Os dedinhos das passistas

Deixei passar um tempinho, depois do carnaval, prá não dizerem que estou perseguindo alguém.

Quando eu era beeem pequena, gostava de carnaval, daqueles de salão, as famosas matinês. Eu ia normalmente com minha tia, a queridíssima tia Cléa. Ela ia nos bailes da AABB e levava, junto com os três filhos, todos os sobrinhos que conseguia enfiar no carro. Era maravilhoso. Ela nos pagava até lanche. Sandubas e refris. Muitas das vezes, balas, chocolates e tudo que poderia agradar ao nosso paladar da crianças. Foi uma época muito legal.

E os bailes eram outra coisa. Aquelas marchinhas eternizadas na voz de grandes cantores… Músicas que até hoje estão na boca do povo.

Mas eu sempre gostei também de ver os desfiles de escolas de samba pela televisão. Como tenho claustrofobia e outras fobiazinhas mais, prá mim, mais de dois é multidão. Então, ir a um sambódromo, nem pensar. Fico mal só de pensar. Então, desde sempre, o negócio é acompanhar pela televisão.

Vejo os desfiles até aguentar. O que não consigo ver no dia, vejo o compacto depois, no outro dia. Que sempre passam um compacto.

Também fico estática na frente da televisão aguardando a apuração do resultado prá saber quem foi a campeã do ano. Não torço por nenhuma em especial, todo ano mudo. Sou politicamente correta. Acho. Torço pela que eu achar que foi melhor no ano. E torço mesmo. Gritando, aplaudindo votos, sofrendo junto com a comunidade que escolhi.

Mas últimamente, uma coisinha tem me chamado atenção.

Vocês já repararam nas mãozinhas das passistas atuais? Por atuais quero dizer estas que foram descobertas mais recentemente. Estas que vivem esculpindo o corpo em academias e/ou consultórios médicos.

Vocês já prestaram atenção nas mãos delas?

Praticamente todas tem a mesma postura de mãos e dedos.

O mindinho sempre flexionado para cima, como a mostrar uma feminilidade e uma leveza que muitas vezes o corpo cisma em não acompanhar.

As passistas, rainhas de bateria, madrinhas etc, até algum tempo atrás não tinham esta mesma preocupação, e no entanto, sambavam com uma leveza absolutamente natural. Vejam, só por exemplo, a Luiza Brunet e a Luma de Oliveira. Ambas mantem a mesma postura de mãos e se mostram levinhas, levinhas. Mesmo que uma foto ou outra mostre um pouquinho daquela celulite que insiste em não abandoná-las. Quanto às garotas que eu denomino “fabricadas”, não tem jeito. Parece que todas aprenderam a sambar vendo o mesmo vídeo. Todas rebolam do mesmo jeito. Todas olham do mesmo jeito. Todas sorriem do mesmo jeito.

Ver uma, é ver quase todas. Até as pernas abundantes de músculo, porque este ano, por exemplo, foi das musculosas. Porém, quem mais apareceu, foi exatamente quem tinha menos músculo, como a Paola de Oliveira, por exemplo.

Tudo bem, buscar um aprendizado maior, buscar outras fontes de conhecimento, ok.

Mas precisava ser todo mundo no mesmo lugar?

Precisava ser tudo clone?

Precisava?

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