O atleta das letras

Meu filho tem hoje 14 anos.

Por questões de saúde, ele foi impedido desde novinho de praticar esportes.

No começo, fiquei extremamente preocupada, mas as coisas não acontecem por acaso. Definitivamente. É aquela história. Deus sempre escreve certo. A gente, às vezes, é que não sabe interpretar os avisos que Ele nos manda.

Não tenho um atleta musculoso nem campeão em casa. Mas em compensação, não conheço outro jovem que, com a idade dele, já tenha lido tantos livros. Eu o considero um atleta das letras.

Sei que há outros garotos que gostam de ler. Mas é muito difícil aqueles que, em pleno aniversário ou Natal,  peçam um livro de presente. E que leiam e releiam os livros.

Garotos que busquem o conhecimento na leitura. E que o façam com prazer. O que é muito diferente de ler, tão somente. Absorver conhecimento e cultura não é uma coisa exatamente fácil.  A gente tem que gostar do que se lê. Mas até hoje, foram pouquíssimas as vezes em que ouvi meu filho reclamar por não ter gostado de algum livro.

E ele lê tudo que lhe cai às mãos.

Já leu desde literatura brasileira e internacional, a livros sobre as religiões no mundo. Já devorou livros de ficção e de psicologia. E revistas com conteúdo cultural. Estas são de perder as contas. Se livros ele já os tem aos montes, imaginem revistas.

E este é um gasto que, sempre que posso, não me importo de fazer. Cultura não tem preço, e o que absorvemos para nós ninguém nos haverá de tirar.

O conhecimento que adquirimos é uma riqueza nossa, que podemos um dia até dividi-la, mas  mesmo a dividamos, muitas e muitas vezes que sejam, seu tamanho jamais diminuirá.

E há uma coisa que acho muito interessante.

Ele desenvolveu uma forma de leitura que chamo de leitura fotográfica. Não sei se este termo é correto, mas é o que acho o mais proximo do que acontece. Ele olha para a página, e seus olhos se movem no movimento de uma leitura rapidíssima. É muito interessante. Inclusive muitas e muitas vezes questionei-o sobre o que achei que ele teria lido, mas claro, com uma ponta de dúvida, e confirmei, ele não apenas leu, como quase que instantaneamente, já interpretou o que leu.

Realmente, tantos anos de leitura diária o tornaram um atleta.

Mas um atleta não do físico. Um atleta dos livros.

E eu tenho um orgulho muito, muito grande dele.

Ele é o meu campeão das letras.

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