agosto 2009

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Hoje pela manhã, estávamos, meu marido e eu, assistindo ao noticiário. Naturalmente que uma das notícias dizia respeito àquele famosíssimo médico especialista em reprodução humana que se encontra preso sob suspeita/acusação de assédio sexual, estupros, manipulação genética e outros crimes praticados contra clientes que procuraram sua ajuda na clinica de reprodução humana de sua propriedade.

Mas o que quero falar não é a respeito deste monstro, não. Quero falar exatamente das pessoas que foram enganadas e/ou abusadas por este verme.

Meu marido e eu comentávamos sobre a coragem que tiveram estas pessoas que vieram a público, se expuseram, falaram e hoje tem sua revolta ouvida.

Pelo que tem aparecido na mídia, estes casos tem acontecido desde muito tempo atrás. É estranho que,já tendo havido outras denúncias, somente agora as coisas comecem a ser esclarecidas, não é?

Mas novamente, o que me levou a falar aqui, foi uma frase que meu marido falou: “Eu queria ter o dom da escrita, prá mandar uma mensagem prá estas mulheres e homens que tiveram suas vidas manipuladas e abusadas. Queria saber agradecer a eles o que fizeram, dando sua cara a tapa, falando. É muita coragem, neste país, mulheres mostrarem o rosto num caso tão absurdo e doloroso, e também os homens, maridos destas mulheres, que, se ainda estão com elas, acreditaram nelas, lhes apoiaram. E com certeza estão sofrendo junto com elas esta dor.Parabéns e obrigado a eles.”

Meu marido queria ter escrito isto, e como concordo plenamente com ele, falei que não se preocupasse, que eu, com minha voz fraca e pequena, faria isto por ele. Que hoje ainda eu tentaria gritar a todos a beleza da coragem e da dignidade destas pessoas que estão se expondo, e das que já se expuseram, e que talvez nem tenhamos ficado sabendo.

Não gosto de fazer posts em homenagem a pessoas que já faleceram. Gosto de homenagens quando as pessoas ainda estão vivas, prá que possam saber o quanto são queridas e admiradas.

Este meu post é justamente prá estas mulheres e homens que tiveram a coragem de falar, porque, com este ato, quantas outras mulheres terão sido salvas das humilhações? Quantas famílias deixarão de ser desfeitas pela dúvida, pelo que as mulheres poderiam falar? Quantos pais deixarão de olhar pros seus filhos com dúvida?

Gostaria que, embora este médico/monstro tenha muito dinheiro prá gastar com advogados, a justiça seja levada a sério. E seja feita em sua plenitude.

Mas, mais que qualquer coisa gostaria, hoje,de dar parabéns a vocês, mulheres corajosas e dignas, que com seu gesto, ajudaram a salvar muitas outras.

Parabéns.

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Até um tempo atrás, frequentávamos uma lanchonete na cidade, que servia um pastel e um sanduíche  maravilhosos. Moramos no extremo sul e a lanchonete fica no extremo norte da cidade. Mas o pastel e o sanduíche de lá compensavam a distância.

Sempre fomos lá pela qualidade da comida e atendimento. Até que o “garoto da cozinha” foi despedido, e os atendentes da lanchonete trocados. Acabou a qualidade, na comida, e no atendimento.

O caso se passou nesta lanchonete. E foi verdade. Inclusive com testemunhas.

Foi numa noite muito fria. Fomos, meu marido e eu, comer um sanduíche. Chegando lá, fizemos o pedido, e ficamos conversando.

A lanchonete fica em frente a uma Igreja. Como era sábado, estava sendo celebrada a missa.

Enquanto conversávamos, observamos um guardador de carros, encolhido num canto, no pátio ao lado da Igreja. Como já era noite, e estava muito frio, pensamos que seria bom oferecer ao homem um sanduiche quentinho, pois isto pelo menos o esquentaria um pouco, e, quem sabe? ele até poderia estar com fome.

Chamamos o atendente, e pedimos um outro sanduíche, com tudo a que tivéssemos direito. Ele estranhou, e perguntou se este deveria vir depois dos outros dois que havíamos pedido antes. Dissemos a ele que não. Que poderia vir logo.

O sanduíche era muito parecido com este.

O sanduíche era muito parecido com este.

E assim ele fez.

Quando os sanduíches chegaram, antes de comermos, meu marido levantou, atravessou a rua, e, numa sacolinha, entregou o sanduíche pro homem.

E daí, a reação. O moço olhou pro meu marido, perguntou o que era, ele falou: um sanduíche assim, assado,pro senhor.

Sabem o que ele respondeu? Não quero não, eu não gosto deste tipo de sanduíche. Desculpe, falou meu marido, o sr. não quer comer? E o homem novamente, não, eu não gosto deste sanduíche.

Meu marido voltou cabisbaixo, e daí o atendente da lanchonete, que havia presenciado tudo, e vendo a nossa cara de decepção, nos falou: Ele é assim mesmo, só come determinados tipos de sanduíche. Não adianta insistir. Ele passa fome, mas é exigente.

Até agora, esta história me pega. Porque já passamos por situações em que um sanduíche daquele, poderíamos recebe-lo como um presente. E agora, que podíamos oferecer a alguém a possibilidade de saciar a fome, fomos “esnobados”.

Foi difícil de entender. Mas hoje passou. Embora, claro, a gente não vá esquecer.

Porque, convenhamos, foi inusitado. Uma situação completamente atípica.

Alguém tentando fazer um carinho, e este carinho  não sendo aceito.

Mas enfim…

Eu tô cheia

Conseguiram me encher o pote.

Que eu já estava cansada do que anda acontecendo atualmente no brasil, todos já devem saber. Até porque, com certeza, você também deve estar muito estressado com tudo. Ou não?

Agora, porém, as coisas estão chegando num ápice que está me deixando sem dormir.

Esta gripe, a suína, está aí com tudo. E não me venha o sr. Ministro da Saúde dizer que tá tudo bem, tudo sob controle, que é óbvio que as coisas não estão.

Como podemos conceber que hoje, em pleno século 21, alguém morra por causa de uma gripe? Ah, mas a gripe normal também mata. Mata, sim, mas será que com a agilidade que esta gripe suína tem mostrado?

Como é que eu posso aceitar que tantas crianças e grávidas estejam morrendo? Com os postos de saúde entupidos de gente. Nos hospitais gente saindo pelo ladrão?

E os srs deputados, solicitando que o posto de saúde da câmara receba doses do remédio tamiflu, porque é “trabalhoso” ir buscar o remédio nos postos (como se eles levantassem suas maravilhosas bundinhas da cadeira prá ir buscar), alegando que o posto atende também o público que frequenta a cas, em caso, claro, de emergência?

Pessoal, então, vamos todos correr pro posto de saúde da câmara. Lá vai ter o tamiflu. Todo mundo que está mal, corre pro posto que os srs. deputados mandarão os médicos lhes atender.

Que é isso? Onde estamos?

Chega.

Chorei a noite por medo que meus filhos estejam com a maldita gripe. Eles nem foram prá aula. Afinal, um tem problemas cardíacos, a outra tem asma. Eu e meu marido também somos cardíacos. Que dizer, estamos todos no grupo de risco.

Pensei em me mudar prá brasília. Mas o cheiro daquela cidade deve estar cada vez mais horrível. Cheiro de podre. De coisa estragada. De carniça.

Quero ir embora deste país. E cada vez mais meu pensamento se firma nisso.

Não quero meus filhos vivendo esta sordidez.É muita podridão. E por que não fico e ajudo a mudar as coisas? Porque estou cheia. Cansada. Horrorizada. E temo pelos meus.

E olha, prá quem notou que escrevi brasil, câmara dos deputados e outras palavras que normalmente se escreve com letras maíusculas, com minúsculas, é porque este país não merece mais o meu respeito. Este vai ser meu grito. brasil.Com letra minúscula, seja no começo, meio ou fim de alguma frase.

País que não merece mais o meu coração, meus melhores sentimentos, meu respeito.

E para aqueles srs, desejo de todo o coração, que a eles, ou a algum dos seus, a gripe lhes pegue, e os faça sofrer por tudo que outros sofreram.

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Hoje lembrei de um assunto que me ocorre há bastante tempo.

Eu amo pão. Pão de qualquer tipo. Doce ou salgado. Inteiro, fatiado, seja como for, gosto muito de pão.

Assim como, por achar mágico a confecção de um tecido, durante um tempo razoável, trabalhei com máquinas de tecelagem. Não exatamente deste tecido fininho, era de trico. Mas o princípio é o mesmo. Do entrelaçamento dos fios, nasce o tecido. Tecido este que também pode ser feito à mão.

E eu sempre penso na simplicidade que é a confecção de um pão ou de um tecido.

Para o pão, a farinha (seja trigo, mandioca ou o que for), água e fermento, que pode ser obtido da fermentação do próprio trigo. Eventualmente coloca-se sal ou açucar. Mas a base é farinha e água.

Para o tecido, um fio já basta, também havendo inúmeras opções de material. Hoje, aliás, até de garrafas plásticas já se faz um tecido.

Eu acho a transformação destes ingredientes básicos num alimento, ou numa vestimenta uma coisa maravilhosa.

Sempre se vê referencias ao pão e ao tecido quando se lê sobre a antiguidade. Quer dizer, o mundo evoluiu, mudou, cresceu, modernizou-se. Mas a essência da alimentação e do vestir não mudou. Acrescentamos, tão sómente, mais alguns elementos. Mas aquele alimento indispensável primordial, continua exatamente igual. Assim como o tecido, cuja maneira de ser tecido continua exatamente a mesma.

Eu agradeço sempre aos céus por este alimento maravilhoso, e pelo tecido que me protege do frio.

Não custa.

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