Balões de fim de ano

Demorei mas voltei.

Este período prá mim é meio estressante. Ficar do lado de dentro de um balcão (e isto será motivo para outro post), atendendo pessoas muitas das vezes sem noção, é de estressar qualquer um.

Principalmente no último dia do ano.

Mas o mais interessante é a turma dos balões.

Eles, os balões, já ficam estrategicamente colocados de tal forma que basta um movimento para acessá-los.

Neste ano de 2008, por exemplo, separamos por cor, em várias caixas e bastava estender o braço para pegar as cores que os clientes queriam. Tínhamos à disposição balões brancos (o mais pedido, naturalmente), vermelho, amarelo, azul claro e escuro, verde claro e escuro, rosa, laranja, saquinhos com as cores misturadas, e até preto, para os mais ousados.

Pois bem, não raras foram as vezes que aconteceram coisas como as que vou descrever.

Entra alguém e pergunta as cores que tem. Desfiamos a cantinela com todas as cores já citadas. E a pessoa pede diretamente branco. Eu pergunto, por que não entrou e perguntou diretamente se tínhamos balão branco? Acho que não, porque ficariam sem ouvir nossa maviosa voz ditando todas aquelas lindas palavras, vermelho, branco, amarelo….

O seguinte nos pergunta o que quer dizer o cartaz colado no vidro da loja: Temos balões. Como assim? Alguém não sabe o que são balões? Ok. Balões são bixigas de encher com gás. (Bixigas com i, mesmo) Ah, sim, mas eles não querem não. Tá muito caro.

Outro pergunta pelas cores, naturalmente, e pede 5 de cada cor, menos o colorido. Espera que peguemos todos os saquinhos, espera que o balcão esteja absolutamente cheio, então vem o tiro: “ah, mas eu quero 5 balões de cada cor, e não 5 saquinhos de cada um”. Aham, como? Primeiro espera a gente tirar 5 sacos de balão de cada caixa, prá depois dizer que quer somente 5 unidades de cada? Mas a gente só vende o saquinho fechado. “então tá, não vou levar, não”. Nenhum.

E quando, lá pelas 23 horas, acabaram os balões brancos, amarelos e vermelhos, alguém entra e pede balão branco. Desculpe, senhora, mas balão branco acabou. Agora temos somente verde, azul, rosa, preto e multicoloridos. E vem a pergunta fatal: “tem vermelho?” Não senhora, somente verde, azul, rosa, preto e multicoloridos. “Ah, tá. Mas tem amarelo?” Não, senhora.  Somente verde, azul, rosa, preto e multicoloridos. “ah, então vou levar prata.”  Jesus Cristinho. Repitamos as cores. Senhora, prata não tem, também… “moça, então escolhe qualquer um. Ou melhor, me ve um saquinho verde e um azul.” Céus, finalmente.

Cês tão rindo, é?

Imaginem as cenas sendo repetidas 10, 15 vezes em plena noite da virada do ano. Os filhos e a ceia esperando em casa. Tem que passar na padaria prá pegar o chester que ficou assando lá (santa ajuda), tem que encher balões, que nós somos os últimos a encher balões na nossa rua, é tradição ( eheheh), pendurar, tomar um banho prá entrar o ano cheirosinho, cheirosinho, e ainda estar com cara de quem passou as últimas horas quase descansando.

Por favor, compradores de balões de fim de ano. Na próxima vez que forem comprar seus balões, PELAMORDEDEUS, peçam direto pela cor, e, se não tiver mais a da sua preferência, prestem atenção no que está lhe sendo oferecido. A cantinela das cores é desgastante, e prá quem está do lado de dentro do balcão, fica ainda a sensação de que esteve falando prás paredes, e isto, convenhamos, em pleno dia 31 de dezembro, seja de que ano for, ninguém merece.

Embora tardio, um lindo ano prá vocês.

E fiquem em paz.

Que eu vou tentando.

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