“Enquanto adiamos as coisas, a vida passa.”
Sêneca

Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.
“Enquanto adiamos as coisas, a vida passa.”
Sêneca
Meu genro Daniel tem um blog muito legal. Vai lá, depois de ler este post, é claro, e dá uma olhada.
No post que acabei de ler, ele fala sobre um simulador de vôo. Sobre um aviãozão, e claro, em sobre como seria a sensação de voar. Ou, por outra, do medo de…
Pois bem, a certa altura do texto ele cita a avó, que sempre diz que a gente só se vai deste mundo quando é chegada a nossa hora. E eu completo – nem um minuto a mais, nem um minuto a menos.
E ele comenta que tudo bem, mas faz duas observações. A primeira é que, quando for a hora dele, ele quer estar com os pés bem na terra, e não a muitos pés de altura, caindo desabaladamente. E a segunda, que achei uma grande tirada é que, como diz o título deste post, pode não ser a hora dele, mas, e se for a do piloto?
Esta foi boa.
Passei um tempo razoável da minha vida dentro de aviões. De norte a sul e de leste a oeste deste país. Hoje, até entro num avião. Mas dopada. Completamente. Medo de que o avião desabe lá de cima? Também. Mas, principalmente por uma claustrofobia que passou a me acompanhar de uns anos prá cá. E o pior é que ainda não consegui identificar a partir de quando isto começou.
Quando preciso entrar num elevador desconhecido é um Deus nos acuda. Suo frio. O coração dispara, e vou num rezar frenético. Coitados de todos os santos. Devem ficar de orelhas quentes, fervendo, e tudo por uns míseros segundos, às vezes.
E agora pensa comigo. Uma claustrofobia básica, e dentro de um elevador sem correntes de sustentação, ainda por cima, que é como a gente pode considerar um avião?
Normalmente entupido de gente. A grande maioria com tanto medo quanto eu, tudo de sorriso amarelo, acompanhando cada passo das comissárias de bordo, cochichando baixinho se acham que viram algum movimento estranho, sentindo aquele movimento esquisito do avião, aquela inclinação leve prá direita, acho que tem coisa errada, ai Meu Deus, deve ser agora.
Ok. Ok, vou ficar calma. Com certeza não é a minha hora.
Mas, e se for a do piloto?
“Amizades são coisas frágeis e requerem muito mais cuidados que todas as outras coisas frágeis que existem.”
Randolph S. Bourne
Meu filho tem hoje 14 anos.
Por questões de saúde, ele foi impedido desde novinho de praticar esportes.
No começo, fiquei extremamente preocupada, mas as coisas não acontecem por acaso. Definitivamente. É aquela história. Deus sempre escreve certo. A gente, às vezes, é que não sabe interpretar os avisos que Ele nos manda.
Não tenho um atleta musculoso nem campeão em casa. Mas em compensação, não conheço outro jovem que, com a idade dele, já tenha lido tantos livros. Eu o considero um atleta das letras.
Sei que há outros garotos que gostam de ler. Mas é muito difícil aqueles que, em pleno aniversário ou Natal, peçam um livro de presente. E que leiam e releiam os livros.
Garotos que busquem o conhecimento na leitura. E que o façam com prazer. O que é muito diferente de ler, tão somente. Absorver conhecimento e cultura não é uma coisa exatamente fácil. A gente tem que gostar do que se lê. Mas até hoje, foram pouquíssimas as vezes em que ouvi meu filho reclamar por não ter gostado de algum livro.
E ele lê tudo que lhe cai às mãos.
Já leu desde literatura brasileira e internacional, a livros sobre as religiões no mundo. Já devorou livros de ficção e de psicologia. E revistas com conteúdo cultural. Estas são de perder as contas. Se livros ele já os tem aos montes, imaginem revistas.
E este é um gasto que, sempre que posso, não me importo de fazer. Cultura não tem preço, e o que absorvemos para nós ninguém nos haverá de tirar.
O conhecimento que adquirimos é uma riqueza nossa, que podemos um dia até dividi-la, mas mesmo a dividamos, muitas e muitas vezes que sejam, seu tamanho jamais diminuirá.
E há uma coisa que acho muito interessante.
Ele desenvolveu uma forma de leitura que chamo de leitura fotográfica. Não sei se este termo é correto, mas é o que acho o mais proximo do que acontece. Ele olha para a página, e seus olhos se movem no movimento de uma leitura rapidíssima. É muito interessante. Inclusive muitas e muitas vezes questionei-o sobre o que achei que ele teria lido, mas claro, com uma ponta de dúvida, e confirmei, ele não apenas leu, como quase que instantaneamente, já interpretou o que leu.
Realmente, tantos anos de leitura diária o tornaram um atleta.
Mas um atleta não do físico. Um atleta dos livros.
E eu tenho um orgulho muito, muito grande dele.
Ele é o meu campeão das letras.
“Se a idéia é boa, a lógica deve ser jogada pela janela.”
Alfred Hitchcock
Tenho observado muito, nestes últimos anos, e principalmente depois que assumi um balcão de loja, o quanto as pessoas andam carentes de atenção. E por atenção falo até simplesmente um oi, um bom dia, boa tarde ou boa noite.
Às vezes um sorriso, simplesmente, faz toda a diferença.
Parece que ultimamente, todos estamos com pressa, todos, inclusive as crianças. Elas andam estressadas, sempre correndo. Mas não aquela corrida afoita própria das crianças, que andam sempre como que querendo abraçar o mundo em um segundo. Falo daquela pressa sem um porque, sem uma razão. Simplesmente estão com pressa.
Às vezes, me detenho e vou perguntando, um a um, o por que de tanta corrida. E poucos, muito poucos realmente tem um motivo. Algumas vezes as próprias pessoas se tocam disto. É, não sei… é uma resposta bastante comum.
E é muitas vezes nesta conversa engatada à toa, que o papo rola solto, e passo a conhecer mais as pessoas. E elas a mim. Várias vezes já ouvi : “achei que a sra era braba”, e outras cositas mais, e hoje, estas mesmas pessoas não deixam de dar um oi gostoso quando passam em frente à loja. Muitas vezes nem chegam a entrar, mas elas sabem que podem contar comigo prá bater um papo, se quiserem.
Claro, é logico, que algumas vezes também não estou prá conversa, mas é difícil resistir a uma criança perguntando se está tudo bem. Eu desmonto. E sorrio.
Até porque, depois de um sorriso, parece que os nossos músculos faciais não aceitam mais a cara amarrada. É sorrir uma vez, e pronto. Nosso dia está ganho.
Mais leve, mais fácil. Mais colorido.
Mais feliz.
“Amanhã sempre é o dia mais ocupado da semana.”
ditado espanhol
Aqui em casa, temos muitos relógios. Porque tenho mania de ver as horas. Até quando acordo à noite, olho a hora. Deve haver uma explicação prá isto.
Psicólogos, atenção.
Mas voltando ao assunto. Tenho em casa relógio de cabeceira, de pulso, de parede, no celular, aparelho de som, na televisão. Tudo perfeitamente funcionando.
Porém há um pequeno detalhe em tudo isto. Cada um marca um horário diferente. Horários bem próximos, é verdade, mas desencontrados. A diferença é em média de 10 minutos.
Não existe nesta casa dois relógios iguais.
Só que assim não me atraso. Atraso me deixa maluca. Nem eu gosto de me atrasar prá nada, nem suporto que se atrasem se marcaram comigo alguma coisa. Então, que não marquem hora exata. Digam: Mais ou menos, tal hora.
Mas eu entendo médicos e dentistas (até outras profissões que lidam com pessoas). Afinal, não dá de interromper uma consulta porque tem alguém esperando.
Naturalmente sem exageros. Eles poderiam reservar mais tempo para as consultas, mas mesmo assim, prefiro saber que vou esperar um pouco, sabendo que o médico (ou outros profissionais) está atendendo bem um paciente. Conheço uma médica muito legal que se atrasa horrores, mas vale a pena esperar. Ela jamais olha o relógio e a gente sente que pode falar e pedir as explicações que precisa. Claro, conheço outro (por coincidência, ambos da mesma especialidade) que não se atrasa nunca. E atende sem pressa do mesmo jeitinho da outra. E para um paciente, saber que o médico não está com pressa de manda-lo embora, já ajuda, e muito. Parece que podemos confiar mais nele. Que ele vai nos ouvir.
E como meu relógio não está batendo mesmo, sempre parece que já passou um tempão, quando na verdade o tempo nem foi tão grande assim.
E eu fico no lucro.
Pelo menos com relação ao meu tempo.
“Correr não adianta, é preciso partir a tempo.”
Jean de la Fontaine
Eu gosto de banana. Na verdade, é uma das frutas de que mais gosto. E tanto faz se é banana maçã, nanica, da terra, prata, ou seja qual for. Acho banana uma delícia.
Bolinho frito de banana em dia chuvoso, bolo com banana caramelada, pastel de banana com açúcar e canela, e pão com banana frita e leite condensado.
Antes, uma historinha verdadeira. Quando eu morava na Bahia, bem no interior, fui almoçar na casa de uma colega da empresa onde eu trabalhava. Ela encasquetou que deveria servir uma sobremesa, mas não havia tempo para preparar algo que ela aprovasse. Foi quando perguntei se havia banana e leite condensado em casa. Ela questionou o porque e expliquei que bastaria fritar a banana e com ela quentinha ainda, colocar um pouco de leite condensado geladinho em cima. Falei que era muito gostoso, e que ainda por cima nos daria mais energia para o segundo tempo no trabalho.
Pois bem, sabem o que ela me respondeu? Que aquilo era “sobremesa de pobre”. Quase tive um treco. Sobremesa com qualificação? Sobremesa de pobre e de rico? Desde quando? Fruta, então seria o quê? Afinal, uma fruta é relativamente barata. Mas falei a ela que não sabia o que estava perdendo. O sabor é fantástico, e que ainda seria possível colocar a banana e o leite condensado num pão, o que tornaria a sobremesa mais substanciosa ainda.
E eu pergunto a você: nunca comeu? Não sabe o que está perdendo. Sei, pão é muito calórico. Então tira o pão. Coma somente a banana frita com o leite condensado. Continua muito “pesado”? Frita a banana com uma colher de cafezinho de manteiga, mas a manteiga light, até a banana ficar bem douradinha. O leite condensado também pode ser de baixa caloria, embora eu ache que um pouquinho de caloria não faria mal. Mas tudo bem, leite condensado light, também.
Ah, por que não coloca a banana frita num pão sírio, por exemplo? Só prá fazer o charme e servir de aparador pro leite que pode escorrer da banana, e você, que já está comendo tudo light, não vai querer perder nem uma gotinha de doce, né?
Provem.
Eu comi esta banana ontem. Na verdade, comi várias. Mas nada light. Tudo foi tipo calorias, muitas.
Mas valeu a pena. Acho que agora, matei a vontade por um bom tempo.
Mas se der vontade de novo, não vou ficar com a boca cheia d’água, não. Frito mais banana, e como. Depois vamos tratar de queimar as calorias.
Mas aí já é outra estória.
Aliás, deixa prá lá.