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Agora, eu também sou órfã

É muito triste, e também muito estranho.

De repente, sem preparação, fiquei orfã.

Minha mãe faleceu.

Repentinamente, repito, embora ela estivesse se sentindo meio mal, ultimamente.

Mas como ela sempre foi extremamente lutadora, ninguém acreditava que, tendo sido internada num hospital para exames, ela não saísse de lá viva.

Mas aconteceu. Não me perguntem como, porque até agora não entendi direito.

Quem quiser conhecer minha mãe, veja o post anterior a este, em que fiz uma pequena homenagem a ela. Agradeço a Deus a inspiração de tê-la feito, e de minha mãe a ter visto. E gostado. Que bom.

E algumas certezas ficaram.

O exemplo dela e a ventura por ter compartilhado nossas vidas.

Agradecerei a Deus até o fim da minha existência por ter me dado esta oportunidade.

Como toda mãe, com certeza, a minha foi única.

E foi mais que especial, porque foi (e continuará sendo) a minha mãe.

MÃE: TE AMO E TE AMAREI ETERNAMENTE.

Esperança (parte 2)

Me desculpem a demora em falar sobre o resultado dos exames complementares a que me referi no post do dia 05/03/2009.

Mas a emoção ainda é muito grande. Basta eu começar a lembrar de tudo, e choro. Ainda choro mesmo. Neste momento, por exemplo, já comecei a tremer. Mas vamos lá.

Os exames complementares de meu filho foram feitos. Analisados, confirmaram o que se desejava. O coração de meu filho parou de piorar. Não quer dizer que ele esteja melhorando, ou que agora o mano poderá começar a fazer exercícios. Isto não. E como disse o cardiologista, provavelmente isto não deverá acontecer.

Porém, o fato de não continuar a piorar já é muita, mas muita coisa mesmo.

Os remédios foram suspensos aos sábados e domingos, e até agora tem dado certo.

Prá nós, é como se nosso filho nascesse novamente. Com 15 anos, ele está renascendo.

Hoje, olho prá ele e vejo a real possibilidade da vida. Do renascimento.

E continuo vendo, além de tudo, a maior, a grande possibilidade da fé.

Eu acreditei, acreditei mesmo, e este foi o prêmio que recebi.

Meu filho conosco mais tempo.

Era tudo que eu queria.

E agradeço a Deus e a todos que nos deram força neste tempo todo. Que entenderam nossos momentos de silêncio, de resguardo. Que entenderam as lágrimas por trás dos sorrisos.

E que entenderam a nossa fé. E que, junto da gente, acreditaram também.

Obrigada.

Indecisões de pai e mãe

Quem falou que pai e mãe sempre sabem tudo, não imaginava o que possíveis decisões fazem com a cabeça e o coração de quem tem que toma-las.

Hoje, por exemplo, temos que dar a resposta se a filha menor vai ou não participar do casting de uma agência de modelos. Foram dias e dias colocando as coisas na balança. Prós e contras, contras e prós.

Parece bobeira, mas é uma decisão que pode mudar muita coisa. Permito que ela vá? Não? Sim? Não?

Isto esta parecendo britadeira na minha cabeça. Sim, não, sim, não. Eu poderia ficar o dia todo aqui, iria encher o saco de todo mundo, e, mesmo assim, talvez não conseguisse responder. Vou continuar a pensar e ponderar.

Sim, não, sim, não…

Quem falou mesmo que pai e mãe sempre sabem decidir tudo?

Minha casa alegria de camelô

Meio estranho o título,não é?

Mas é isso mesmo. Alegria de camelô.

Foi assim que minha casa foi chamada certa vez por um colega de trabalho. Aliás, um ex colega de ex trabalho. (é uma delícia falar isto).

Explico.

Meu marido adora novidades. Ele é um gênio prá achar coisas novas. Tem um faro incrível. Ele descobre utensílios prá pescaria, prá cozinha, pro computador, prás crianças, enfim, ele descobre as coisas.

Prá terem uma idéia, quando surgiram os absorventes embalados um a um, foi ele quem viu.E não apenas viu. Também comprou prá mim.

Com este exemplo, dá de saber porque o apelido da minha casa, né?

Quando o pessoal se reunia em casa, era o máximo.

Se alguém queria pegar azeitonas de um vidro grande, era só achar o utensílio que o ajudaria. Raspar coco prá sobremesa? Tem um raspador super prático. Tirar o miolo do abacaxi? Fácil com o instrumento certo. Cortar as batatas em lâminas ou palito? Também é fácil.

algumas poucas coisinhas
Algumas poucas coisinhas

Por mais incrível que possa parecer, nunca me foi pedido algo, ou alguma coisa prá facilitar um trabalho, que eu não tivesse em casa.

Algumas coisas hoje já não existem mais. Afinal, foram muitas, mas muitas mudanças mesmo. (mas outro dia falo sobre isto).

Muita coisa desapareceu, muita coisa perdi, muita coisa se quebrou.

As residências mudaram. Ora um apartamento, ora uma casa térrea, ora uma com mais andares.

Mas o apelido, este continua o mesmo.

Alegria de camelô.

Esperança

Não poderia deixar de partilhar com todos a felicidade que estamos sentindo hoje.

Acho que Deus confia muito em mim, pois me mandou três filhos com algum tipo de problema mais sério de saúde.

Temos problemas para todos os gostos, e de todas as ordens e intensidades.

Mas alguns chamam mais a atenção, mesmo que não sejam, necessariamente, mais difíceis de resolver do que outros. Alguns são insolúveis, pelo menos por ora, pelo que se conhece até hoje na medicina.

Mas eu sempre fui extremamente positiva. Sempre fui muito esperançosa. Mas, principalmente, sempre tive muita fé. E é o que sempre falo a todos. Nada como uma fé cega, inconteste.

Ontem fez um mês, exatamente, que um exame oftalmológico no meu filho (ele deve fazer este exame a cada cinco ou seis meses), constatou que, depois de 13 anos de perda constante na visão, ela deu uma boa estacionada. Pela primeira vez, o grau das lentes não aumentou. Dá de imaginar a nossa alegria, não dá?

Pois então, ontem, um mês depois daquele diagnóstico, fomos ver como andava a parte cardiológica.

E nova surpresa, absolutamente inesperada e muito feliz.

Novamente, depois de 6 anos de medicação diária para manter o coração regular, a dosagem do remédio não aumentou. Pelo contrário. Se os resultados dos exames complementares confirmarem, vamos tentar começar a diminuir a dosagem do medicamento.

Vitória. Da esperança. Da fé.

Porque, segundo me falou o cardiologista, isto não era esperado. Mas aconteceu.

Na hora que o cardio começou a falar, comecei a tremer, e deve ter sido bem visível, porque ele sorriu. E era um sorriso feliz. Era um sorriso me dizendo da vitória. Que inesperada, mas não impossível.

Prá quem acredita. Prá quem tem fé.

Como eu. Como a nossa família.

O atleta das letras

Meu filho tem hoje 14 anos.

Por questões de saúde, ele foi impedido desde novinho de praticar esportes.

No começo, fiquei extremamente preocupada, mas as coisas não acontecem por acaso. Definitivamente. É aquela história. Deus sempre escreve certo. A gente, às vezes, é que não sabe interpretar os avisos que Ele nos manda.

Não tenho um atleta musculoso nem campeão em casa. Mas em compensação, não conheço outro jovem que, com a idade dele, já tenha lido tantos livros. Eu o considero um atleta das letras.

Sei que há outros garotos que gostam de ler. Mas é muito difícil aqueles que, em pleno aniversário ou Natal,  peçam um livro de presente. E que leiam e releiam os livros.

Garotos que busquem o conhecimento na leitura. E que o façam com prazer. O que é muito diferente de ler, tão somente. Absorver conhecimento e cultura não é uma coisa exatamente fácil.  A gente tem que gostar do que se lê. Mas até hoje, foram pouquíssimas as vezes em que ouvi meu filho reclamar por não ter gostado de algum livro.

E ele lê tudo que lhe cai às mãos.

Já leu desde literatura brasileira e internacional, a livros sobre as religiões no mundo. Já devorou livros de ficção e de psicologia. E revistas com conteúdo cultural. Estas são de perder as contas. Se livros ele já os tem aos montes, imaginem revistas.

E este é um gasto que, sempre que posso, não me importo de fazer. Cultura não tem preço, e o que absorvemos para nós ninguém nos haverá de tirar.

O conhecimento que adquirimos é uma riqueza nossa, que podemos um dia até dividi-la, mas  mesmo a dividamos, muitas e muitas vezes que sejam, seu tamanho jamais diminuirá.

E há uma coisa que acho muito interessante.

Ele desenvolveu uma forma de leitura que chamo de leitura fotográfica. Não sei se este termo é correto, mas é o que acho o mais proximo do que acontece. Ele olha para a página, e seus olhos se movem no movimento de uma leitura rapidíssima. É muito interessante. Inclusive muitas e muitas vezes questionei-o sobre o que achei que ele teria lido, mas claro, com uma ponta de dúvida, e confirmei, ele não apenas leu, como quase que instantaneamente, já interpretou o que leu.

Realmente, tantos anos de leitura diária o tornaram um atleta.

Mas um atleta não do físico. Um atleta dos livros.

E eu tenho um orgulho muito, muito grande dele.

Ele é o meu campeão das letras.

Minha filha inculta e bela

Estava eu me preparando para escrever, quando, ao escolher um cd para me acompanhar neste momento, lembrei-me de um fato ocorrido há alguns dias.

Minha filha mais nova chegou da escola triste, porque as amigas haviam dito que ela não tinha cultura nenhuma, porque gostava do rbd (aquele conjunto mexicano formado por jovens).

Ela chorou e me perguntou o que elas quiseram dizer, porque não se conformava com o dito.

A indignação dela era principalmente pelo fato de que, desde pequena, ela ouve aqui em casa, desde música dita erudita até música popular brasileira.

Que ela gosta mais de um determinado grupo, isto é realidade, não se pode negar, mas daí a dizer que ela não tem cultura, vai um tanto.

Ela conhece Strauss, Beethoven, adora Vivaldi. Conhece obras de Lamartine Babo, Pixinguinha e Noel Rosa. Sabe todas as musicas dos Bee Gees e dos Beatles, passando por Roxette. Conhece Roberto Carlos e outros cantores e compositores da jovem guarda, muitas duplas sertanejas, conhece Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, conhece todas as bandas nacionais novas. E internacionais, desde Elvis Presley, Andrea Boccelli e Pavarotti (só prá citar os mais conhecidos) até Britney Spiers.

E ela é chamada de inculta?

Porque, embora conheça, não goste de um grupinho norte americano, com cara de anos 80, que acha que canta e dança?

Cada um com seu gosto.

Mas não a chamem de inculta por causa disto.

Ela conhece muito, e, aliás, toca muito. Teclado. Que em poucos meses já passou muitos outros estudantes do instrumento prá trás.

Chamá-la de inculta é insultar a cultura. Mesmo que esta cultura tenha somente 12 anos. Mas que conhece muito mais que muito culto de 50 anos.

 

Parabéns Kini

Hoje é 4 de outubro.

Dia dos animais. Dia de celebrar esta parceria que, se bem administrada, leva a um bom pedaço da vida com muito carinho e atenção, de lado a lado.

Temos aqui em casa um cachorrinho. O kini.  Ele entrou am nossas vidas há 9 meses, exatamente. Minha filha o ganhou em 4 de janeiro.

Ele veio substituir duas outras cachorrinhas que tinhamos quando morávamos numa casa. Mas não tinha como trazê-las para um apartamento. Uma porque era extremamente arteira, a niki, uma salsichinha preta fuçadeira que só ela. A oura, a lili, um autêntica vira latas, dócil ao extremo com crianças, porém de uma ferocidade à toda prova quando alguém se aproximava com intenções que ela não gostava. Mas mudamos para um apartamento, e não seria justo trancafiá-las num espaço pequeno, sem o quintal e a liberdade a que estavam acostumadas. Elas foram doadas e, de longe, acompanhamos suas vidas. Elas estão muito bem. Gostam de seus novos donos, e eles gostam delas.

E o kini veio para continuar a nos dar este carinho a que estávamos acostumados.

Com a promessa de que não cresceria muito, seria um cachorro pequeno, próprio para um apartamento, lá veio ele.

Mas ele foi crescendo, crescendo, e incorporando muitos dos nossos hábitos aos dele próprio. Ele adora comer, e pelo que pudemos pesquisar, a raça dele é assim mesmo, meio come e dorme. Se sobrar tempo,  vai uma brincadeira, mas sem muito esforço, por favor, que brincar também cansa.

Mas também é um docinho. Ele fica escutando o barulho do elevador. Se o som é no nosso andar, ele fica alerta. Se um de nós abre a porta, é rabinho abanando frenéticamente. Porém, se for qualquer outra pessoa, é um rosnar sem tamanho. Até que se diga a ele que cale.

Ele já criou suas próprias formas de se comunicar. Há um tipo de latido para tudo que quer.
Comida, água, caquinha ou carinho. Já dá de identificar. Assim como quando ele chega com a bolinha de silicone na boca. É hora de brincar. E experimente não ir. Ele nos olha com aquele olhar pidão, e é como se falasse: como é, eu te dou carinho, retribua, brinque comigo um pouquinho. Não há quem resista. E ele ganha a brincadeira. E, a bem da verdade, nós também ganhamos uma dose de anti stress muito boa.

Hoje, no dia dele, agradeçamos a Deus por mais este item de sua criação. Os animais podem ser nossos companheiros. E quando falo animais, falo de qualquer um, ou quase qualquer um, porque eu, decididamente, jamais teria uma cobra ou um rato como animal de estimação. Mas há quem os tenha. Vai entender.

Tenho certeza que o kini vai ser nosso companheiro por muitos anos ainda, e como ele não é barulhento, mesmo que tenhamos que nos mudar, ele vai pode ir junto.

A grande encrenca será quando minha filha sair de casa. Porque aí, teremos um enorme problema. Quem ficará com kini?

Mas este capítulo da nossa vida espero que demore a chegar.

No momento, e por muito tempo ainda, o importante é desfrutar da companhia dele. Nosso mascote fofinho. Lindinho. E muito querido.

Parabéns kini.