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Gente, eu vi. E sobrevivi.

Hoje minha filha chegou falando que na escola, uma professora deu uma lição em alguns alunos que faziam piadinhas e riam por conta da morte do Michael Jackson.

Ela, a professora, com muita razão, falou a eles sobre a importancia dele para a música, sobre o que ele produziu, enfim, a revolução que ele causou. Falou, inclusive, sobre as questões da justiça.

Daí que me toquei prá uma coisa. Quantas coisas aconteceram no mundo e eu acompanhei? Comecei a me lembrar e foi muita, mas muita coisa mesmo. Algumas de maior, outras de menor importância. Mas cheguei à brilhante conclusão de que a minha geração foi de fato muito privilegiada.

Quer exemplos? Bom, eu acompanhei Elvis Presley no auge, vi surgir Michael Jackson, Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos e muitos outros, na musica. Aliás, na musica como um todo, houve a revolução dos discos. Aqueles bolachões que a gente ouvia de um lado, levantava prá trocar o lado quase não existem mais. Aliás, o que veio atrás deles, os cd’s, me parecem que também já estão com os dias contados, não é?

Acompanhei o primeiro transplante de coração no mundo, feito pelo dr. Barnard. E no Brasil, feito pelo dr. Zerbini. Vi a primeira criança a nascer pelo método de fertilização artificial, o então chamado bebê de proveta, Louise, vi os avanços em outros transplantes, assim como vi o surgimento de doenças terríveis, como a Aids, e o aumento do número de pessoas com câncer.

Vi o surgimento da consciênca ecológica (embora com alguns exageros por parte de alguns), mas também vi aumentar a fome no mundo.

Vi o homem chegar à lua. E, sinceramente, não acredito nas teorias que dizem que o homem na lua teria sido uma montagem dos americanos.

Vi a tecnologia possibilitar que os telefones fossem diminuindo de tamanho e surgirem os celulares. E as máquinas fotográficas, então? Antes um trombolho, pareciam pedaços de paralelepípedo. Hoje pesam tanto quanto um controle remoto de televisão; esta aliás, que eu cheguei a assistir em preto e branco, e as transmissões não eram ao vivo. Eram em vídeo tape. Gravadas.

E vi, também, o surgimento disto que me permite estar aqui agora falando com vocês. O surgimento dos computadores pessoais e da internet, que possibilitaram as comunicações no mundo.

Quase que eu esqueço. Eu também vi a virada do  ano 1999 para o 2000.

Caramba, eu vi muita coisa, mesmo.

E sobrevivi.

Ladrão de peixes. (eu queria ter escrito isto)

Eu li este texto há meses no DC (Diário Catarinense) e achei tão legal, que guardei prá dividir um dia com voces.

O autor seria Laércio de Mello Duarte, baseado numa história imputada a Rui Barbosa sobre um ladrão de patos. Vamos lá,  à versão manézinha.

“No final do arrastão, quando milhares de tainhas pulavam nas areias da praia, um rapaz surrupiava algumas e já se esgueirava entre a multidão que ali estava, assistindo à bela cena do triunfo dos manezinhos pescadores, quando foi interpelado por um deles, que, largando o balaio na areia, correu e disse-lhe:

Ó, lhó, lhó, rapagi, tás tolo, istepô, intiquento, miserento, disgraçado! Tás querendo uma camaçada de pau, sô amarelo? Num tô ti parando pelo valori das tainha, cadiquê tem peixe a migueli, magi pramode di ti dizê prá ti, caqui na Ilha num tem genti da tua parecença. Si tás brocado e maleixo, tudo bem, é só pedi qui nós dãmu: magi si é a farsafé, e di malinagi prá engabelar e morcegar nós, qui tamo aqui di sóli a sóli, no maió saragaço, ti acarqueto os zóio, ti enfenco a mão nas venta e ainda chamo os meganha prá ti alevá!

O rapaz, ainda meio atordoado, pergunta baixinho:

– Meu caro pescador, afinal, eu levo ou não levo os peixinhos?”

Quem necessitar de tradução, é só falar…

Semidosa, finalmente.

Já faz um tempo razoável que eu pretendia me comunicar mais diretamente com algumas pessoas. Aquelas com as quais estou me identificando muito, ultimamente. Afinal, passei dos 50, e não foi bem ontem, foi há 3 anos.

Então, é mais ou menos deste tempo o desejo de escrever prá nós.

Prá nós, que vivemos todas as maravilhas dos anos dourados. Que ouvimos Beatles e Bee Gees, Elvis Presley e Roberto Carlos. Dentre outros.

Prá nós que usamos calça calhambeque, ou similar. Tomamos cuba libre (escondidas, porque isto não era prá meninas de família). Fomos às matinês ver John Wayne. Adorávamos o Tarzan, e aquela sua tanga absolutamente indecente (prá época,claro).

Prá nós, que como ninguém, sabemos até hoje fazer um olho “gatinho”, com aquele risquinho dando uma voltinha. Prá nós, as precursoras do delineador e do rímel que borravam só de a gente rir. Prá nós que  (atire a primeira pedra quem nunca usou), nos perfumamos com o toque de amor ou charisma, da avon. Ou usou o esmalte mestiça, da Risqué.

Prá nós que usamos aqueles soutiens mais armados e bicudos que o da Madonna. Que usamos aquele absorvente que até hoje denomina qualquer absorvente, o Modess.

Poderia nominar e descrever muitas das coisas pelas quais passamos. E tudo foi muito bom, mesmo o que não tenha sido, necessariamente.

Mas principalmente, este blog vai tentar nos ajudar a  realizar o que  sonhamos, continuar a ser o que somos e entender o que ainda poderemos ser.

Muito bem vindas. (claro, os semidosos também).

Aguardo vocês.

Beijão.