Arquivos da categoria: Comportamento

Álcool e filhos

Decididamente, não entendo mães que bebem ‘todas’, tendo filhos pequenos. Seja em casa, seja em qualquer outro lugar.

Embora possa parecer menos problemático beber em casa, fico aqui imaginando o que deve passar na cabeça de uma criança vendo a mãe ficar sem noção das coisas. Se a bebedeira for fora de casa, como as crianças veem a mãe chegar no estado em que chegam? Será que elas pensam que a mãe foi a algum lugar perigoso?

Sei lá, seja qual for a situação, em casa ou na rua, e a responsabilidade da mãe, como fica? Porque acidentes, urgências ou emergências ocorrem. E se a criança precisar de alguma coisa, e a mãe está tonta? Como irá socorrer? Como irá atender um pedido?

Decididamente, não entendo. Não entendo e não aceito isso.

É mãe? Seja responsável. O futuro de uma criança se sedimenta no presente.

E claro, tudo o que falei acima, se aplica aos pais também, que afinal, são tão responsáveis quanto.

Mania de qualificar as pessoas? Ou seria preconceito?

Por estes dias, está ocorrendo aquele evento famosíssimo de moda.

Daí, lê-se as notícias sobre os chiques, os famosos, os ricos, os poderosos e as figuras que desfilam.

E a gente começa a ler coisas como: “Fulana, transexual, irá desfilar pela grife tal…”, ou “Sicrano, astro de H, trouxe a família..”, e coisas do gênero. E em muitos outros comentários, percebe-se, lá no fundinho, aquele preconceito velado, aquela coisa que as palavras, mesmo bem escolhidas, deixam à mostra.

Que me importa se a Fulana é transexual, bi, tri, homo? Ela está aqui prá desfilar, certo? Desfila bem? Então porque simplesmente não falar da forma como ela desfila, de como apresenta uma roupa? Por que dar a ela a qualificação sexual? Isso fgaz diferença na qualidade do seu trabalho?

Estou me atendo neste post mais a qualificação sexual que as pessoas impõem a outras. Mas isso se aplica a muitas situações. Muitas vezes uma pessoa deixa de ser valorizada pelo que faz, pelo que pensa, pelo que é. Tudo em função de um título que lhe é dado para descrevê-la.

Não estou falando aqui de profissões/ocupações. Se alguém é bibliotecário, fisioterapeuta, juíz, gari, motorista, isto é outra coisa.

Prá mim, as pessoas são o que são. E ponto. Sem titulos desnecessários…

Escambo. Por que não?

Segundo o dicionário, ESCAMBO significa uma troca de bens ou serviços sem intermediação de dinheiro.

Aqui em casa, este sistema começou a ser usado com meu marido. Sempre fiquei impressionada com a forma como ele consegue ‘trocar’ tudo. Sabe aquela esteira elétrica que foi comprada porque a gente jurou que ia usar e só serviu de varal prá toalha úmida? Pois é. A esteira se transformou num aparelho de DVD ultra moderno, no tempo em que DVD ainda era um bicho bem caro.

Desde sempre, ele procurou fazer trocas. Foram muitas, mas muitas mesmo. Televisão, aparelho de som, DVD, móveis, etc, etc, etc…

imagem tirada da internet. não tinha a autoria dela.

Depois de um tempo, desde quando ele se tornou autônomo, percebemos que algumas pessoas precisavam dos nossos serviços. Porém nem sempre tinham condições de pagar por eles, mesmo que fosse parcelado. Daí que pensamos: por que não?

E passamos a fazer alguns trabalhos em troca de produtos.

Naturalmente que os produtos que nos oferecem tem que ter alguma utilidade para nós. Isto tem acontecido. E dentre as muitas coisas que já “escambamos”, uma nos é muito especial. Peixes. Peixes fresquinhos que nos são entregues diretamente pelo pescador prá quem realizamos um trabalho. Não sei, pq ainda não fui confirmar. Mas deve estar acabando o prazo do ‘pagamento’. Acho que vou pedir a ele que continue a trazer-me os peixes sempre, agora pagando, claro.

As pessoas deviam procurar usar mais esta forma de ‘comércio’. Tem tanta pessoa que pode trabalhar e tanta precisando que se faça um trabalho, mas não tem condições de pagar em dinheiro.

Basta observar bem se o trabalho que a gente faz não pode ser pago de outra forma que não em dinheiro. Vai ser muito interessante observar que sim, isso é possível.

E a gente descobre tanta coisa que pode ser usada como pagamento. Como os peixinhos deliciosos…

Solidão diária. Ou não…

Moro neste apartamento há mais de quatro anos.

Desde o primeiro dia aqui, todos os dias (exceção pros dias de temporal), eu vejo este barco de pesca passar.

Vai no sentido de Porto Belo, retornando pouco tempo depois. Na volta bem aqui em frente à minha rua, ele muda o rumo e vai em direção do alto mar. Dali, depois de alguns metros, quando ele fica bem pequenino no horizonte, ele vira à esquerda e continua em frente até sumir da minha vista.

Já fotografei este barco inúmeras vezes, e mais vezes ainda já pensei em como será a vida da pessoa que o conduz. Porque ele passa o tempo todo sozinho. Dá de ver que é somente uma pessoa. Solitária.

Será que a companhia dos pássaros que o seguem na volta, quando ele já arrebanhou os peixes com a rede lhe é o suficiente? Será que esta  imposta solidão tem algum motivo maior? Será que é uma pessoa que é, ou vive sozinha, e por isso a solidão não lhe incomoda? Ou será que a pessoa tem uma família mas ninguém da família quis seguir o caminho dela?

Sei lá, mas eu sempre me interrogo.  Já cheguei a pensar em tentar encontrar esta pessoa, perguntar-lhe pessoalmente estas coisas. mas cadê coragem?

O Lord quase inglês

Era uma vez, numa papelaria que não existe mais, tres funcionárias. Na verdade, duas funcionárias mais a dona que adorava ficar trabalhando também. Eu.

Durante um certo verão, apareceu um homem prá comprar jornal. Mas o homem era algo assim, uma mistura de Richard Gere com o cara do Indiana Jones e com os olhos do Brad Pitt, sabem como é? A voz era uma mistura perfeita de Cid Moreira, William Bonner, Andréa Bocelli e Luciano Pavarotti. Nossos maridos que nos perdoassem, mas o homem era muito bonito, mesmo.

Ele chegava ora num carro importado, ora de bicicleta. Sempre bem vestido e perfumado. Nos falava bom dia, e o nome do jornal. Só isso, Somente isso.

Depois de um mes, ele já sorria. Atendê-lo era por escala. Cada uma num dia. (risos). E o tempo foi passando. E aquele a quem chamávamos de O Lord inglês, foi se abrindo um pouco mais. Além do bom dia, nome do jornal e o sorriso, ele já nos perguntava como estávamos. Ohhhh

Mas eis que um dia…

O Lord chegou, perguntou se conseguiríamos prá ele o telefone para atendimento de assinante de um determinado jornal. Naturalmente que fomos pesquisar, achamos e o demos a ele.

Aí deu-se a decepção. O Lord começou a falar palavrões. Mas aqueles palavrões impublicáveis. Sabem, né? E reclamando que o jornal que ele assinava não estava sendo entregue, que o jornal ia ver só, e trololó e tralalá, e dá-lhe palavrões…

Ai céus. Lá se foi o Lord quase inglês.

Conhecemos o sapo brasileiro. Daquele bem cururu, sabem qual é? Aquele bem feio, das histórias infantis.

E naquele dia, precisamos nos reunir prá confirmar a escala de atendimento, porque a partir daquele dia, quando o sapo aparecesse na porta, iria ser uma corrida só prá fugir de atende-lo.

Nosso Lord quase inglês tinha virado um sapo cururu…

Eu? Pré julgando? Eu?

Pessoas queridas.

No sábado passado, dia 25, houve em Balneário Camboriu um encontro de blogueiras. (pessoas que mantém um blog, como este aqui)

Passamos uma tarde linda, muita conversa, conhecimentos trocados, sorteios, brindes, um coquetelzinho, enfim, tudo muito legal.

Porém, e sempre há um porém, ao chegar em casa, uma coisa chamou-me a atenção.  Conversando com minha filha mais velha, que também foi ao encontro, começamos a falar sobre as pessoas que lá se encontravam. E neste conversar, fui percebendo que, sem mais nem menos, sem razão alguma, eu havia feito pré julgamentos de algumas pessoas. E pior, percebi que estes pré julgamentos quase descambavam prá um preconceito. Meu Deus. Justo eu, que sempre fui contra toda e qualquer forma de preconceito com as pessoas, percebi que simplesmente eu aliviava o que sentia ao ver algumas pessoas.

Porque eu via quase todas aquelas que estavam super maquiadas, super bem vestidas, super lindas de uma forma quase caricata. Como se elas fossem aquelas burrinhas que se vê em filmes, sabem?

Não tenho motivo algum prá invejá-las. Poderia andar super maquiada, super bem vestida, ser um pouquinho mais bonita. Mas não sou assim. Sou, hoje, mais voltada pro ‘visto o que me dá na telha na hora’ do que pela moda ou outra coisa qualquer. Mas daí eu julgar as outras pessoas pelo que eu penso e quero prá mim não é certo.

Conheci duas meninas, e não vou citar-lhes os nomes pois me envergonharia quando as encontrasse de novo, que quando as olhei imaginei que, ao abrir a boca, delas só ouviria sandices ou inutulidades e futilidades. No entanto, as meninas demonstraram um conhecimento tão grande dos assuntos que fiquei boquiaberta.

Pré julguei, e quase perdi a possibilidade de conhecer as pessoas maravilhosas que conheci.

Peço perdão a elas, mesmo que elas não saibam quem são. Mas eu sei.

E a partir de sábado, tomo muito mais cuidado com meus pré julgamentos.

Foi um baque grande. Mas que serviu prá que eu me conhecesse melhor. E percebesse o grande erro que cometia. Mesmo que sem perceber.

Bom que tudo aconteceu agora. Porque antes tarde do que nunca, não é?

4000 km prá que mesmo?

Embora tenha um quê de surreal, esta história aconteceu de fato.

No dia das mães de 1993, recém chegados a uma cidade no oeste de Santa Catarina, fomos convidados a almoçar na casa de um colega de trabalho a quem ainda não havíamos sido apresentados, visto que ele havia chegado de férias naquele fim de semana.

Fiz um prato, que não lembro qual (porque não gosto de chegar na casa de alguém de mãos vazias), e fomos ao bendito almoço. Em lá chegando, fomos recebidos muito bem pela dona da casa. Porém seu marido, mostrava-se extremamente irritado. Sabe quando fica um clima meio estranho, um mal estar geral? Pois bem, este era o clima.

Com o tempo passando, e depois de uma boa quantidade de vinho e cerveja, o anfitrião começou a falar. E falou muito.

O motivo de tanta irritação? Bem, meu marido é cearense. E o rapaz tinha acabado de chegar de onde? Do Ceará. E começou a explicação.

Ele estava deveras irritado, pois, ao chegar a Fortaleza, ele não tinha conseguido achar uma churrascaria decente prá comer um churrasco bem gordo. Eu juro. Eu quase caí da cadeira. Faltou pouco. E não me contive. (e por isso passamos quase 3 anos trabalhando juntos sem nos tolerarmos muito).

Perguntei prá ele qual era o sentido de alguém se dispor a viajar quase 4000 km de ônibus (excursão), ir prá uma cidade litorânea, em que o forte gastronômico é frutos do mar, e querer comer somente churrasco gordo? Como assim? Onde estava a lógica disto? Seria como um cearense vir prá cá e pedir prá comer somente lagostas maravilhosas como as de lá, que aqui não tem mesmo. (sou daqui e afirmo isso).

Eu ainda argumentei com ele que em Fortaleza havia muita churrascaria boa, nós mesmos conhecíamos várias. E ele nos contra-argumentou que até tinha, mas as carnes não eram gordas o suficiente.

Realmente não entendo como alguém passa tanto tempo na estrada, e quando chega ao seu destino, ao invés de procurar conhecer os costumes, cores e sabores do local que está visitando, não aceita se desapegar do que deixou em casa. Francamente, viajar tanto prá comer o que como em casa? E ainda falando mal do local visitado?

Então prá que, hein? Que fique em casa, não atrapalhe os outros (porque ele passou a viagem toda enfezado), economize o dinheiro da viagem, e continue na sua ignorância cultural.

mini churrasquinho de inverno. em 2010.

Ps.: esta foto aí de cima é de um churrasquinho feito num dia super frio, e é só prá dar uma vontadezinha em todo vocês.

É assim…

Comecei a escrever neste blog há bastante tempo. Mas nunca havia me preocupado muito em divulgá-lo, porque pensava, como objetivo, que ele serviria tão somente prá que um dia meus filhos, ou pessoas que tivessem passado pela minha vida, pudessem ter uma melhor idéia do que eu sou ou penso.

Mas há poucos dias, algo estalou na minha cabeça.

assim se deu o estalo. ou quase.

Percebi que estava sendo extremamente egoísta em não divulgar meus escritos. E explico.

Eu leio muitos blogs, muitos mesmo. E um aparte: somente agora também percebi a importância que tem para alguém que escreve, saber que outros o leem. Por isto tenho me cadastrado nos blogs que ando lendo. Mas voltando. De muitos destes blogs que leio, sempre tiro alguma coisa para a minha vida. São informações, conhecimento, palavras que já me ajudaram muito.

Então, por que eu não deveria fazer o mesmo? Pois, de repente, uma palavra minha poderia ser importante para alguém. Um pensamento poderia desencadear uma atitude que poderia dar um novo impulso à vida de alguém. Não é prepotência ou altivez de minha parte. É a simples constatação de que se tantos me ajudaram, por que eu não poderia também ajudar alguém?

E daí que decidi abrir a guarda.

Mudamos o aspecto do blog, ele ficou levinho e clarinho. Do jeitinho que eu sempre pensei.

Colocamos a possibilidade de as pessoas se cadastrarem para me seguir e receber mensagem avisando de novo post.

Este estalo foi incrível. E eis-me aqui, colocando-me à disposição de todos.

Terei um imenso prazer em receber seus recados, e sempre que possível, irei respondê-los.

Obrigada por me lerem…

A rainha e as outras

Já falei em outros posts que adoro revistas antigas. Mais ou menos antigas, tanto faz.

E há uma que gosto, particularmente. É a revista Telva, uma revista das ditas ‘femininas’, editada e publicada em Espanha.

Pois bem, revendo uma das edições, a de novembro de 2008, nr. 835, edição comemorativa dos 45 anos da revista, uma foto me chamou a atenção.

Numa determinada reportagem, foram fotografadas mulheres que fizeram parte da história da revista e tal, e uma das primeiras fotografias era da rainha Doña Sofia, de Espanha. Maravilhosa, com um lencinho preso na cabeça e uma bata daquelas bordadas à mão. Majestosamente simples. Maravilhosa. Mas nem por isso menos “real”. Em seguida, muitas fotos de outras mulheres, mas estas, ai meu Deus, mais peruas e bossais impossível. A grande maioria em vestidos carésimos, profusão de jóias, cabelo absolutamente arrumado. Chiques? Talvez.

E aí, comparando, a simplicidade de uma verdadeira rainha (em seu mais puro sentido) e a altivez de mulheres que se acham majestades, e que pensam que o dinheiro e o poder lhes conferem realeza, pode-se perceber que a nobreza está no comportamento, no caráter, na humildade em saber viver.

Parabéns à rainha Doña Sofia. E se eu já a admirava, passei a admirá-la mais ainda.

Chique no último, como diria alguém…

capa da ed.835 da Telva e a foto de Doña Sofia que me impressionou

Só um fone de ouvido?

Minha filha acabou de chegar e me trouxe um fone de ouvido. Um daqueles como o que telefonistas usam, externo. Porque aqueles pequeninhos comigo não dá certo. Eles não prendem na orelha, caem toda hora, e eu vou ficando braba.

E daí, jacaré? Daí que agora vou poder ouvir as músicas que quiser, sem atrapalhar o ser vivente que estiver ao meu lado, querendo, por exemplo, ouvir/ver televisão.

Vou poder ouvir bem alto (embora seja mais adepta de um som baixinho), todas aquelas músicas chorosas que amo. Todos os pianos tocados bem ou mal, todos os chorinhos, todos os cd’s do André Rieu (que eu ouço todo santo dia, e que estou ouvindo agora, por sinal), Andrea Bocelli…

Liberdade, teu nome é fone de ouvido…

E que não toque o telefone ou alguém clique a campainha agora, porque não vou escutar mesmo.

Agora sou só eu e minhas músicas.

Pronto.