Minha filha inculta e bela

Estava eu me preparando para escrever, quando, ao escolher um cd para me acompanhar neste momento, lembrei-me de um fato ocorrido há alguns dias.

Minha filha mais nova chegou da escola triste, porque as amigas haviam dito que ela não tinha cultura nenhuma, porque gostava do rbd (aquele conjunto mexicano formado por jovens).

Ela chorou e me perguntou o que elas quiseram dizer, porque não se conformava com o dito.

A indignação dela era principalmente pelo fato de que, desde pequena, ela ouve aqui em casa, desde música dita erudita até música popular brasileira.

Que ela gosta mais de um determinado grupo, isto é realidade, não se pode negar, mas daí a dizer que ela não tem cultura, vai um tanto.

Ela conhece Strauss, Beethoven, adora Vivaldi. Conhece obras de Lamartine Babo, Pixinguinha e Noel Rosa. Sabe todas as musicas dos Bee Gees e dos Beatles, passando por Roxette. Conhece Roberto Carlos e outros cantores e compositores da jovem guarda, muitas duplas sertanejas, conhece Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, conhece todas as bandas nacionais novas. E internacionais, desde Elvis Presley, Andrea Boccelli e Pavarotti (só prá citar os mais conhecidos) até Britney Spiers.

E ela é chamada de inculta?

Porque, embora conheça, não goste de um grupinho norte americano, com cara de anos 80, que acha que canta e dança?

Cada um com seu gosto.

Mas não a chamem de inculta por causa disto.

Ela conhece muito, e, aliás, toca muito. Teclado. Que em poucos meses já passou muitos outros estudantes do instrumento prá trás.

Chamá-la de inculta é insultar a cultura. Mesmo que esta cultura tenha somente 12 anos. Mas que conhece muito mais que muito culto de 50 anos.

 

1 pensou em “Minha filha inculta e bela

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *