Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.

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Gente criativa

dez 21, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Desde sempre, sou apaixonada por pessoas criativas. E não estou aqui me referindo somente a publicitários e gente de marketing. Eu me refiro àqueles simples mortais como eu que fazem as coisas se tornarem conhecidas, muitas das vezes sem ao menos saber que estão fazendo um grande favor ao público.

Mas é muito, muito bom quando, de alguma forma, a criatividade destas pessoas é reconhecida, podendo muitas vezes vir a se tornar um sucesso.

Estou muito feliz hoje. Como fiquei alguns dias atrás, e muitas outras vezes, na verdade, por outros acontecimentos do gênero.

Mas os mais recentes e que me motivaram a escrever este singelo (credo) post, é que, nem bem me refiz da alegria de ver minha filha ter uma frase escolhida num concurso nacional e ganhar um maravilhoso estojo com vários produtos de uma grife chique de beleza, vem agora meu genro e avisa que ganhou um notebook, e não qualquer note, um possante. Destes de última geração. Não um caquinho como o meu, por exemplo.

Isto é criatividade sendo reconhecida.

Aliás, se as pessoas não fossem muitas vezes tão invejosas, e reconhecessem o valor das idéias dos outros, se se desligassem deste sentimento mesquinho, com certeza o mundo já estaria utilizando muitos equipamentos e produtos bem interessantes.

Por exemplo, eu citaria estes cientistas que vivem na busca de novos remédios e componentes para melhorar a saúde das pessoas. Quando, muitas vezes um descobre alguma coisa, vem outro, e na maioria das vezes de um país pretensamente mais desenvolvido, e começa a botar defeito no que o primeiro descobriu e desenvolveu. Ajuda, cara, ajuda a desenvolver. Não inveja, não.

Mas hoje é sem bronca.

Hoje é prá comemorar a vitória do Daniel, assim como a da Renata, embora ela tenha sido um pouquinho mais de tempo atrás.

Parabéns aos dois.

E vão em frente, que muitos concursos ainda hão de vir por aí.

Mas vê se deixam alguma coisinha prá mim, ok?

Casamento espetáculo

dez 10, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Não estou mais entendendo nada.

Realmente, estou me sentindo cada vez mais por fora das coisas.

Pois então, hoje em dia, cerimônias de casamento estão virando somente um espetáculo para os convidados, leitores das revistas de fofoca e internet.

Sim, claro, antes, isto é, antigamente, quando a gente se casava, também havia uma preocupação com o local do casamento ( igreja, salão, fosse onde fosse), a roupa da noiva ou do noivo, lista de convidados, a festa e o que servir às pessoas, a música, etc.

Mas tudo dentro de um limite.

A cerimônia era para selar um amor, mostrar à sociedade ( e por sociedade entenda-se as pessoas) que aquelas duas pessoas estavam se unindo porque se amavam.

Tudo era preparado com antecedência, claro, mas com carinho pelas pessoas, não pelo que as fotografias iriam mostrar.

O que estamos vendo hoje? Quando o casamento não é absolutamente patrocinado por algumas empresas sob o preço da divulgação pelos “nubentes”, a coisa virou um espetáculo, muitas das vezes digno de uma comédia bufa.

Credo, como pode madrinhas serem tolhidas em sua vontade de se vestir assim ou assado, com esta ou aquela cor? Nao, as coitadas tem que se vestir de verde água marinha do mediterrâneo. Mesmo que a pobre seja uma loirinha do cabelo quase branco, ou uma morena de tez meio amarelada, em que a cor da roupa não valoriza em nada o tom da pele.

A mãe da noiva, que sempre sonhou em no dia do casamento da única filha usar aquele vestido de renda e seda, clarinho, coitada, determinaram a ela usar aquele azul ultramar. Não importa se a coitada ODEIA azul. Ela gosta de cores clarinhas. Azar dela.

A música? Nada contra uma música popular num casamento, mas pelo amor de Deus. Já fui a casamento em que uma música com uma melodia barulhenta e uma letra que não dizia coisa com coisa foi tocada. E depois não querem que as igrejas proibam músicas que não sejam sacras. Mas com o exagero que tem ocorrido, querem o que?

E os vestidos das noivas. Qué qué isso minha gente? Ou o peito siliconado fica querendo pular prá fora do decote, ou a fenda na pernoca deixa à mostra até a renda francesa da calcinha.

Gente, casamento não é espetáculo. Casamento é cerimônia. Cerimônia, conforme o dicionário aurélio “reunião de caráter solene”.

Casamento é muito bom. Mas não dá de fazer com que esta cerimônia se torne o grande oba-oba que temos visto.

Pessoal, que tal deixar as brincadeiras e outros que tais para depois? Para depois do sim tanto no religioso quanto em frente ao juiz de paz?

Na festa, pode ser?

Tristeza

nov 27, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Quem costuma ler meus posts, sabe que sou uma pessoa basicamente alegre. Esquentada, mas alegre.

Gosto de falar de assuntos o mais alegres possível. Gosto de rir, brincar, gosto de felicidade e de poder compartilhar alegria com todos.

Mas hoje, ou melhor, nestes dias, decididamente, não dá. É impossível brincar. A gente até ri, fica alegre em alguns momentos, sente que é feliz.

Mas aí, olha prá televisão. E não tem como não se comover com o que está acontecendo.

É muita dor, muita destruição. É um cenário de guerra. Foi a lama e as águas no lugar de bombas. O vento fazendo às vezes de tiros. E as pessoas impotentes contra os soldados invisíveis, que empunham as armas de que só a natureza dispõe.

Com certeza, o descaso de algumas pessoas com a natureza, fez com que se pague hoje este preço absurdo.

Mas não é hora de procurar culpados. Não agora. Até porque nós, mesmo estando longe, ou não tão perto, também somos culpados. Pelo menos quem não observa os sinais que a natureza anda dando. Seja em que parte do planeta seja.

É duro ver o que está acontecendo. Quando a gente sabe que uma mulher precisou sepultar seu marido no quintal por absoluta impossibilidade de sepultá-lo como convém, dói. Quando for possível sepultá-lo num cemitério e dar a ele a cova merecida, será uma dor nova, num momento em que a dor pelo primeiro sepultamento ainda nem cicatrizou.

Hoje, vi a entrevista de uma jovem, instalada num abrigo, com sua filha ao lado, uma menina de uns 7 anos, talvez, e ela falava à repórter que já havia ganho uma muda de roupa, a menina também, já tinham se alimentado, alguém dera um brinquedo para a filha (neste momento a menina sorriu e os olhinhos brilharam), elas estavam indo tomar banho, (depois de 4 a 5 dias sem nada), e a moça falou: “estou feliz”.

Foi como se eu levasse um soco no estômago. Por uma muda de roupa, um pouco de alimento, um brinquedo e um banho, ela estava feliz e agradecendo às pessoas.

Tenho conhecidos em algumas das cidades que sofreram com as enchentes. De alguns já tenho notícias, de outros não. Vou aguardar e rezar prá que estejam bem.

O que podia fazer, já o fiz. Agora me resta torcer, e continuar pedindo a Deus que olhe por todos.

Atirei o pau no gato to…

nov 8, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Gostaria de dar minha opinão sobre um assunto que vem me “pegando” ultimamente.

Seguinte. Faz alguns anos que se começou a falar bastante em ecologia, pensamentos politicamente corretos, atitudes preservacionistas, etc…

Meu segundo filho nasceu quando minha filha mais velha estava prestes a completar 18 anos. Então, o que aconteceu neste meio tempo com relação a escolinhas e jardins de infância, é meio incógnita para mim.

Mas depois que meu filho, e depois a outra menina nasceram, voltei a tomar pé do que se passava no mundinho da infância, e comecei a ser surpreendida pelos acontecimentos. Um dos primeiros sustos, foi quando, um dia, ao chegarem em casa, os dois começaram a cantar a musiquinha do gato, e cantavam assim: Não atire o pau no gato to to, porque isto to não se faz faz faz, o gatinho nho nho é nosso amigo…. e por aí afora.

Gente, quequé isso? Não foi assim que aprendi. Comigo foi a versão mais animada. E nem por isto maltratei algum animal, em toda a minha vida. Só mato baratas, porque não tem jeito. Aí é uma questão de saúde. Mas não bato em cachorros, e se vejo alguém fazendo isto, reclamo na hora. Aliás, reclamo com a maldade com qualquer animal que seja. E tenho observado que quem, muitas vezes faz maldades, foram os mesmos que aprenderam o jeito novo de cantar a musiquinha.

Lembram do cigarrinho de chocolate? É a mesma coisa. Nunca fumei um cigarro de verdade. Odeio até o cheiro. Me faz mal. Mas fumei prá dedéu aqueles cigarrinhos de chocolate. Eram um charme só.

Mas meus pais sempre nos alertaram, a mim e a meus irmãos, sobre o que sofreríamos se fumássemos. E aprendi.

E não fumo cigarros de nicotina. Mas fumava os cigarros de chocolate.

Será que a questão seria só uma musiquinha? Só um cigarrinho de chocolate?

Será que a questão não seria mais de educação? E conscientização?

Eu acredito na educação que dou a meus filhos. E no exemplo que dou a eles. E eles são sempre citados como jovens bem educados. Agradecem, pedem licença, por favor, e nunca maltrataram um bicho. E em casa sempre cantei as cantigas de roda no original.

Não acredito que musiquinhas formem caráter. O que importa é a forma como educamos as crianças, e como damos exemplos. Principalmente nosso exemplo de pais.

Pode não ser a minha hora, mas, e se for a do piloto?

nov 3, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Meu genro Daniel tem um blog muito legal. Vai lá, depois de ler este post, é claro, e dá uma olhada.

No post que acabei de ler, ele fala sobre um simulador de vôo. Sobre um aviãozão, e claro, em sobre como seria a sensação de voar. Ou, por outra, do medo de…

Pois bem, a certa altura do texto ele cita a avó, que sempre diz que a gente só se vai deste mundo quando é chegada a nossa hora. E eu completo – nem um minuto a mais, nem um minuto a menos.

E ele comenta que tudo bem, mas faz duas observações. A primeira é que, quando for a hora dele, ele quer estar com os pés bem na terra, e não a muitos pés de altura, caindo desabaladamente. E a segunda, que achei uma grande tirada é que, como diz o título deste post, pode não ser a hora dele, mas, e se for a do piloto?

Esta foi boa.

Passei um tempo razoável da minha vida dentro de aviões. De norte a sul e de leste a oeste deste país. Hoje, até entro num avião. Mas dopada. Completamente. Medo de que o avião desabe lá de cima? Também. Mas, principalmente por uma claustrofobia que passou a me acompanhar de uns anos prá cá. E o pior é que ainda não consegui identificar a partir de quando isto começou.

Quando preciso entrar num elevador desconhecido é um Deus nos acuda. Suo frio. O coração dispara, e vou num rezar frenético. Coitados de todos os santos. Devem ficar de orelhas quentes, fervendo, e tudo por uns míseros segundos, às vezes.

E agora pensa comigo. Uma claustrofobia básica, e dentro de um elevador sem correntes de sustentação, ainda por cima, que é como a gente pode considerar um avião?

Normalmente entupido de gente. A grande maioria com tanto medo quanto eu, tudo de sorriso amarelo, acompanhando cada passo das comissárias de bordo, cochichando baixinho se acham que viram algum movimento estranho, sentindo aquele movimento esquisito do avião, aquela inclinação leve prá direita, acho que tem coisa errada, ai Meu Deus, deve ser agora.

Ok. Ok, vou ficar calma. Com certeza não é a minha hora.

Mas, e se for a do piloto?

Relógios desencontrados

out 28, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Aqui em casa, temos muitos relógios. Porque tenho mania de ver as horas. Até quando acordo à noite, olho a hora. Deve haver uma explicação prá isto.

Psicólogos, atenção.

Mas voltando ao assunto. Tenho em casa relógio de cabeceira, de pulso, de parede, no celular, aparelho de som, na televisão. Tudo perfeitamente funcionando.

Porém há um pequeno detalhe em tudo isto. Cada um marca um horário diferente. Horários bem próximos, é verdade, mas desencontrados. A diferença é em média de 10 minutos.
 
Não existe nesta casa dois relógios iguais.

Só que assim não me atraso. Atraso me deixa maluca. Nem eu gosto de me atrasar prá nada, nem suporto que se atrasem se marcaram comigo alguma coisa. Então, que não marquem hora exata. Digam: Mais ou menos, tal hora.

Mas eu entendo médicos e dentistas (até outras profissões que lidam com pessoas). Afinal, não dá de interromper uma consulta porque tem alguém esperando.

Naturalmente sem exageros. Eles poderiam reservar mais tempo para as consultas, mas mesmo assim, prefiro saber que vou esperar um pouco, sabendo que o médico (ou outros profissionais) está atendendo bem um paciente. Conheço uma médica muito legal que se atrasa horrores, mas vale a pena esperar. Ela jamais olha o relógio e a gente sente que pode falar e pedir as explicações que precisa. Claro, conheço outro (por coincidência, ambos da mesma especialidade) que não se atrasa nunca. E atende sem pressa do mesmo jeitinho da outra. E para um paciente, saber que o médico não está com pressa de manda-lo embora, já ajuda, e muito. Parece que podemos confiar mais nele. Que ele vai nos ouvir.

E como meu relógio não está batendo mesmo, sempre parece que já passou um tempão, quando na verdade o tempo nem foi tão grande assim.

E eu fico no lucro.

Pelo menos com relação ao meu tempo.

A turma da noite

out 10, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Como minha lojinha se localiza em frente a uma escola estadual, e por vendermos produtos de papelaria, o tempo todo tem crianças e adolescentes entrando.

Embora eu vá pouco no período da manhã, pois é este o tempo de que disponho prá tentar colocar a casa em ordem e fazer a parte administrativa da loja, como planejar e fazer as compras de produtos e preparar pagamentos, conheço muitas crianças. Eu me divirto com as tiradas delas. Acho que posso dizer que a gente brinca bastante.

A turma da tarde eu atendo durante o horário da saída, e já são, em sua maioria, crianças maiores, quase entrando na puberdade, e adolescentes também. Estes dão um pouco mais de trabalho. São práticamente todos meio atabalhoados, querem ser atendidos ao mesmo tempo, estão sempre, eternamente com pressa. Não descobri até hoje prá que. Mas me entendo bem com eles também. É só fingir que vou dar uns berros, mandar que façam fila, e a paz retorna rapidinho. Afinal ninguém quer ficar sem as guloseimas vendidas pela tia.

E a turma da noite. Esta é a minha paixão. São adolescentes, e outros não tão novos assim, que eu atendo diáriamente.

A maioria trabalha durante o dia e estuda à noite. Alguns chegam à escola visivelmente cansados. Mas passam antes na loja.

De muitas meninas já me tornei uma espécie de confidente, digamos assim. Elas me falam as coisas, eu guardo o segredo, (até meu marido, que fica comigo na loja, se afasta, quando elas começam a conversar, porque pelo tom de voz já dá de saber se é segredo) não falo mesmo prá ninguém, mesmo quando outras meninas vem querendo saber o que a primeira tinha falado. Acho que por isto elas confiam em mim. Ou será por que ajudo a ver se o menino de jaqueta preta e boné azul já está em frente à escola? E a garota não pode vê-lo, porque vai dar bandeira que está a fim dele? Tanto faz. O que me importa é que de uma forma ou de outra, dá de seguir ajudando e às vezes até orientando.

Como quando teve a campanha da vacina contra a rubéola, e uma menina disse que tinha medo da injeção. Pude fazer ver a ela que as consequências futuras da rubéola no seu futuro filho seriam tão devastadoras, que a dor de uma picadinha de agulha não seria nada comparada à dor que ela sofreria por saber que poderia ter evitado tanto sofrimento. No dia seguinte ao papo ela veio toda orgulhosa dizer que tinha tomado a vacina e que nem tinha desmaiado. Muito legal.

Po isto, quando chega o fim do ano, é fatal. Eu choro. E é claro que eles riem de mim. Principalmente a turma do terceiro ano, a quem sempre, não sei porque, me apego mais. E é exatamente esta turma a que não vai voltar em bandos. E eu sinto muita saudade deles. Ainda bem que muitos de vez em quando voltam prá um oi. Porque a maioria mora bem longe da escola, então vir até mim é meio fora de mão.

Mas todos sabem que, a hora que quiserem, enquanto eu estiver por ali, vou estar à disposição deles.

Desta turma esforçada, que trabalha oito horas (ou até mais) durante o dia, e à noite ainda vai prá escola estudar.

Parabéns prá eles.

 

 

 

A força dos novos. A força dos velhos.

out 9, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Dia 17 de setembro compareci a um Recital Musical, em comemoração ao primeiro ano de existência de uma escola de música.

Colaborou muito prá esta minha ida, o fato de meus dois filhos menores estudarem nesta escola. Estudam teclado. E adoram. Nunca, jamais, em tempo algum eu poderia faltar a este compromisso. (Bom, Deus, se quisesse, me faria faltar. Mas Ele não quis isto).

Pois bem,  a gente sai de casa meio na base do “vou por causa de meus filhos”, mas deve ser meio sacal.

Me penitencio. Foi o máximo. Muito dez. Muito lindo. Eu diria, uma surpresa muito agradável.

Foram vários os alunos que se apresentaram. Desde crianças, pessoas com comprometimento físico ou intelectual, adolescentes e outras não tão novas assim.
Muitos erros, naturalmente. Era nota engolida sem dó nem piedade. Ritmos atravessados. Vozes meio fora do tom. Mas foi lindo.

Pela força que todos demonstraram. Foi demais. Crianças e adolescentes se esforçando, o nervosismo aparente. Bastava ver a cor de cada um. Era tudo um vermelhão só.

Os adultos, a maioria tendo a primeira oportunidade de mostrar que estão tentando. Deficientes num esforço para mexer braços ou lembrar as notas que deveriam ser executadas. E um casal de velhos.

Falo velhos porque não gosto muito do termo idoso. E aqui faço um aparte. Desculpe, mãezinha, mas não gosto, mesmo, do termo idoso. Acho que deixa a gente meio “passado”. Eu adorava ouvir a minha avó dizer que era uma velhinha legal. E esta frase me acompanhou a vida toda. Eu quero ser chamada de velha, não de idosa. Porque vou ser uma velhinha bem serelepe. E idoso não pode ser serelepe. Ele tem que ser sempre exemplar. E eu quero mais é continuar bagunçando.

Pois bem. Aquele casal de velhinhos deu um show. Vocês não tem noção. Era um desencontro só. Ele corria com seu saxofone (acho que era um sax), e ela calmamente no teclado. O professor a ajudava um pouquinho. Mas o velhinho nem aí.

Porém, quando eles acabaram, foi um aplauso só. Porque todos sabiam o esforço que tinham dispendido para aquela apresentação. A força de vontade que mostraram. Até agora me arrepio quando lembro.
 
Ao passarem pela mesa onde eu me encontrava, os parabenizei, e ela, muito feliz, me disse que eles estavam realizando o sonho de estudar música, e de tocar um instrumento.

Depois disto, prometi a mim mesma que, no ano que vem, deixo alguma coisa de lado. Mas vou tocar um instrumento. Qualquer que seja. Talvez comece pelo teclado, porque quando eu era novinha, estudei um pouquinho de acordeon (era chique prá caramba, pelos idos do início de 1960, tocar acordeon). Para o ano que vem, me aguardem.

Depois da primeira aula conto tudo.

Sei que vou conseguir. Porque tenho os velhinhos como exemplo. Se eles conseguiram, vou conseguir também.

Ninguém me segura. Professor, aí vou eu.

E que Deus proteja os seus ouvidos.

A revista Capricho

out 8, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

Muito, mas muito tempo atrás, quando eu era novinha (já fui novinha) eu lia uma revista que , acho, se chamava Sétimo Céu. O porque deste nome até hoje não sei.

Mas era uma febre. A revista trazia fofocas sobre artistas (claro que fofoquinhas bobinhas), editoriais de moda (que já existiam na época), letras de música (normalmente românticas e melosas) e uma fotonovela.

Aliás prá quem não sabe, naquela época, televisão não era um eletrodoméstico tão acessível quanto hoje. Somente poucas famílias as possuiam, e quem possuia, tinha que submeter sua “sala de visitas” ao convívio com vizinhos (em dias de futebol), com vizinhas (em horário de novela) e os filhos destes durante os horários de seriados. (rin tin tin, patrulheiro rodoviário, ultraman, dentre outros).

Mas vamos à fotonovela. Como televisão era caro, a gente podia apelar prás fotonovelas prá se derreter um pouquinho chorando.
Eram novelas, só que em vez de filmadas, eram fotografadas. Tipo gibi. Mas em vez de desenhos eram fotos, e com balõezinhos para os diálogos. De algumas estórias eu lembro.

Mas por que falar da Capricho?

É que eu leio a Capricho sempre. A Witch também. E adoro. Antes, eu lia prá poder ficar meio “antenada” com os assuntos de minhas filhas, e poder conversar com as meninas que atendo na loja. Mas agora, leio por mim mesma, também. Acho que é a minha consciência me mostrando que, realmente, definitivamente, não sei tudo que acho que sei. Em cada edição, aprendo alguma coisa. E repasso pros outros.

A Capricho e a Witch são como as revistas que eu lia.

Mudou o formato, mudou a forma de falar, mudaram as cores, mas a essência continua a mesma. A informação.

Tenho algumas ressalvas a fazer, mas vou fazê-las diretamente no site das revistas, porque de repente, são questões minhas. Que eu posso ainda não ter entendido a proposta.

Agora mesmo, a Capricho tá lançando a campanha “Deixe o mundo mais pink”, que eu adorei. Tem até o manifesto pink. (vê lá no deixeomundomaispink.com.br).

Mais uma campanha prá conscientizar os mais novos ( parece que todo mundo é mais novo que eu, aliás).

Vale a pena ver. E participar. Eu, com meus cabelos brancos e minhas rugas já aderi.

E se eu posso, você também haverá de poder.

A Adultescência

out 3, 2008 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Comportamento

 Gente, vocês já perceberam que para muita coisa ruim que acontece no mundo a culpa é creditada aos adolescentes?

Que ultimamente eles tem escorregado e muito na maionese, isto é inegável. Mas não dá de culpá-los eternamente.

Afinal, muitos destes adultos que hoje culpam a garotada foi, sim, um adolescente rebelde também. Rebeldíssimo, eu diria. Woodstock que me corrija, se eu estiver errada. Porque, mesmo que em menor escala, aqui a gente também aprontava. Eram tempos mais inocentes, é verdade, mas mesmo assim, não exatamente puros.
 
Não me venham, senhores adultos, dizer que nunca fizeram nada. Fizeram, sim, talvez somente a memória lhes esteja querendo pregar uma peça…

Mas sabe o que acontece? Quando a gente vira adulto, vem aquela coisa de ter que ser responsável (ou parecer que é), ter que mostrar os caminhos (mesmo que tortos), ter que dizer que sabe, porque já viveu mais.

Isto é mania de adulto. Achar que porque viveu mais, sabe mais. Besteira. Muitas vezes sim, a vida nos ensina, aos mais velhos, muita coisa, experiência de vida é ótimo, mas daí a achar que sabemos tudo, vai um pulo.

A gente costuma falar em adolescência como uma época de aprontação. Mas eu acho que a adultescência também é terrível. A gente fica meio tolhido, embrutecido pela necessidade do sustento, ter que ganhar dinheiro prá viver. A gente fica querendo, quando adulto, que nossos filhos tenham tudo que não tivemos, e não nos damos ao trabalho de perguntar a eles se eles querem isto. Aí, dá-lhe passeio num hotel fazenda, quando uma simples volta de bicicleta com a gente já seria tudo de bom prá eles (e seria quase de graça). Nos preocupamos em comprar aquela jaqueta de couro maravilhosa, quando prá eles bastaria uma jaqueta jeans rasgada. Almoçar num restaurante legal, quando um sanduba seria suficiente.

Mania que a adultescência tem de achar que sabe tudo.

Povo, que tal, de vez em quando, nos lembrarmos que também fomos jovens, e dar aos jovens de hoje a chance de ser ouvidos?

Pelo menos em nossa casa, com certeza os conflitos entre os adolescentes e os adultescentes diminuiriam, tenho certeza.

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