Desmontando duas vidas

Já falei aqui que minha mãe faleceu em novembro de 2009. Logo após meu pai precisou ir para uma clínica geriátrica, pois seu estado mental piorou sensivelmente, e a conselho dos médicos, psiquiatra e outros profissionais que cuidam dele, cocordamos com a internação, não sem uma dor horrível no peito. Lá ele está bem, considera aquela a sua casa, visto que seu estado regrediu até os 10/12 anos. Está feliz.

Restou para nós, os filhos, na verdade mais especificamente para minha irmã mais nova, que mora perto, a tarefa de desmontar o apartamento, organizar papéis, estas coisas dolorosas.

Sinceramente, não sei como ela tem aguentado rever tudo que significou duas vidas. A vida do meu pai e da minha mãe.

Duas vidas que estão sendo desmontadas.

Cada móvel que foi indo embora, cada pedacinho de papel distribuido, cada foto, era um pedaço da vida deles que ia, porque cada um tem uma história, tem um momento.

um dos quartos do apartamento sendo desmontado

Hoje o apartamento já está quase vazio, e o pintor já está acabando a pintura.

Ele será vendido, pois para meu pai ele não significa mais nada, e só por ele o lar poderia ser mantido.

É muito triste ver esta desmontagem de vidas.

Mas ela é necessária. Infelizmente.

Resta o consolo de saber que lá eles foram felizes.

Foi o que ficou…

4 comentários sobre “Desmontando duas vidas

  1. Tão triste, né?
    Meu pai está lidando com inventário, depois disso vai vender a casa, se desfazer de várias coisas e mudar para mais perto de nós, q moramos na capital e região.
    Mas as coisas de minha mãe, já foram todas embora. Eu fiquei com algumas coisas, e com todas as fotos.
    Meu irmão que cuidava dela, não conseguia nem olhar para as fotos, tamanho sofrimento, disse que ia se desfazer, então eu quis pra mim. Album da formatura dela, porque ela só tinha o primário, até os 40 anos, depois estudou e se formou até o colegial. Ia continuar estudando, quando adoeceu.
    Essas lembranças, não quero me desfazer, foram momentos felizes. Mas sinceramente, em alguns dias, sinto um vazio tão grande. Ontem e hj passei muito mal, muita tristeza, uma falta enorme dela.
    Sempre q ficava doente, ela me animava, me mimava. E agora não tenho mais isso, não posso mais ouvir a voz, é doloroso demais.
    Espero que um dia, a dor diminua, e que fique a saudade, as boas lembranças e recordações.
    Um beijo!

  2. Sei e partilho do que sentes. Já te falei sobre isto no post que fizeste em homenagem à tua mãe. Mas realmente, o mimo na doença e a voz são o que mais me fazem falta. Ouvir a voz cedinho no telefone todo dia, sem falta, é difícil. Às vezes ainda me pego ligando pro nr. dela prá contar algo. Coisa de segundos, mas dói. Mas vai amenizar, acredito mesmo. E vai ficar a lembrança mansa dela. Beijão…

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