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Porque está um lindo dia de sol.

Eu estou feliz.

Porque está um lindo dia de sol.

E porque minha comida ficou gostosa, e minha família comeu com prazer.

Eu estou feliz.

Porque está um lindo dia de sol.

E todas as roupas que eu lavei e estendi já secaram.

Eu estou feliz

Porque está um lindo dia de sol.

E posso descansar da semana de trabalho.

E porque é domingo.

E domingo é dia de estar com as pessoas que eu amo.

E porque está um lindo dia de sol.

Eu estou feliz.

Démodé. A brega chique.

Já falei. Digo e repito. Sou brega. Breguíssima. Pelo menos para os padrões atuais de moda, maquiagem, acessórios e outros afins, sou brega. Continuo gostando das mesmas estampas, cores e modelos de roupa que eu gostava há 20 ou 30 anos atrás. Continuo com minha maquiagem básica igualzinha à de sempre, continuo usando as mesmas cores em sapatos e bolsas que sempre gostei.

Não incorporo nada ao meu gosto tão antigo? Incorporo, sim. Quando o que vejo, gosto. Se alguma coisa me é oferecida em nome da moda, se acho que combinou comigo, ok. Mas tem que ser coisa baratinha, que eu não vá me arrepender em 2 meses do gasto efetuado.

Mas o importante é que eu me gosto quando me olho no espelho.

Não uso roupas curtas porque a celulite sempre foi minha companheira de guerra. A base pro meu rosto tem que ser leve, porque sempre tive umas ruguinhas que insistem em comer base, e daí eu fico cheia de listras na cara. Não posso usar sombras coloridas na pálpebra porque ela sempre foi desabada, então qualquer coisa colorida que uso, transfere rápidamente prá  parte de cima do olho e daí fico parecendo uma palhaça. Gosto de sapatos e bolsas de cores tradicionais porque sou pão dura e extremamente apegadas a eles, então quero que durem muito, e prá usar bastante eles tem que ter uma cor ‘usável’ com qualquer cor de roupa.

Enfim, não fui, não sou e espero, nunca serei escrava de modinhas. Gosto do que gosto e pronto.

Naturalmente não desdenho de ‘toques’ que possam me dar se alguém perceber que eu errei na medida. Mas que eu me lembre, isto até hoje não aconteceu. eheheheh.

Provei que sou brega. Aqui no Brasil. Porque se eu morasse na França eu seria chique. Pelo menos o adjetivo com que eu seria qualificada seria alguma coisa de lindo. Démodé. Acho chiquerrérrimo este termo. Démodé.

Acho que vou me dar o direito de ser um pouquinho besta e me permitir me qualificar assim. Démodé.

A partir de hoje não serei mais brega. Assumo-me como démodé. A brega chique.

Serra do Rio do Rastro. A promessa.

Foi há 15 anos.

Numa situação braba, eu fiz uma promessa. Uma promessa que me deixaria em dívida por longos 13 anos.

Há uma serra aqui no Estado, a Serra do Rio do Rastro, pela qual eu sinto um pavor inominável. Tenho um medo fora do comum, seja de subir ou de descer. Na verdade, as descidas me apavoram mais, porque as curvas são horrorosas e a descida é extremamente ingreme.

Pois bem, como a ajuda que eu precisava era muito, mas muito grande, eu prometi a uma Nossa Senhora que ficava numa capelinha no meio da serra que, se  tudo transcorresse bem, eu subiria e desceria a bendita serra sem berrar, gritar, espernear. Enfim, sem fazer escândalo. (perceber que foi o que sempre aconteceu nos passeios por lá).

Daí que, tendo ido tudo bem, eu teria que pagar a promessa. Mas quem disse que eu conseguia? Era pensar em ir e as minhas pernas começavam a bater, a dor de barriga se manifestava, a dor de cabeça ficava insuportável. Até o dia em que falei: ou vou agora, ou não vou mais. Mas aí, eu ficaria em dívida com Nossa Senhora. E isto seria muito ruim, né?

E fomos. O dia estava lindo. Minha mãe nos deu algumas diárias dum clube de turismo que ela pagava. Fomos prum hotel num lugar lindo, porém bucólico além da conta (assunto prá outro post).

Me revesti de coragem e fomos em frente. À medida que a serra se aproximava, eu suava mais e mais. Isto num dia de frio congelante.

Mas subimos. E eu calada. Só aqueles sorrisos frouxos de quem está morrendo de medo. Lá no topo fomos às lojas, compramos coisinhas (meu gorro lindo eu consegui perder no 1º dia), descansamos e iniciamos a descida. Oh, Deus, por que que, prá toda subida tem que haver uma descida? Porque nesta hora, meu coração já estava saindo pela boca, cabeça rodando, eu procurando conversar e rir prá não chorar, os gritos trancados na garganta.

Na parada programada prá que eu agradecesse à santa, a surpresa. Cadê? Cadê a santinha a quem eu tinha pedido a ajuda? A imagem da santa não estava mais lá. Também, 13 anos depois… Tinha mais um monte de imagens, mas não aquela. E ela era tão bonita, tinha uma expressão tão meiga…Mas mesmo assim, agradeci fervorosamente a ajuda.

Depois disso, já precisei outras vezes de alguma ajuda da ‘Turma lá de cima’. Mas agora, prometo coisas mais tranquilas, como nunca mais comer pão(eu amava pão), tomar refrigerante ou bebida alcoolica(eita uma caipirinha) e não comer chocolate(eu era chocólatra). Estas últimas promessas as fiz há 5 anos, e tenho cumprido direitinho, porque, como já falei, a “Turma lá de cima’ tem me ajudado, então não posso falhar com eles, né?

Vai que eu precise de mais uma ajudinha…

Só uma bonequinha de pano?

Estou às vésperas do aniversário de 1 ano de falecimento de minha mãe.

Naturalmente que os pensamentos voam, ora tristes, ora alegres. Mas de todos, houve um que me ‘pegou’.

De tudo que pensei, lembrei, chorei, acho que o mais importante foi a constatação de que, mais que as vezes em que minha mãe me dava força, me dizia que tudo iria dar certo, men ajudava com uma garra que só ela tinha, mais que isso, ficou a lembrança de todas as vezes em que ela me incentivou, me colocou em frente, me elogiou. Qualquer coisa que fizésse, qualquer coisa mesmo, por mais estranha que fosse, ela me animava a ir em frente. Não que ela não me alertasse dos ‘problemas’ ou ‘erros’ no que foi feito ou seria, mas sempre havia um que de ‘bonito’, ‘lindo’, ‘ficou ótimo’.

Daí lembrei desta bonequinha de pano, que depois que ela morreu, voltou prá mim.

Minha mãe teve muitos irmãos, e, naturalmente, a vida não foi fácil pros meus avós. Daí  que bonecas e sapatos eram artigos de extremo luxo. Minha mãe contava que usou sapatos somente com 12 anos, e mesmo assim, herdados de um irmão. Quer dizer, sapatos velhos e ainda por cima masculinos. Então, desde quando pode, ela comprava sapatos. Muitos.

A mesma coisa com as bonecas. Ela era louca por bonecas. Todos que viajavam traziam bonecas prá ela, de onde fossem.

Daí que uma vez, nós conversando, ela me falou que adorava bonequinhas de pano, que ela chamava de bruxinhas, pois era com elas que conseguia brincar na infância.

Então me animei e pensei: Por que não? Vou tentar fazer uma bruxinha prá minha mãe.

E saiu. Esta bruxinha que vocês podem ver na foto.

a 'bruxinha' da minha mãe

Foi minha primeira ‘obra bruxística’. E minha mãe deixou rolar uma lagriminha quando a dei prá ela. Ela adorava esta bonequinha. Elogiou tudo e mais um pouco. Nesta bruxinha, ela não conseguia ver defeitos. Tudo ficou perfeito, segundo ela.

E quis dividir isto com vocês.

Porque foi um momento lindo, único e perfeito. Até o fim dos meus dias haverei de lembrar dele.

A bruxinha que eu fiz, foi morar com a minha mãe, e agora voltou prá mim. Com o perfume da mãe, com o sorriso dela, com o abraço dela nestes bracinhos curtos da bonequinha. Bracinhos curtos, como aliás eram os braços da minha mãe. Mas que nem por isso abraçavam com menos força, menos paixão, ou menos amor.

Até qualquer hora, mãe, e não se preocupa. Estou cuidando bem da sua filhinha, a agora ‘nossa’ bruxinha.

Por que eu ainda me emociono?

O título deste post é uma pergunta. Para a qual ainda não encontrei uma resposta.

Há 3 dias, específicamente dia 3, ocorreu o primeiro turno das eleições para presidente e outros cargos, neste país.

Como alguns deles não foram devidamente preenchidos, incluindo-se aí o de presidente da república, dia 31 iremos novamente às urnas.

Não quero discorrer aqui sobre o processo eletivo, partidos, candidatos ou outros que tais.

O que me interessa neste momento é falar da minha emoção na hora de votar.

Apertar aquelas teclinhas me levaram às lágrimas. Devidamente contidas enquanto na cabine.

Não sei exatamente o porque da emoção, porque no meu entender o país não está lá estas coisas, mas simplesmente a possibilidade de poder participar de uma escolha que vai de uma forma ou de outra determinar o rumo da minha vida e de outras tantas milhões de pessoas é incrível.

É do que gosto. Participar das decisões. Principalmente quando envolve a mim ou minha família.

Que seja o que Deus quiser.

Mas claro que eu torço prá um, não é? Mas não declaro nem sob tortura.

E a vaidade esta voltando…

Bom, na verdade, a vaidade em si nunca foi embora. Ela estava simplesmente um pouquinho adormecida. Pelos acontecimentos, principalmente.

Mas dia desses, nem sei bem o porque, me deu uma vontade de usar alguns produtos que sempre gostei, mais especificamente: máscara de cílios (ou rímel), blush e batom. Adoro estes tres produtinhos. Pudesse e teria uma coleção enooorme. Coisa de um de cada marca e cor que houvesse. Mas enfim, é um rosto só, então não precisa tanto. (pelo menos este pensamento serve prá consolar um pouco).

Pois bem, mesmo não tendo nenhuma previsão de saída, resolvi usa-los. E sabe que me fizeram um bem danado? De repente, meus olhinhos pequeninhos e com a pálpebra desabada, deram uma iluminada, as bochechas encolhidas ganharam cor e meus lábios se encheram de brilho.

E isto me fez bem. Tão bem, que passei a usa-los diariamente.

Hoje fiz um teste. não passei nada. E senti muita falta. Falta da cor, da alegria, do brilho. Percebi que me sinto melhor “ajeitadinha” do que de cara lavada. Talvez seja somente a idade. Sei lá. Um pouco de insegurança, talvez.

Mas o fato é que de hoje em diante, dificilmente ficarei sem nada, mesmo em casa.

E qualquer hora, à medida que for novamente me acostumando com o que fica bom ou não em mim, passo a falar prá voces, o que usei, como, se deu certo, estas coisas.

Quem sabe dá de ajudar alguém, né? Assim como eu já fui bastante ajudada aqui.

Beijão. Com a minha auto estima elevada….

Bloquinho e canetas

Desde que comecei a trabalhar, lá pelo início dos anos 70, adquiri uma mania. Coleciono bloquinhos de anotações e canetas de propaganda.

E dia destes, estava pensando…

Sempre guardei tudo. Nunca usei nada. Mas olhando numa das caixinhas de guardados (a que achei no meio desta verdadeira bagunça que está a casa), encontrei um bloco que sempre me chamou a atenção. Eu o comprei do Unicef, numa daquelas campanhas de Natal. Daí que me deu um estalo.

Eu passei um tempão comprando ou ganhando tudo isto. E não vou usar? E se eu morrer amanhã? Não terei tido a satisfação, a alegria de ter usado alguma coisa que eu gostava e que adquiri ou ganhei.

Então? Peguei o bloquinho com capa linda, coloquei ao meu lado e já estou usando.

O bloquinho é este da foto. É lindo não é?

bloquinho do unicef

E quando eu achar as caixas onde guardei todos os outros blocos, eu fotografo e coloco aqui.

Prometo.