Família

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Meu filho acaba de sair com o pai prá ir comprar o seu primeiro barbeador. Elétrico.

Deu um nó na garganta, uma emoção sem nome, um que de: já?

Mas ele ainda é um menino, tão novinho. Quase uma criança…

Não, ele não é mais uma criança. Ele já fez 16 anos. Já é um homem. Não completamente formado em toda sua plenitude. Mas já um homem. Já tem barba e bigode, que estão precisando ser aparados, e não por um barbeiro, ou pelo pai. Precisam ser aparados por ele mesmo. Quando sentir necessidade. Quando quiser.

Acho que o sentimento é o mesmo de quando, missão paterna, o pai saiu prá comprar o primeiro absorvente prás meninas.Tantos anos de diferença entre elas, mas a emoção teve o mesmíssimo tamanho.

Aquele primeiro pacotinho, recebido com um sorriso meio encabulado por elas, enquanto nosso coração de pai e mãe batia descompassado.

Ela já não é mais uma menina. Ela agora é uma mulher.

Assim foi nosso debut como pais de um homem especial e duas mulheres  maravilhosas.

Nossas eternas crianças.

Nossos filhos.

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A tarde feminina

Já faz um certo tempo que minhas filhas e eu saimos uma tarde só nós tres. Os ‘meninos’ ficam em casa, ou vão prá outro programa, e nós tres começamos nossa tarde. Nossa tarde feminina.

E o que é, ou tem, uma tarde feminina? Tudo aquilo que a gente gosta de fazer. Nós, invariavelmente, começamos pelo salão de beleza. Com tudo a que temos direito, e o $$$ do momento permite. Após o salão, uma passadinha na loja de cosméticos, que um batonzinho e um vidrinho novo de esmalte nunca são demais (eu só gosto de esmalte e batom baratinhos, não sei porque). Depois um lanche leve, porque a estas alturas a fome já bateu faz tempo. Daí então, se der tempo e houver $$$, uma passadinha básica naquela lojinha tipo R$ 1,99, que nunca tem por este preço aquilo que gostamos.

Basicamente, a tarde se passa assim. Mas a gente fala besteira, ri, resmunga do  cansaço, do pé doendo, do frio, do calor, mas sempre rindo. Anda de mãos dadas pela rua, com os braços balançando como em filmes. E passando e deixando aquele indisfarçável cheiro de salão que sempre fica nos cabelos.

Esta é uma tarde feminina.

Mas acima de tudo, mais que feminina, uma tarde maravilhosa de mãe e filhas.

Me vejo velhinha, bem gagá, andando arrastado, mas saindo prá estes passeios com as minhs meninas.

Oxalá eu chegue lá.

Amém.

bonequinhas tiradas da internet. créditos a outrem.

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Já falei aqui que minha mãe faleceu em novembro de 2009. Logo após meu pai precisou ir para uma clínica geriátrica, pois seu estado mental piorou sensivelmente, e a conselho dos médicos, psiquiatra e outros profissionais que cuidam dele, cocordamos com a internação, não sem uma dor horrível no peito. Lá ele está bem, considera aquela a sua casa, visto que seu estado regrediu até os 10/12 anos. Está feliz.

Restou para nós, os filhos, na verdade mais especificamente para minha irmã mais nova, que mora perto, a tarefa de desmontar o apartamento, organizar papéis, estas coisas dolorosas.

Sinceramente, não sei como ela tem aguentado rever tudo que significou duas vidas. A vida do meu pai e da minha mãe.

Duas vidas que estão sendo desmontadas.

Cada móvel que foi indo embora, cada pedacinho de papel distribuido, cada foto, era um pedaço da vida deles que ia, porque cada um tem uma história, tem um momento.

um dos quartos do apartamento sendo desmontado

Hoje o apartamento já está quase vazio, e o pintor já está acabando a pintura.

Ele será vendido, pois para meu pai ele não significa mais nada, e só por ele o lar poderia ser mantido.

É muito triste ver esta desmontagem de vidas.

Mas ela é necessária. Infelizmente.

Resta o consolo de saber que lá eles foram felizes.

Foi o que ficou…

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Consegui. Venci. Depois de semanas na labuta, tentando colocar/achar lugar prá guardar o que veio da papelaria que fechamos (por absoluta falta de tempo prá cuidar), consegui. Estantes nos dois lados do corredor que dá pros quartos e mudança na posição de alguns móveis da sala e dos quartos, consegui. Finalmente.

Na verdade, meio finalmente. Pois que ainda falta colocar os enfeitezinhos nos locais próprios, na sala. E por que falo enfeitezinhos? Porque quase todos são bem pequenos. Presentes dos filhos, em sua grande maioria. Outros, poucos, comprados em alguma viagem.

Porém, e sempre há um porém, talvez esta seja a mais difícil das tarefas. Senão vejamos.

Como conciliar num mesmo ambiente um dragão chinês verde e vermelho, uma dupla de cangaceiros, duas garrafinhas de areia colorida do Ceará, um golfinho numa concha azul, um burrico de argila cheio de cestinhos, um cavalinho azul, tres vasos azul e branco, um vaso coloridíssimo, uma árvore de bolinhas douradas, um vaso fininho cor de chumbo, um ovo/vela de vidro beeeem colorido, duas matrioskas (uma em azul e outra em vermelho), um porta-retrato de madeira feito pelo meu avô, crucifixo, bíblia, um enfeite de flores que fiz pras bodas de ouro dos meus pais, dentre outras pequenas coisinhas?

É tudo tem um valor imenso prá mim. Simplesmente, tenho que expor tudo. Tudo me lembra algo. E me é extremamente gratificante olhar prá cada coisa e lembrar da sua história.

Só mais um detalhe, na sala ainda tem um conjunto de poltronas e sofá comidos pelo cachorro, duas mesinhas de canto (que antes eram baus do quarto das crianças), uma mesa de centro, a tv (naturalmente), um home theater (herdado dos meus pais), um XBox com todos os acessórios a que tem direito (duas guitarras e bateria), dois aparelhos de fax, e, prá fechar com chave de ouro, um escritório completo do marido (móveis, papéis, aparelhos etc).

Mas eu vou conseguir. Sou brasileira, e, dizem, brasileiros não desistem nunca. Então…

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A visita

Se ninguém ler este post, não ficarei triste. O que eu queria mesmo era deixar registrado, e bem, minha epopéia matutina de hoje.

Sabe aquele dia em que você acorda, troca o pijama por uma roupinha xinfrim, escova os dentes antes do café da manhã, mas esquece de escovar depois, malemale penteia os cabelos (que estão meio lambidos porque você não quis lavá-los à noite?), resolve que não vai arrumar a casa porque está podre de cansada (4 pessoas tossindo a noite toda e você acordando assustada), começa a fazer um arroz prá misturar com a carne moída que sobrou de ontem mais uma lata de ervilha com milho e ovos, e ainda tem que estender 10 quilos de roupa que estão na lavadora?

Sabe aquele dia? Pois é. Foi HOJE.

E exatamente neste dia, plenas 10h da madrugada, toca o interfone, você atende, e aquela sua amiga que você não vê há 22 (vinte e dois) anos fala: “oi, Beth, é fulana, estou aqui na portaria do teu prédio, vim te visitar…”

Surtei, surtei legal. Acordei marido que passou a noite mal e estava aproveitando prá descansar um pouco, tentei trocar a roupa (não deu tempo), não tinha como lavar o cabelo, recolhi toalhas feias dos banheiros, não tinha como passar o bendito aspirador de pó…e o arroz no fogo.

Meu Deus, que situação…

Amo minha amiga e o marido dela. Foram inclusive meus padrinhos de casamento.

Mas o susto foi grande. Tão grande que nem os convidei prá almoçar com a gente. Embora ache que eles não aceitariam, porque a casa dela, quando está bagunçada, é igual à minha quando a faxineira acabou de sair.

Conversamos quase 3 horas. Muito papo gostoso. Mas eu me sentindo desconfortável. Logo hoje? Logo hoje?

Porque, eu esqueci de falar, como estamos vendendo a papelaria, muita coisa pessoal veio de lá prá cá. Mas no apto não tem lugar prá guardar (ainda), então estamos com caixas pela casa toda. Até isto, até isto.

Ainda estou meio trêmula. Vai passar, sei que vai.

Mas por uns dias, cada vez que o interfone tocar, sei que vou dar um pulo.

Ô susto…

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Tenho passado por uma situação no mínimo estranha.

Meu marido querido tem reclamado que está engordando muito. Que tem comido além da conta. Que cozinho bem demais.

Daí me pergunto: cozinhando bem…estou fazendo mal prá minha família?

Claro que há dias em que tudo que eu queria era não aparecer na cozinha. E em alguns destes dias, a bem da verdade, devo confessar, simplesmente não faço almoço, por exemplo. Ou meu povo come sanduíches, ou se viram com o que tiver.

Mas na grande maioria dos dias cozinhar me é prazeroso. Muito. Adoro cozinhar. E não tem valor as expressões que minha família faz quando a comidinha está gostosa.

Daí que estou num dilema. Continuar a cozinhar “com tudo”, ou me esmerar menos pro pessoal não comer tanto?

Oh, dúvida cruel.

Editei o post em 23/07/2010 prá colocar esta foto do almoço de hoje…

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É muito triste, e também muito estranho.

De repente, sem preparação, fiquei orfã.

Minha mãe faleceu.

Repentinamente, repito, embora ela estivesse se sentindo meio mal, ultimamente.

Mas como ela sempre foi extremamente lutadora, ninguém acreditava que, tendo sido internada num hospital para exames, ela não saísse de lá viva.

Mas aconteceu. Não me perguntem como, porque até agora não entendi direito.

Quem quiser conhecer minha mãe, veja o post anterior a este, em que fiz uma pequena homenagem a ela. Agradeço a Deus a inspiração de tê-la feito, e de minha mãe a ter visto. E gostado. Que bom.

E algumas certezas ficaram.

O exemplo dela e a ventura por ter compartilhado nossas vidas.

Agradecerei a Deus até o fim da minha existência por ter me dado esta oportunidade.

Como toda mãe, com certeza, a minha foi única.

E foi mais que especial, porque foi (e continuará sendo) a minha mãe.

MÃE: TE AMO E TE AMAREI ETERNAMENTE.

Especial

jg p blog

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Me desculpem a demora em falar sobre o resultado dos exames complementares a que me referi no post do dia 05/03/2009.

Mas a emoção ainda é muito grande. Basta eu começar a lembrar de tudo, e choro. Ainda choro mesmo. Neste momento, por exemplo, já comecei a tremer. Mas vamos lá.

Os exames complementares de meu filho foram feitos. Analisados, confirmaram o que se desejava. O coração de meu filho parou de piorar. Não quer dizer que ele esteja melhorando, ou que agora o mano poderá começar a fazer exercícios. Isto não. E como disse o cardiologista, provavelmente isto não deverá acontecer.

Porém, o fato de não continuar a piorar já é muita, mas muita coisa mesmo.

Os remédios foram suspensos aos sábados e domingos, e até agora tem dado certo.

Prá nós, é como se nosso filho nascesse novamente. Com 15 anos, ele está renascendo.

Hoje, olho prá ele e vejo a real possibilidade da vida. Do renascimento.

E continuo vendo, além de tudo, a maior, a grande possibilidade da fé.

Eu acreditei, acreditei mesmo, e este foi o prêmio que recebi.

Meu filho conosco mais tempo.

Era tudo que eu queria.

E agradeço a Deus e a todos que nos deram força neste tempo todo. Que entenderam nossos momentos de silêncio, de resguardo. Que entenderam as lágrimas por trás dos sorrisos.

E que entenderam a nossa fé. E que, junto da gente, acreditaram também.

Obrigada.

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Quem falou que pai e mãe sempre sabem tudo, não imaginava o que possíveis decisões fazem com a cabeça e o coração de quem tem que toma-las.

Hoje, por exemplo, temos que dar a resposta se a filha menor vai ou não participar do casting de uma agência de modelos. Foram dias e dias colocando as coisas na balança. Prós e contras, contras e prós.

Parece bobeira, mas é uma decisão que pode mudar muita coisa. Permito que ela vá? Não? Sim? Não?

Isto esta parecendo britadeira na minha cabeça. Sim, não, sim, não. Eu poderia ficar o dia todo aqui, iria encher o saco de todo mundo, e, mesmo assim, talvez não conseguisse responder. Vou continuar a pensar e ponderar.

Sim, não, sim, não…

Quem falou mesmo que pai e mãe sempre sabem decidir tudo?

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