Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.
“Se a idéia é boa, a lógica deve ser jogada pela janela.”
Alfred Hitchcock
Tenho observado muito, nestes últimos anos, e principalmente depois que assumi um balcão de loja, o quanto as pessoas andam carentes de atenção. E por atenção falo até simplesmente um oi, um bom dia, boa tarde ou boa noite.
Às vezes um sorriso, simplesmente, faz toda a diferença.
Parece que ultimamente, todos estamos com pressa, todos, inclusive as crianças. Elas andam estressadas, sempre correndo. Mas não aquela corrida afoita própria das crianças, que andam sempre como que querendo abraçar o mundo em um segundo. Falo daquela pressa sem um porque, sem uma razão. Simplesmente estão com pressa.
Às vezes, me detenho e vou perguntando, um a um, o por que de tanta corrida. E poucos, muito poucos realmente tem um motivo. Algumas vezes as próprias pessoas se tocam disto. É, não sei… é uma resposta bastante comum.
E é muitas vezes nesta conversa engatada à toa, que o papo rola solto, e passo a conhecer mais as pessoas. E elas a mim. Várias vezes já ouvi : “achei que a sra era braba”, e outras cositas mais, e hoje, estas mesmas pessoas não deixam de dar um oi gostoso quando passam em frente à loja. Muitas vezes nem chegam a entrar, mas elas sabem que podem contar comigo prá bater um papo, se quiserem.
Claro, é logico, que algumas vezes também não estou prá conversa, mas é difícil resistir a uma criança perguntando se está tudo bem. Eu desmonto. E sorrio.
Até porque, depois de um sorriso, parece que os nossos músculos faciais não aceitam mais a cara amarrada. É sorrir uma vez, e pronto. Nosso dia está ganho.
Mais leve, mais fácil. Mais colorido.
Mais feliz.
“Amanhã sempre é o dia mais ocupado da semana.”
ditado espanhol
Aqui em casa, temos muitos relógios. Porque tenho mania de ver as horas. Até quando acordo à noite, olho a hora. Deve haver uma explicação prá isto.
Psicólogos, atenção.
Mas voltando ao assunto. Tenho em casa relógio de cabeceira, de pulso, de parede, no celular, aparelho de som, na televisão. Tudo perfeitamente funcionando.
Porém há um pequeno detalhe em tudo isto. Cada um marca um horário diferente. Horários bem próximos, é verdade, mas desencontrados. A diferença é em média de 10 minutos.
Não existe nesta casa dois relógios iguais.
Só que assim não me atraso. Atraso me deixa maluca. Nem eu gosto de me atrasar prá nada, nem suporto que se atrasem se marcaram comigo alguma coisa. Então, que não marquem hora exata. Digam: Mais ou menos, tal hora.
Mas eu entendo médicos e dentistas (até outras profissões que lidam com pessoas). Afinal, não dá de interromper uma consulta porque tem alguém esperando.
Naturalmente sem exageros. Eles poderiam reservar mais tempo para as consultas, mas mesmo assim, prefiro saber que vou esperar um pouco, sabendo que o médico (ou outros profissionais) está atendendo bem um paciente. Conheço uma médica muito legal que se atrasa horrores, mas vale a pena esperar. Ela jamais olha o relógio e a gente sente que pode falar e pedir as explicações que precisa. Claro, conheço outro (por coincidência, ambos da mesma especialidade) que não se atrasa nunca. E atende sem pressa do mesmo jeitinho da outra. E para um paciente, saber que o médico não está com pressa de manda-lo embora, já ajuda, e muito. Parece que podemos confiar mais nele. Que ele vai nos ouvir.
E como meu relógio não está batendo mesmo, sempre parece que já passou um tempão, quando na verdade o tempo nem foi tão grande assim.
E eu fico no lucro.
Pelo menos com relação ao meu tempo.
“Correr não adianta, é preciso partir a tempo.”
Jean de la Fontaine
Eu gosto de banana. Na verdade, é uma das frutas de que mais gosto. E tanto faz se é banana maçã, nanica, da terra, prata, ou seja qual for. Acho banana uma delícia.
Bolinho frito de banana em dia chuvoso, bolo com banana caramelada, pastel de banana com açúcar e canela, e pão com banana frita e leite condensado.
Antes, uma historinha verdadeira. Quando eu morava na Bahia, bem no interior, fui almoçar na casa de uma colega da empresa onde eu trabalhava. Ela encasquetou que deveria servir uma sobremesa, mas não havia tempo para preparar algo que ela aprovasse. Foi quando perguntei se havia banana e leite condensado em casa. Ela questionou o porque e expliquei que bastaria fritar a banana e com ela quentinha ainda, colocar um pouco de leite condensado geladinho em cima. Falei que era muito gostoso, e que ainda por cima nos daria mais energia para o segundo tempo no trabalho.
Pois bem, sabem o que ela me respondeu? Que aquilo era “sobremesa de pobre”. Quase tive um treco. Sobremesa com qualificação? Sobremesa de pobre e de rico? Desde quando? Fruta, então seria o quê? Afinal, uma fruta é relativamente barata. Mas falei a ela que não sabia o que estava perdendo. O sabor é fantástico, e que ainda seria possível colocar a banana e o leite condensado num pão, o que tornaria a sobremesa mais substanciosa ainda.
E eu pergunto a você: nunca comeu? Não sabe o que está perdendo. Sei, pão é muito calórico. Então tira o pão. Coma somente a banana frita com o leite condensado. Continua muito “pesado”? Frita a banana com uma colher de cafezinho de manteiga, mas a manteiga light, até a banana ficar bem douradinha. O leite condensado também pode ser de baixa caloria, embora eu ache que um pouquinho de caloria não faria mal. Mas tudo bem, leite condensado light, também.
Ah, por que não coloca a banana frita num pão sírio, por exemplo? Só prá fazer o charme e servir de aparador pro leite que pode escorrer da banana, e você, que já está comendo tudo light, não vai querer perder nem uma gotinha de doce, né?
Provem.
Eu comi esta banana ontem. Na verdade, comi várias. Mas nada light. Tudo foi tipo calorias, muitas.
Mas valeu a pena. Acho que agora, matei a vontade por um bom tempo.
Mas se der vontade de novo, não vou ficar com a boca cheia d’água, não. Frito mais banana, e como. Depois vamos tratar de queimar as calorias.
Mas aí já é outra estória.
Aliás, deixa prá lá.
” O homem fala, o sábio cala, o tolo discute.”
Provérbio árabe
Já fui feminista. Convicta e juramentada. Companheira de lutas e pensamentos de Betty Friedmann e Rose Marie Muraro, duas das maiores defensoras do movimento feminista de que se tem notícia.
Ambas sempre apresentaram um pensamento coeso, detalhista e extremamente convincente, posto que muito verdadeiro.
Embora nesta época do culto ao feminismo eu tivesse meros 12 ou 14 anos, por aí, os pensamentos e ações delas me atraíam, talvez até porque sempre tive uma tendência para participar e defender as minorias. (em outro post falo mais sobre isto).
E, naquela época, prá quem não sabe, nós mulheres, principalmente no Brasil, estávamos apenas engatinhando nas questões de igualdade entre os sexos.
Porém, e lá vem o primeiro porém, sabe que ser feminista de carteirinha não me levou a lugar nenhum? Ou por outra, me levou sim, à incompreensão, ao preconceito, ao afastamento de amigos e amigas, que passaram a me ignorar, muito solenemente.
Foi muito o tempo em que fiquei sendo meio marginalizada. Até que virei totalmente de banda.
Me tornei machista, mais por conveniência, hoje o sei,do que por convicção. E foi um tempo razoávelmente melhor. Até o lado financeiro lucrou. Afinal, acabou o tempo das despesas divididas, de fazer questão de participar de rachas em bares, restaurantes ou gasolina.
Mas o que se faz sem o coração participar, naturalmente tende ao fracasso; e este período machista também ruiu.
Foi somente aí, que fui perceber que o que me fez perder os eixos nas duas situações anteriores foi o extremo. Ou eu era feminista convicta, ou machista juramentada.
E o ideal é o meio termo. Como tudo, aliás, na vida.
Hoje defendo a igualdade de salários e oportunidades para todos os sexos, mas também não dispenso uma cadeira sendo cordialmente puxada para que eu me sente. Até porque gentileza não tem sexo, não é?
Hoje, considero que servir o prato para o meu marido não é ser machista, é ser gentil com alguém que não se importa de todo dia lavar a louça do almoço, o que antes eu poderia considerar uma atitude absolutamente feminista.
A dose de feminismo ou de machismo é aquela que nos faz bem. Aquela à qual nos adaptamos e que nos ajuda no nosso dia a dia.
Hoje afirmo, não sou feminista nem machista, muito pelo contrário.
E está ótimo assim.
” Quem vê cara não vê que horas são.”
Egberto Gismonti
Uma frase do Jô Soares me chamou a atenção. “As pessoas que se queixam da vida, o que dirão da morte?”
Eu fico impressionada como, todo santo dia, entra alguém na minha lojinha reclamando da vida.
Pessoas com uma família legal, morando numa casa boa, situação amorosa definida, conta no banco recheadinha, e reclamando.
Conheço pessoas que estão em situação beirando o desespero, e nem por isto estão reclamando da vida. Pessoas com os filhos doentes ou doentes elas próprias, sem perspectiva de cura, já tendo que ter vendido os poucos bens que ainda possuíam para pagar tratamentos, sem casa própria prá morar, a esta altura já sem crédito no comércio, e mesmo assim elas permanecem otimistas e pensando no futuro.
Por que para alguns estas adversidades são verdadeiros tônicos e para outros um espirro ou um sapato desejado que não serviu são como uma declaração de morte?
Aí, entra a frase do Jô Soares.
O que estas pessoas prá quem nada parece satisfazer pensam quando passam por uma situação que realmente não tem volta, como a morte? Porque um dia algum ente querido dela vai se mudar da Terra. E o que elas pensam quando se deparam com a possibilidade de sua própria morte? Será que este pessoal não pensa que um dia vai morrer, queira ou não? Ou será que, para uma pessoa que só vê o mundo que acontece ao redor de seu próprio umbiguinho, ela nasceu para a eternidade?
Talvez por isto, esta crise de tédio.
Como, com certeza, estas pessoas serão eternas (é o que elas pensam), dá um cansaço pensar no tudo que terão que fazer pela eternidade afora. Então já ficam reclamando a partir de agora, talvez prá ganhar tempo.