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A vida, a morte e o peixinho

imagem tirada da internet

Quando meus dois filhos mais novos eram bem pequenos, a menina ganhou um peixinho. Um beta. Muito parecido com este da foto. Ela cuidou muito bem dele, apesar da idade. Aliás, todos os peixinhos que ela teve viveram bastante tempo.

Mas um dia o peixinho morreu. E aí, aproveitamos o momento para falar de morte prás crianças.

Nascer, viver e morrer. Dentro da capacidade deles de compreensão, explicamos tudo.

O nascimento, o tempo de vida e como viver e o fim deste tempo aqui na terra, a morte.

E para que eles captassem bem a idéia da morte, e entendessem toda a sua simbologia, fizemos o enterro do peixinho.

Encapei uma caixinha de fósforos, o peixinho foi colocado dentro, fizemos o cortejo até o fundo do quintal, onde o pai já havia cavado um buraquinho, a Nina fez um pequeno discurso de adeus, e enterramos o bichinho. Com direito a chorinho também.

E foi assim que as crianças tomaram conhecimento da morte. A entenderam. E aprenderam a lidar com ela.

Simples assim.

Eu sou uma hiena

Calma, calma.

Antes de qualquer coisa, devo dizer que a frase aí em cima se refere ao mais lindo elogio que já recebi em minha vida. E este elogio partiu da minha filha mais nova.

Explico.

Quando ela era mais novinha, e estava na primeira série do primeiro grau, perto do dia das mães, a professora começou a preparar com os alunos aquela clássica (e maravilhosa, sempre) lembrancinha feita pelas criança. As coisas são quase sempre as mesmas, mas sempre emocionam como se fosse a primeira vez que as víssemos. Pois bem. Naquele ano, entre outros presentinhos, as crianças iriam fazer um cartão em que colocariam as coisas que as mães mais gostassem.

Aí começaram. A cor que sua mãe mais gosta? E minha filha tascou um vermelho com laranja e amarelo. Tudo misturado. Eu adoro cores quentes. A flor que sua mãe mais gosta? E ela: um girassol. Acho maravilhoso. A comida que a mamãe prefere? Tudo do mar. Perfeito. E o bichinho que sua mãe poderia ser, se não fosse gente? Aí, na classe, deu de tudo. Tudo que se espera de crianças de 6/7 anos. Galinha, porque ela aquece os filhinhos. Leoa, porque protege os filhos, uma cachorrinha, porque cuida bem dos filhinhos, e por aí foi…

Menos prá minha filha. Prá ela eu sou uma hiena.

Dá de imaginar o choque que foi para a professora? Dá de imaginar a expressão de espanto? Coitada.

Mas sabe por que o terror? Porque ela é uma adulta, e pensa com a cabeça de adulta, naturalmente. Como talvez seja você, que me está lendo neste momento. Então ela perguntou: “Mas meu bem, por que uma hiena? Ela come bichos mortos, só aquele resto que nenhum animal mais quer. Eca eca…” E a minha filha, na maior inocência, e me fazendo, então, o maior de todos os elogios, disse a ela: “Mas tia, a minha mãe é uma hiena porque ela ri o tempo todo. Ela é muito alegre. Ela é engraçada. A minha mãe parece mesmo uma hiena”.

Gente, alguém quer um elogio melhor que este? Ela resumiu, numa frase simples, o que eu sempre quis transmitir a meus filhos. Que a alegria nos impulsiona, sim, pela vida. A alegria nos ajuda nas adversidades. E ser alegre, é meio caminho andado para ser feliz.

E eu sou feliz. E a minha pequeninha entendeu a essência da minha vida.

Eu sou feliz.