novembro 2008

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Tristeza

Quem costuma ler meus posts, sabe que sou uma pessoa basicamente alegre. Esquentada, mas alegre.

Gosto de falar de assuntos o mais alegres possível. Gosto de rir, brincar, gosto de felicidade e de poder compartilhar alegria com todos.

Mas hoje, ou melhor, nestes dias, decididamente, não dá. É impossível brincar. A gente até ri, fica alegre em alguns momentos, sente que é feliz.

Mas aí, olha prá televisão. E não tem como não se comover com o que está acontecendo.

É muita dor, muita destruição. É um cenário de guerra. Foi a lama e as águas no lugar de bombas. O vento fazendo às vezes de tiros. E as pessoas impotentes contra os soldados invisíveis, que empunham as armas de que só a natureza dispõe.

Com certeza, o descaso de algumas pessoas com a natureza, fez com que se pague hoje este preço absurdo.

Mas não é hora de procurar culpados. Não agora. Até porque nós, mesmo estando longe, ou não tão perto, também somos culpados. Pelo menos quem não observa os sinais que a natureza anda dando. Seja em que parte do planeta seja.

É duro ver o que está acontecendo. Quando a gente sabe que uma mulher precisou sepultar seu marido no quintal por absoluta impossibilidade de sepultá-lo como convém, dói. Quando for possível sepultá-lo num cemitério e dar a ele a cova merecida, será uma dor nova, num momento em que a dor pelo primeiro sepultamento ainda nem cicatrizou.

Hoje, vi a entrevista de uma jovem, instalada num abrigo, com sua filha ao lado, uma menina de uns 7 anos, talvez, e ela falava à repórter que já havia ganho uma muda de roupa, a menina também, já tinham se alimentado, alguém dera um brinquedo para a filha (neste momento a menina sorriu e os olhinhos brilharam), elas estavam indo tomar banho, (depois de 4 a 5 dias sem nada), e a moça falou: “estou feliz”.

Foi como se eu levasse um soco no estômago. Por uma muda de roupa, um pouco de alimento, um brinquedo e um banho, ela estava feliz e agradecendo às pessoas.

Tenho conhecidos em algumas das cidades que sofreram com as enchentes. De alguns já tenho notícias, de outros não. Vou aguardar e rezar prá que estejam bem.

O que podia fazer, já o fiz. Agora me resta torcer, e continuar pedindo a Deus que olhe por todos.

Uma das coisas que me deixam muito pensativa, é quando vejo reportagens em televisão ou revistas sobre como as pessoas devem se vestir quando comparecem a uma entrevista de emprego.

Sempre, mas sempre mesmo é a mesma coisa. Os entrevistados indicando roupas sóbrias. No máximo, algum adereço, porém sem muito destaque para que a pessoa pareça séria.

Mas peraí. A empresa está querendo contratar um robô ou o quê? E a criatividade, e as idéias, e os ideais ficam aonde?

Porque querer moldar a pessoa é quase como dar um tiro no pé. Ela até aguenta. Mas uma hora a corda do sufoco arrebenta. E aí, adeus tudo que foi investido nela. Porque, senhores empregadores, ela vai pedir demissão.

Não quero dizer que as pessoas não devam respeitar o ambiente da empresa a que se candidataram. Claro, se elas desejam trabalhar num determinado local, elas devem estar a par do que se espera delas. Mas a rigidez no vestir, principalmente, faz com que a pessoa se tolha. E uma hora, mais cedo ou mais tarde, essa pessoa começa a se questionar. E é neste momento que ocorrem os grandes rompimentos. Quando a pessoa percebe que passou anos de sua vida tentando ser o que não é.

Então, se for prá se candidatar a uma vaga num lugar que não tem nada a ver com o que você pensa, caia fora enquanto é tempo. Porque um dia a casa cai. E, aí, pode ser tarde demais.

Isto aconteceu comigo. Felizmente a tempo de recomeçar. E estou bem feliz fazendo o que gosto e me vestindo do jeito que quero.

“Consigo calcular os movimentos dos corpos celestes, mas não a loucura dos homens.”

Isaac Newton

Gostaria de dar minha opinão sobre um assunto que vem me “pegando” ultimamente.

Seguinte. Faz alguns anos que se começou a falar bastante em ecologia, pensamentos politicamente corretos, atitudes preservacionistas, etc…

Meu segundo filho nasceu quando minha filha mais velha estava prestes a completar 18 anos. Então, o que aconteceu neste meio tempo com relação a escolinhas e jardins de infância, é meio incógnita para mim.

Mas depois que meu filho, e depois a outra menina nasceram, voltei a tomar pé do que se passava no mundinho da infância, e comecei a ser surpreendida pelos acontecimentos. Um dos primeiros sustos, foi quando, um dia, ao chegarem em casa, os dois começaram a cantar a musiquinha do gato, e cantavam assim: Não atire o pau no gato to to, porque isto to não se faz faz faz, o gatinho nho nho é nosso amigo…. e por aí afora.

Gente, quequé isso? Não foi assim que aprendi. Comigo foi a versão mais animada. E nem por isto maltratei algum animal, em toda a minha vida. Só mato baratas, porque não tem jeito. Aí é uma questão de saúde. Mas não bato em cachorros, e se vejo alguém fazendo isto, reclamo na hora. Aliás, reclamo com a maldade com qualquer animal que seja. E tenho observado que quem, muitas vezes faz maldades, foram os mesmos que aprenderam o jeito novo de cantar a musiquinha.

Lembram do cigarrinho de chocolate? É a mesma coisa. Nunca fumei um cigarro de verdade. Odeio até o cheiro. Me faz mal. Mas fumei prá dedéu aqueles cigarrinhos de chocolate. Eram um charme só.

Mas meus pais sempre nos alertaram, a mim e a meus irmãos, sobre o que sofreríamos se fumássemos. E aprendi.

E não fumo cigarros de nicotina. Mas fumava os cigarros de chocolate.

Será que a questão seria só uma musiquinha? Só um cigarrinho de chocolate?

Será que a questão não seria mais de educação? E conscientização?

Eu acredito na educação que dou a meus filhos. E no exemplo que dou a eles. E eles são sempre citados como jovens bem educados. Agradecem, pedem licença, por favor, e nunca maltrataram um bicho. E em casa sempre cantei as cantigas de roda no original.

Não acredito que musiquinhas formem caráter. O que importa é a forma como educamos as crianças, e como damos exemplos. Principalmente nosso exemplo de pais.

“Palavra e pedra solta não tem volta.”

Benito Pérez Galdós

Tem um pessoal aí, maldoso que só, que diz que sou meio esquisita.

Mas vejam vocês.

Só porque não gosto muito de batata frita, sorvete, chocolate como ingrediente de qualquer coisa, shopping e supermercado, posso ser considerada esquisita?

Batata frita eu até como, mas muito às vezes. Sorvete uma vez por ano, e mesmo assim como ingrediente de um sundae. Chocolate, somente sozinho, mas agora não posso mais comer. Shopping acho um saco, talvez porque não gosto de provar nem de comprar roupas.
Agora, mercado, odeio. Com todas as letras possíveis.

Não sei o preço de quase nada, e se me convidam prá ir a algum supermercado fazer compras e eu aceito, põe a mão na minha testa, vê se estou com febre. Ou melhor, chama logo um médico que estou mal.

Claro, acompanho meu marido às vezes. Mas sempre que consigo enrolar, acabo ficando esperando no carro mesmo. A não ser que ele seja mais esperto que eu, fale em colocar o carro no estacionamento coberto, e, credo, tenha vaga. Aí, não fico. (É a tal da claustrofobia, que falei no post abaixo deste). Porque, normalmente, estacionamentos cobertos são meio escuros, tem cheiro de coisa embolorada, aquele monte de carro parecendo que vai sufocar a gente. Não gosto. Não gosto mesmo.

Mas se minhas rezas dão certo e não tem vaga no coberto, e temos que estacionar no aberto, viva, não saio do carro. Fico esperando. Nem me importo com o tempo de espera.

Pode demorar a vontade naquelas filas medonhas. Aquele monte de comida dentro de carrinhos. Vou ficando enjoada só de olhar.

Muita comida junta me deixa assim. Até em restaurante tipo em quilo não me sinto bem. Não gosto de muita comilança. Muito embora meu tipo físico meio, digamos, pro roliço, mostre o contrário.

Então, me digam, sou realmente esquisita? Só porque não gosto destas míseras coisinhas que quase todo mundo adora?

Batata frita, sorvete, chocolate, shopping e supermercado.

Deixo prá vocês.

“Enquanto adiamos as coisas, a vida passa.”

Sêneca

Meu genro Daniel tem um blog muito legal. Vai lá, depois de ler este post, é claro, e dá uma olhada.

No post que acabei de ler, ele fala sobre um simulador de vôo. Sobre um aviãozão, e claro, em sobre como seria a sensação de voar. Ou, por outra, do medo de…

Pois bem, a certa altura do texto ele cita a avó, que sempre diz que a gente só se vai deste mundo quando é chegada a nossa hora. E eu completo – nem um minuto a mais, nem um minuto a menos.

E ele comenta que tudo bem, mas faz duas observações. A primeira é que, quando for a hora dele, ele quer estar com os pés bem na terra, e não a muitos pés de altura, caindo desabaladamente. E a segunda, que achei uma grande tirada é que, como diz o título deste post, pode não ser a hora dele, mas, e se for a do piloto?

Esta foi boa.

Passei um tempo razoável da minha vida dentro de aviões. De norte a sul e de leste a oeste deste país. Hoje, até entro num avião. Mas dopada. Completamente. Medo de que o avião desabe lá de cima? Também. Mas, principalmente por uma claustrofobia que passou a me acompanhar de uns anos prá cá. E o pior é que ainda não consegui identificar a partir de quando isto começou.

Quando preciso entrar num elevador desconhecido é um Deus nos acuda. Suo frio. O coração dispara, e vou num rezar frenético. Coitados de todos os santos. Devem ficar de orelhas quentes, fervendo, e tudo por uns míseros segundos, às vezes.

E agora pensa comigo. Uma claustrofobia básica, e dentro de um elevador sem correntes de sustentação, ainda por cima, que é como a gente pode considerar um avião?

Normalmente entupido de gente. A grande maioria com tanto medo quanto eu, tudo de sorriso amarelo, acompanhando cada passo das comissárias de bordo, cochichando baixinho se acham que viram algum movimento estranho, sentindo aquele movimento esquisito do avião, aquela inclinação leve prá direita, acho que tem coisa errada, ai Meu Deus, deve ser agora.

Ok. Ok, vou ficar calma. Com certeza não é a minha hora.

Mas, e se for a do piloto?

“Amizades são coisas frágeis e requerem muito mais cuidados que todas as outras coisas frágeis que existem.”

Randolph S. Bourne

Meu filho tem hoje 14 anos.

Por questões de saúde, ele foi impedido desde novinho de praticar esportes.

No começo, fiquei extremamente preocupada, mas as coisas não acontecem por acaso. Definitivamente. É aquela história. Deus sempre escreve certo. A gente, às vezes, é que não sabe interpretar os avisos que Ele nos manda.

Não tenho um atleta musculoso nem campeão em casa. Mas em compensação, não conheço outro jovem que, com a idade dele, já tenha lido tantos livros. Eu o considero um atleta das letras.

Sei que há outros garotos que gostam de ler. Mas é muito difícil aqueles que, em pleno aniversário ou Natal,  peçam um livro de presente. E que leiam e releiam os livros.

Garotos que busquem o conhecimento na leitura. E que o façam com prazer. O que é muito diferente de ler, tão somente. Absorver conhecimento e cultura não é uma coisa exatamente fácil.  A gente tem que gostar do que se lê. Mas até hoje, foram pouquíssimas as vezes em que ouvi meu filho reclamar por não ter gostado de algum livro.

E ele lê tudo que lhe cai às mãos.

Já leu desde literatura brasileira e internacional, a livros sobre as religiões no mundo. Já devorou livros de ficção e de psicologia. E revistas com conteúdo cultural. Estas são de perder as contas. Se livros ele já os tem aos montes, imaginem revistas.

E este é um gasto que, sempre que posso, não me importo de fazer. Cultura não tem preço, e o que absorvemos para nós ninguém nos haverá de tirar.

O conhecimento que adquirimos é uma riqueza nossa, que podemos um dia até dividi-la, mas  mesmo a dividamos, muitas e muitas vezes que sejam, seu tamanho jamais diminuirá.

E há uma coisa que acho muito interessante.

Ele desenvolveu uma forma de leitura que chamo de leitura fotográfica. Não sei se este termo é correto, mas é o que acho o mais proximo do que acontece. Ele olha para a página, e seus olhos se movem no movimento de uma leitura rapidíssima. É muito interessante. Inclusive muitas e muitas vezes questionei-o sobre o que achei que ele teria lido, mas claro, com uma ponta de dúvida, e confirmei, ele não apenas leu, como quase que instantaneamente, já interpretou o que leu.

Realmente, tantos anos de leitura diária o tornaram um atleta.

Mas um atleta não do físico. Um atleta dos livros.

E eu tenho um orgulho muito, muito grande dele.

Ele é o meu campeão das letras.

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