Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.
Eu acho que já disse isto aqui algumas vezes.
Sou brega. Breguíssima, aliás.
Adoro o que muitos chamam de breguice.
Músicas lacrimosas, fotos de crianças ou idosos, roupas fora de moda, revistas antiquadas, e por aí vai.
Mas eu gostaria de saber quem, ou o que determina que alguma coisa é brega.
Porque, até onde eu sei, gosto é gosto. E gosto não se discute, né?
Então, por que tenho que ser considerada brega? Porque meu gosto simplesmente não é igual ao dos outros. Mas só por isto? Sem justificativa.
Naturalmente, vou continuar do meu jeito. Não ligo prá moda ou modismos. Ligo somente pro que gosto e me é confortável.
E tenho dito.
Quando eu era mais nova, mas bem mais nova mesmo, estudava num colégio de religiosos.
Ao entrarmos na adolescência, mais ou menos, fazíamos um curso de etiqueta.
Na época, nos parecia um curso de uma inutilidade à toda prova, o que se provou o contrário à medida que o tempo foi avançando.
Aprendemos, as meninas, pelo menos, a sentar, cruzar as pernas com classe, usar os talheres corretamente, a falar em público, aprendemos até a andar. Meu curso foi , aliás, com ninguém mais ninguém menos que a maravilhosa Maria Augusta, uma mulher chiquérrima que preparava as misses, na época em que concurso de miss era tudo de bom.
Quanto mais velha fui ficando, mais fui valorizando o aprendido. Nada foi desperdício. Nem o tempo de ensino, nem a utilização do que aprendi.
Etiqueta não é frescura, mesmo que às vezes pareça uma coisa boba. Pode até haver, embora eu não me lembre, uma ou outra regra que não mereça muito crédito ou elogio. Mas no geral, regras de etiqueta servem bem.
Aquela história dos talheres corretos. Eles servem prá nos ajudar na hora de cortar e levar um alimento à boca. Uma faca e um garfo corretos são excelentes ajudantes. Sabe aquela coisa da comida voando? Mais do que simplesmente por um alimento ‘errado’ sendo servido, é um talher sendo usado incorretamente. ( ou até mesmo o talher errado posto à mesa).
Uma espátula para manteiga jamais cortará um pão, que aliás não se corta, parte-se com as mãos. Porém a gente usa uma faca de pão prá passar manteiga. Mas experimente usar o talher apropriado, e se você não tiver uma espátula para a manteiga, use pelo menos uma faca sem serrilhado. A manteiga deslizará muito melhor e com certeza seu pão não irá se transformar naquele amontoado de massa.
Regras quanto a comportamento e convivência. São outras que são destroçadas quando a gente é mais novo. Mas quando seguimos regrinhas básicas, a convivência se torna mais agradável e proveitosa.
O que custa ceder o lugar numa condução para alguém mais velho? Lembre-se que, se Deus pemitir, um dia você também será velho. E haverá de querer esta gentileza para consigo. Ceda lugar a gestantes. Pessoal, aquele peso na barriga desequilibra o mais equilibrado dos mortais. Não é fácil, e principalmente se o bebê é um daqueles agitadinhos. É chute prá tudo que é lado. E isto deixa a gente meio bamba. Não custa, pessoal, não custa.
E ainda pode acontecer de aquela menina ou menino em quem você tem ficado de olho, ver o seu gesto, gostar, aprovar, e você, além de ter sido extremamente educado com a pessoa a quem você cedeu o lugar, ainda vai ser hiper bem visto pela garota ou garoto. Ué, garoto, sim. Por que você pensou que menina não cede lugar? Acorda, a regra vale prá todo mundo.
Existem muitas outras regrinhas. Não as despreze. Antes de reclamar e não querer usá-las, que tal tentar primeiro? Posso garantir que não será tão difícil.
Tente.
Até um tempo atrás, frequentávamos uma lanchonete na cidade, que servia um pastel e um sanduíche maravilhosos. Moramos no extremo sul e a lanchonete fica no extremo norte da cidade. Mas o pastel e o sanduíche de lá compensavam a distância.
Sempre fomos lá pela qualidade da comida e atendimento. Até que o “garoto da cozinha” foi despedido, e os atendentes da lanchonete trocados. Acabou a qualidade, na comida, e no atendimento.
O caso se passou nesta lanchonete. E foi verdade. Inclusive com testemunhas.
Foi numa noite muito fria. Fomos, meu marido e eu, comer um sanduíche. Chegando lá, fizemos o pedido, e ficamos conversando.
A lanchonete fica em frente a uma Igreja. Como era sábado, estava sendo celebrada a missa.
Enquanto conversávamos, observamos um guardador de carros, encolhido num canto, no pátio ao lado da Igreja. Como já era noite, e estava muito frio, pensamos que seria bom oferecer ao homem um sanduiche quentinho, pois isto pelo menos o esquentaria um pouco, e, quem sabe? ele até poderia estar com fome.
Chamamos o atendente, e pedimos um outro sanduíche, com tudo a que tivéssemos direito. Ele estranhou, e perguntou se este deveria vir depois dos outros dois que havíamos pedido antes. Dissemos a ele que não. Que poderia vir logo.

O sanduíche era muito parecido com este.
E assim ele fez.
Quando os sanduíches chegaram, antes de comermos, meu marido levantou, atravessou a rua, e, numa sacolinha, entregou o sanduíche pro homem.
E daí, a reação. O moço olhou pro meu marido, perguntou o que era, ele falou: um sanduíche assim, assado,pro senhor.
Sabem o que ele respondeu? Não quero não, eu não gosto deste tipo de sanduíche. Desculpe, falou meu marido, o sr. não quer comer? E o homem novamente, não, eu não gosto deste sanduíche.
Meu marido voltou cabisbaixo, e daí o atendente da lanchonete, que havia presenciado tudo, e vendo a nossa cara de decepção, nos falou: Ele é assim mesmo, só come determinados tipos de sanduíche. Não adianta insistir. Ele passa fome, mas é exigente.
Até agora, esta história me pega. Porque já passamos por situações em que um sanduíche daquele, poderíamos recebe-lo como um presente. E agora, que podíamos oferecer a alguém a possibilidade de saciar a fome, fomos “esnobados”.
Foi difícil de entender. Mas hoje passou. Embora, claro, a gente não vá esquecer.
Porque, convenhamos, foi inusitado. Uma situação completamente atípica.
Alguém tentando fazer um carinho, e este carinho não sendo aceito.
Mas enfim…
Vi, li e não gostei. Por isso falo prá vocês.
Como já devem estar carecas de saber, entre quinta e sexta me atualizo com as revistas que chegam à banca.
Para algumas, dou uma atenção especial, outras simplesmente folheio. Pois foi em uma destas que eu leio de cabo a rabo, (embora não seja uma daquelas endereçadas ao público ao qual pertenço), que me provocou um estado de decepção enorme.
Já aviso que não estou questionando a qualidade das fotos, a modelo, as peças de roupa objeto da matéria, etc. O que questiono é a indução que a matéria pode sugerir.
São fotos em que a modelo apresenta lingeries, e a locação é onde? Num estacionamento de caminhões. Falam em sedução, vida bandida e outros que tais.
A revista é direcionada prum publico mais jovem. Aí, pergunto.
Com tanto trabalho que se está fazendo prá ver se diminuimos a pedofilia neste país, e me vem uma revista (que eu li desde o 1º numero) e me faz um desserviço deste? Desculpe, mas estamos vendo tanta propaganda pedindo aos caminhoneiros que se conscientizem deste problema, estamos tendo bastante ajuda deles, e fazem isso?
Depois querem o que, colocando garotas seminuas, em poses sensuais exatamente num pátio de caminhões? Despertando desejos?
Poderiam ter usado outra locação. Pena, pena mesmo.
Aliás, mais que pena. Estou é com raiva, mesmo.
Acabo de me atualizar nos assuntos novelísticos, belezísticos, fofoquísticos e afins contidos nas revistas semanais que chegaram ontem. Algumas também mensais, estas, porém, são um pouco mais sérias, digamos assim.
Mas o que interessa neste momento, estava escrito, eu li, e li duas vezes prá ter certeza. A consulente (que palavra, credo) perguntava o que deveria fazer prá “apimentar” a comemoração pelo aniversário de 10 anos de casamento. Hã? Como assim… Me abana, não estou entendendo.
Será que ela não tem nenhuma idéia?
O que será que ela fez nestes 10 (DEZ) anos?
Se ela precisou pedir ajuda, prefiro nem pensar o que se passou neste tempo. Ou o que NÃO se passou.
Tenho pena. Dos dois.
Dela e do marido.
Neste fim de semana, como em todos os outros, eu estava colocando a leitura de revistas em dia (muitas revistas, diga-se de passagem), e me cai em mãos a nº1 da Luluzinha teen.
A Luluzinha era um gibi (palavra antiga, mas para a qual ainda não surgiu uma melhor) do meu tempo. Aquele meu tempo, lembra? Naquele tempo, eram poucas as publicações que podiam ser lidas por meninas. É, tinha disso, sim. A grande maioria era de gibis voltados para o público masculino. Não que a gente não espiasse, às vezes, mas era tudo na maior moita.
Pois bem, a Luluzinha era mais prá nós, as meninas, embora tivesse lá a turma dos meninos, com seu clube secreto e tal.
Bastante tempo depois, começaram a aparecer outros gibis, e finalmente, a Mônica e sua turma. Eu sempre gostei de ler as revistinhas.
E naturalmente quando começaram a pipocar os gibis com os personagens teen, me joguei na leitura.
E daí? E daí que fiquei triste.
Com a turma da Mônica, levei um choquinho, por assim dizer. Mas foi somente no início. Talvez por perceber que, como a turminha, meus próprios filhos também cresceram. Mas as características das personagens foram mantidas. A Mônica continua dentuça, o Cebolinha com o cabelo espetado, A Magali tendo seus arroubos de fome e o Cascão com seu cabelinho de impressão digital, dentre outros da turma.
Todos cresceram, mas mantiveram suas características.
Porém, ah, porém, com a turma da Luluzinha, o papo foi bem outro. Já li em outros blogs algumas opiniões iguais às minhas, assim como li algumas elogiando as alterações. Mas, sinceramente, acho que quem elogiou foi a turma” mais nova”.
Aqueles que viveram a época mais antiga, acho que não gostaram. Afinal, cadê o cabelo enroladinho da Lulu e a barriga do Bolinha, por exemplo? Aí estava parte da personalidade deles. Como que a Lulu agora tem o cabelo mais solto? Faz o que, relaxamento? e o Bolinha, sarado, barriga tanquinho?
Me poupe. Este gibi/mangá não deu prá engolir. Parece que fizeram questão de acabar um pouco com a minha infância.
Vou continuar com a Turma da Mônica, eles permaneceram mais autênticos, em que pese todas as modernidades e doideiras pelas quais estão passando. Mais gostoso.

turminha da Mônica, Bolinha e Luluzinha
Eu achei.
Aliás, quando chega a próxima revista da Mônica teen?
Peraí. Tá bem. Vou ler a próxima da Luluzinha também. Vou tentar. Mas se continuar não gostando, desisto.
Não vou trair minha infância. Me nego a isto.
Quero a Lulu de cabelo enroladinho e o Bolinha, bolinha.
Falei.
Nestes últimos dias, precisei acompanhar uma parente próxima que precisou ficar internada num hospital.
Decididamente depois destes dias, passei a valorizar muito as pessoas que acompanham enfermos em geral.
Foi uma experiência que eu diria, nada agradável. Talvez por causa da minha idade (porque sempre fui escalada nestas situações, pela minha facilidade em ficar alerta, mesmo no período da noite), desta vez a coisa foi braba.
Foi muito ruim, mesmo.
Mas andei questionando a turma da enfermagem (pessoal muito desvalorizado, que não tem o reconhecimento que merece, diga-se de passagem), e até estas pessoas falavam a mesma coisa. Praticamente todos que ficam internados ficam muito chatos.
Quem eu estava acompanhando, também ficou, e muito.
Naturalmente que às vezes a chatice vem da própria debilidade física, que gera também uma debilidade emocional. Mas muitas vezes não é isto. A internação só faz exacerbar o que a pessoa é.
Caramba. É como se não existissem outras pessoas no mundo, e que o problema de cada um seja sempre maior do que o do outro.
Sim, já fiquei internada, e muitas vezes. Muitas mesmo. Mas eu sempre evitei me sentir a mais sofredora das pessoas, até porque acho que o meu problema sempre é menor que o do meu vizinho do quarto ao lado. Mesmo que muitas vezes não seja.
Já estive em UTI, sei o que é. Mas mesmo lá, mesmo estando completamente entregue a tubos, sempre tem alguém pior que a gente.
E se pensarmos que vamos ficar bem, aconteça o que acontecer, já teremos andado meio caminho para a cura. Ou pelo menos para a melhora.
Quem se entrega tem mais chance de ficar pior. Porque o organismo não reage. E nem a cabeça.
Eu não me entrego. Nem sob suspeita de câncer. O que não ocorreu somente uma vez, na minha vida. Mas sigo firme.
Sempre achando que, aconteça o que acontecer, amanhã o dia será bem melhor. E o outro, melhor ainda.
Sempre otimista.
Sempre olhando prá frente.
Sempre olhando pro alto.
E sempre agradecendo a Deus.
Até.
Sempre disse que não gosto de shopping. Não gosto de supermercado (hiper, então, nem pensar). Não gosto de fazer compras.
Mas ontem resolvi me desarmar, e ir às compras. Marido, filhos e eu.
E não é que foi bom?
Passamos incríveis quatro horas experimentando roupas. Isto mesmo, quatro longuíssimas horas entrando e saindo de provadores. Foram calças, camisetas, camisas, vestidos e até sapato.
Não, não foram compras fúteis. Os tempos não estão prá isto. O meu tempo e o meu dinheiro, pelo menos, não.
Foi necessidade mesmo.
A gente aguentou até onde pode. Mas quando alguém não identifica direito se a camiseta é cinza claro ou cinza desbotado, opa epa. E o marido tendo que frequentar lugares mais formais em função da profissão, chegou a hora de rever conceitos.
Gosto de usar as roupas e sapatos até que cheguem no limite. E este limite tanto pode ser o desgaste natural das fibras, quanto o limite do corpo. Isto é, se a gente emagrece, aperta a roupa e tudo bem. Mas se a gente engorda (o que é muito comum depois dos 50 anos), fica muito difícil emagrecer. E alargar roupas nem sempre é possível. Este é o limite do corpo.
Nossa tarde foi boa.
Eu, particularmente, precisei provar somente tres peças, das quais só comprei uma. Mas ficou linda.
Os outros passaram bastante tempo provando.
Depois de tudo, um lachinho muito gostoso, com tudo a que todos tinham direito.
Uma tarde inteira em família, comprando roupas, comendo, andando (todos chegamos com os pés doendo em casa), foi uma coisa maravilhosa. Temos sorte por poder fazer isto numa quinta feira. Não são todos que podem fazer isto. Que bom que pudemos fazê-lo.
Todos dormimos cansados, mas a partir de ontem, acho que comecei a ver sessões de compras com outros olhos.
Acho que vou visitar shoppings mais vezes.
Me aguardem.
Deixei passar um tempinho, depois do carnaval, prá não dizerem que estou perseguindo alguém.
Quando eu era beeem pequena, gostava de carnaval, daqueles de salão, as famosas matinês. Eu ia normalmente com minha tia, a queridíssima tia Cléa. Ela ia nos bailes da AABB e levava, junto com os três filhos, todos os sobrinhos que conseguia enfiar no carro. Era maravilhoso. Ela nos pagava até lanche. Sandubas e refris. Muitas das vezes, balas, chocolates e tudo que poderia agradar ao nosso paladar da crianças. Foi uma época muito legal.
E os bailes eram outra coisa. Aquelas marchinhas eternizadas na voz de grandes cantores… Músicas que até hoje estão na boca do povo.
Mas eu sempre gostei também de ver os desfiles de escolas de samba pela televisão. Como tenho claustrofobia e outras fobiazinhas mais, prá mim, mais de dois é multidão. Então, ir a um sambódromo, nem pensar. Fico mal só de pensar. Então, desde sempre, o negócio é acompanhar pela televisão.
Vejo os desfiles até aguentar. O que não consigo ver no dia, vejo o compacto depois, no outro dia. Que sempre passam um compacto.
Também fico estática na frente da televisão aguardando a apuração do resultado prá saber quem foi a campeã do ano. Não torço por nenhuma em especial, todo ano mudo. Sou politicamente correta. Acho. Torço pela que eu achar que foi melhor no ano. E torço mesmo. Gritando, aplaudindo votos, sofrendo junto com a comunidade que escolhi.
Mas últimamente, uma coisinha tem me chamado atenção.
Vocês já repararam nas mãozinhas das passistas atuais? Por atuais quero dizer estas que foram descobertas mais recentemente. Estas que vivem esculpindo o corpo em academias e/ou consultórios médicos.
Vocês já prestaram atenção nas mãos delas?
Praticamente todas tem a mesma postura de mãos e dedos.
O mindinho sempre flexionado para cima, como a mostrar uma feminilidade e uma leveza que muitas vezes o corpo cisma em não acompanhar.
As passistas, rainhas de bateria, madrinhas etc, até algum tempo atrás não tinham esta mesma preocupação, e no entanto, sambavam com uma leveza absolutamente natural. Vejam, só por exemplo, a Luiza Brunet e a Luma de Oliveira. Ambas mantem a mesma postura de mãos e se mostram levinhas, levinhas. Mesmo que uma foto ou outra mostre um pouquinho daquela celulite que insiste em não abandoná-las. Quanto às garotas que eu denomino “fabricadas”, não tem jeito. Parece que todas aprenderam a sambar vendo o mesmo vídeo. Todas rebolam do mesmo jeito. Todas olham do mesmo jeito. Todas sorriem do mesmo jeito.
Ver uma, é ver quase todas. Até as pernas abundantes de músculo, porque este ano, por exemplo, foi das musculosas. Porém, quem mais apareceu, foi exatamente quem tinha menos músculo, como a Paola de Oliveira, por exemplo.
Tudo bem, buscar um aprendizado maior, buscar outras fontes de conhecimento, ok.
Mas precisava ser todo mundo no mesmo lugar?
Precisava ser tudo clone?
Precisava?
Estava eu no meu cantinho, pensando na vida (oh, céus), quando chegaram alguns amigos, em altos papos.
O assunto? O exame de ordem da OAB. Aqui em casa passamos pelas dores deste exame, e graças a Deus o parto foi um sucesso.
Meu marido passou, e hoje o bebê vai bem, obrigada.
Mas voltando ao tema.
Eu sempre estranhei muito o fato de que o nível de reprovação neste exame é muito alto. E sempre pensei se a culpa não seria das escolas/faculdades que deveriam estar preparando mal seus alunos.
Pois muito bem. Ontem tive os primeiros indícios de que a verdade não é bem esta.
Algumas observações feitas pelos meus amigos começaram a me situar no que de fato acontece.
A cada vez que se realiza um exame de ordem, um edital é publicado com todas as instruções referentes ao certame.
Pois bem, em que pese praticamente todas as possibilidades, permissões e restrições estarem relacionadas, parece que muita gente não presta atenção no que lê. Ou lê e não entende.
Eis algumas situações que se apresentaram e que não consigo admitir, pelo menos não para pessoas que já passaram por uma faculdade, se formaram, e tem, então, um certificado de nível superior.
Foi colocado que a caneta para o preenchimento das questões deveria ser com tinta preta, com o corpo transparente. E o que foi visto? Muitos com caneta azul, corpo leitoso. Por favor.
Falaram no edital sobre relógios, celulares, máquinas em geral, e mesmo assim, muita gente insistiu em tê-los sobre as mesas, e não colocá-los dentro dos envelopes fornecidos pela organização do evento.
A identidade deveria permanecer SOBRE a mesa, à vista total e sem impedimentos do fiscal. Pois bem, várias pessoas a colocaram SOB o envelope, e até dentro deste. Imaginem, profissionais que um dia terão que redigir algo para ser apresentado ao juiz, e que não sabem a diferença entre sobre e sob. E num processo, colocar que alguém se jogou sobre ou sob um bandido, fará toda a diferença, ou não?
Muita gente questiona se todas as normas e exigências do exame não seriam as responsáveis por tanta reprovação. Acho que não. Por que quem cursa direito, sabe que é uma profissão que exige todo um ritual, normas, termos clássicos, enfim, uma profissão bem formal.
Realmente, o conhecimento destas situações me deixou muito triste, antes de qualquer coisa.
No meu tempo (de novo, ai Deus) a gente não somente lia, mas também interpretava textos. E as notas incluiam a interpretação.
Eu não sei bem o que anda acontecendo neste campo nas escolas, porque, como sempre gostei de ler, procurei incutir este gosto em meus filhos. Então eles leem, muito, e procuram interpretar bem. E se não conseguem entender, procuram quem os ajude.
Será que isto explica que os grandes advogados estão começando a rarear? Aqueles com um vocabulário completo ao falar, inclusive, não simplesmente aquele vocabulário copiado de livros para formar os processos?
Hoje percebo, até em blogs mais específicos, que a dificuldade com a nossa lingua é grande.
Então, me penitencio com relação aos cursos de direito. O que está havendo, muitas vezes, é o total desleixo de alguns alunos com o estudo. E, infelizmente, este desleixo é de tal ordem, que eles nem ao menos se tocam.
Coitados de nós, se viermos a precisar de um deles no futuro.