A força dos novos. A força dos velhos.

Dia 17 de setembro compareci a um Recital Musical, em comemoração ao primeiro ano de existência de uma escola de música.

Colaborou muito prá esta minha ida, o fato de meus dois filhos menores estudarem nesta escola. Estudam teclado. E adoram. Nunca, jamais, em tempo algum eu poderia faltar a este compromisso. (Bom, Deus, se quisesse, me faria faltar. Mas Ele não quis isto).

Pois bem,  a gente sai de casa meio na base do “vou por causa de meus filhos”, mas deve ser meio sacal.

Me penitencio. Foi o máximo. Muito dez. Muito lindo. Eu diria, uma surpresa muito agradável.

Foram vários os alunos que se apresentaram. Desde crianças, pessoas com comprometimento físico ou intelectual, adolescentes e outras não tão novas assim.
Muitos erros, naturalmente. Era nota engolida sem dó nem piedade. Ritmos atravessados. Vozes meio fora do tom. Mas foi lindo.

Pela força que todos demonstraram. Foi demais. Crianças e adolescentes se esforçando, o nervosismo aparente. Bastava ver a cor de cada um. Era tudo um vermelhão só.

Os adultos, a maioria tendo a primeira oportunidade de mostrar que estão tentando. Deficientes num esforço para mexer braços ou lembrar as notas que deveriam ser executadas. E um casal de velhos.

Falo velhos porque não gosto muito do termo idoso. E aqui faço um aparte. Desculpe, mãezinha, mas não gosto, mesmo, do termo idoso. Acho que deixa a gente meio “passado”. Eu adorava ouvir a minha avó dizer que era uma velhinha legal. E esta frase me acompanhou a vida toda. Eu quero ser chamada de velha, não de idosa. Porque vou ser uma velhinha bem serelepe. E idoso não pode ser serelepe. Ele tem que ser sempre exemplar. E eu quero mais é continuar bagunçando.

Pois bem. Aquele casal de velhinhos deu um show. Vocês não tem noção. Era um desencontro só. Ele corria com seu saxofone (acho que era um sax), e ela calmamente no teclado. O professor a ajudava um pouquinho. Mas o velhinho nem aí.

Porém, quando eles acabaram, foi um aplauso só. Porque todos sabiam o esforço que tinham dispendido para aquela apresentação. A força de vontade que mostraram. Até agora me arrepio quando lembro.
 
Ao passarem pela mesa onde eu me encontrava, os parabenizei, e ela, muito feliz, me disse que eles estavam realizando o sonho de estudar música, e de tocar um instrumento.

Depois disto, prometi a mim mesma que, no ano que vem, deixo alguma coisa de lado. Mas vou tocar um instrumento. Qualquer que seja. Talvez comece pelo teclado, porque quando eu era novinha, estudei um pouquinho de acordeon (era chique prá caramba, pelos idos do início de 1960, tocar acordeon). Para o ano que vem, me aguardem.

Depois da primeira aula conto tudo.

Sei que vou conseguir. Porque tenho os velhinhos como exemplo. Se eles conseguiram, vou conseguir também.

Ninguém me segura. Professor, aí vou eu.

E que Deus proteja os seus ouvidos.

2 pensou em “A força dos novos. A força dos velhos.

  1. oi. muito obrigada pelo comentário. é que tem um detalhe. não tenho mais costado prá aguentar o peso de um acordeon. sabe, né? DNA antigo dá nisso. Mas que acordeon é lindo, é. Principalmente vermelho, que era a cor do meu, que era pequeninho, mas me deixou saudades.

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