atividades físicas, ambora concorde plenamente que elas são extremamente necessárias à nossa saúde.
Quando eu estava no colégio, no primeiro e segundo graus, era obrigada a fazer a bendita educação física. Era um tormento. E daí, talvez tenha surgido esta minha aversão ao exercício.
Não havia a mínima preocupação, naquele tempo, em fazer com que gostássemos de nos mexer. Era na marra mesmo.
E o resultado foi este.
Mas, como já falei, concordo plenamente que para a saúde o esporte é importante.
Porém, e sempre há um porém, acho um absurdo total esta turma que em nome do esporte arrisca a própria vida, quando não a vida de outros.
Aí não dá. Saber que os riscos são enormes, que, dependendo do que fizer pode lhe faltar oxigênio, o cansaço ser tão extenuante que poderá ficar pelo caminho, o espaço abaixo ser tão imenso que o risco de não voltar é quase de 100%, socar e socar sob risco de uma consequência absurda no cérebro, isto não.
Esporte é saúde, não morte.
Acho que a partir do momento em que o risco de morte é iminente, não podemos mais usar a palavra esporte. Porque não combina.
Se esporte é saúde não se pode colocar em risco a vida.
E colocar a vida em risco com consciência, é atentar contra ela.
E aí, eu pergunto, aonde fica a saúde?
“Caia sete vezes, levante-se oito.”
provérbio japonês
Acho que ainda não falei, mas não gosto de novelas. Acho profundamente maçante, chato, mesmo. Mas por força de meu trabalho (junto da papelaria funciona uma revistaria), leio a capa de toda revista que chega. Então, acabo sabendo tudo que se passa nas novelas meio por informações de tangente.
Mas gosto muito de televisão. Sou viciada em noticiários. Vejo todos que consigo. Controle remoto na minha mão não tem sossego. Fico de lá prá cá o tempo todo.
E uma coisa que me atrai muito, e sempre foi assim, é as propagandas. E ultimamente, infelizmente, tenho ficado meio triste com o pessoal da criação e/ou marketing.
Sei que um Olivetto não aparece todo ano, mas tenho certeza que a capacidade criativa dos brasileiros vai além do que se está vendo ultimamente. Tô achando as coisas meio pro repetitivas.
Criou-se um padrão prá cada segmento publicitário, ou pelo menos é isto que está parecendo.
Para propaganda de cerveja, bar e mulher bonita. Prá carro, velocidade e mulher bonita. Prá Banco todo mundo subindo na vida, e fazendo caras e bocas de muita inteligência. Telefonia móvel, paisagens e todo mundo falando de outros países ou lugares inacessíveis, sempre. E por aí vai.
Aí, me bate uma saudade daquelas propagandas de antigamente. Em que a gente entendia o recado só de ouvir as musiquinhas que, diga-se de passagem, grudavam que nem chiclete…
Hoje tem propagandas que eu não entendo onde querem chegar. E não me considero tão burra assim. E aí, pergunto prá outras pessoas e elas também não entenderam. Então não sou só eu.
Será que não estaria na hora de tentarmos diminuir um pouco este excesso de tecnoligia e voltar um pouquinho só prá simplicidade?
Vocês lembram da campanha do 1. soutien, dos cobertores parahíba, do guaraná antártica, das balas de leite kids, das duchas corona? Até hoje, a gente lembra das músicas, e não havia nenhuma apelação. Era tudo muito simples, sem grandes maquiagens, sem muita trucagem, e funcionava.
Agora, parece que teremos que, a qualquer dia, prá entender o que o publicitário quis dizer, baixar na internet um manual explicando. Não vai ser fácil.
Mas será que não estamos caminhando prá isto?
Não sei se é mania, ou se haveria uma explicação científica ou psicológica para o que se passa comigo.
Mas o fato é que eu simplesmente não consigo deixar de comer qualquer coisa salgada depois de comer alguma coisa doce.
Agora mesmo. Almocei. Até que razoávelmente bem (hihihi). Uma baita macarronada que,
modéstia à parte, faço muito bem. Depois de mais ou menos duas horas, comi um magnífico quindim, novinho, molhadinho, delicioso. Presente do maridão.
E agora, ai Meu Deus. Meu reino por um salgado.
O grande problema é que não pode ser um salgado qualquer. Tem que ser alguma coisa específica. Mas que eu não sei o que é. E este suplício ocorre sempre. É comer alguma coisa salgada, e quero um doce. Como o doce e quero um salgado. E aí, é sempre a mesma questão: O que eu quero comer?
Por conta disto, as risadas já são esperadas, aqui em casa. Naturalmente, é lógico. Afinal, como eles vão saber o que eu estou querendo comer, se nem eu mesma sei?
O pior é que já estou salivando por alguma coisa que nem sei o que é.
Já sei, já sei. Ontem comprei uma bandejinha de pastel de forno com recheio de brócolis com ricota, que eu adoro. Deve ter sobrado uns cinco, dos dez que vieram. Vou comer unzinho só. Só prá matar a vontade. Os outros eu como quando chegar do trabalho.
Não. Não vai dar. Só um é muito pouco. Dois talvez. Não. Tres. Tres é um número bom. Tres pastéizinhos. É isto.
Tchau. A geladeira me espera.
“Todo homem, por natureza, quer saber.”
Aristóteles