Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.

Archive for fevereiro, 2010


Minhas matrioskas

fev 14, 2010 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Euzinha

minhas primeiras matrioskas

Faz um tempo, mais ou menos um ano, que ganhei este conjuntinho de matrioskas da minha filha.

Sempre fui apaixonada por estas bonequinhas, mas nunca havia comprado uma.

Acho que no fundinho, o que eu queria era ganha-las, pelo que representam prá mim.

Matrioskas são mães, que carregam em seu ventre outras gerações de mães. Pelo menos é isto o que significa prá mim.

Gostaria que estas primeiras bonequinhas fossem as primeiras de várias.

Vou torcer prá isto. Nem que eu mesma tenha que compra-las.

A cafeteira da minha mãe

fev 2, 2010 Author: Beth Pinheiro | Filed under: Euzinha, Geral

a cafeteira da mãe e a xicrinha da vó

a cafeteira da minha mãe

Minha mãe querida faleceu há 3 meses. A dor ainda é imensa. Quem já passou, sabe o que é.

Ela nos deixou alguns bens materiais, coisa pouca pro bando de filhos (oito). Nada de valor extremo.

Mas eu pedi, meus irmãos concordaram, e eu trouxe prá mim uma cafeteira pequena, meio acabadinha, manchada, mas que prá mim, tô considerando um verdadeiro troféu.

Minha mãe era uma cientista social. Participou inclusive da elaboração do Estatuto do Idoso. Quando ela morreu, as bandeiras da Universidade Federal de Santa Catarina ficaram a meio mastro (ela foi professora e criadora de um Centro, lá), o que muito nos honrou.

E, talvez por isto mesmo, por trabalhar tanto com o cérebro, a parte dona de casa, digamos assim, era um total fracasso. Sabem aquela coisa de “comidinha da mamãe?” conosco não teve. Minha mãe era uma cozinheira sofrível. Mas quando ela punha uma coisa na cabeça, não havia quem tirasse a idéia dela. E uma das coisas que ela certa vez decidiu, é que iria acertar fazer café. Não café feito com café solúvel. Café café, como a gente diz. E ela fez. Primeiro numa cafeteirinha elétrica, que logo foi pro espaço. Depois ela comprou a cafeteira Bialetti, que tá na foto. Daí, todos que chegávamos na casa dela, éramos brindados com um cafezinho, inho inho. Porque a cafeteira dela era a menorzinha que tinha.

Ela acertou fazer café. E se não era com aquele coador de pano, nem com o de papel, mas pelo menos o café saía gostoso.

Por isto eu quis a cafeteira. Porque ela usava com gosto. E hoje, a cada cafezinho tomado (pena que o médico tenha pedido que eu tome o mínimo possível de café), lembro do carinho dela em preparar uma das únicas coisas “de casa” que ela fazia maravilhosamente.

Obrigada, mãe, pela herança. Que prá mim, a cafeteirinha tá valendo mais que qualquer outra coisa que a senhora nos deixou.

Um beijão, hoje e sempre.