Coisas que pensei ou gostaria de ter pensado.
Faz um tempo, mais ou menos um ano, que ganhei este conjuntinho de matrioskas da minha filha.
Sempre fui apaixonada por estas bonequinhas, mas nunca havia comprado uma.
Acho que no fundinho, o que eu queria era ganha-las, pelo que representam prá mim.
Matrioskas são mães, que carregam em seu ventre outras gerações de mães. Pelo menos é isto o que significa prá mim.
Gostaria que estas primeiras bonequinhas fossem as primeiras de várias.
Vou torcer prá isto. Nem que eu mesma tenha que compra-las.
Minha mãe querida faleceu há 3 meses. A dor ainda é imensa. Quem já passou, sabe o que é.
Ela nos deixou alguns bens materiais, coisa pouca pro bando de filhos (oito). Nada de valor extremo.
Mas eu pedi, meus irmãos concordaram, e eu trouxe prá mim uma cafeteira pequena, meio acabadinha, manchada, mas que prá mim, tô considerando um verdadeiro troféu.
Minha mãe era uma cientista social. Participou inclusive da elaboração do Estatuto do Idoso. Quando ela morreu, as bandeiras da Universidade Federal de Santa Catarina ficaram a meio mastro (ela foi professora e criadora de um Centro, lá), o que muito nos honrou.
E, talvez por isto mesmo, por trabalhar tanto com o cérebro, a parte dona de casa, digamos assim, era um total fracasso. Sabem aquela coisa de “comidinha da mamãe?” conosco não teve. Minha mãe era uma cozinheira sofrível. Mas quando ela punha uma coisa na cabeça, não havia quem tirasse a idéia dela. E uma das coisas que ela certa vez decidiu, é que iria acertar fazer café. Não café feito com café solúvel. Café café, como a gente diz. E ela fez. Primeiro numa cafeteirinha elétrica, que logo foi pro espaço. Depois ela comprou a cafeteira Bialetti, que tá na foto. Daí, todos que chegávamos na casa dela, éramos brindados com um cafezinho, inho inho. Porque a cafeteira dela era a menorzinha que tinha.
Ela acertou fazer café. E se não era com aquele coador de pano, nem com o de papel, mas pelo menos o café saía gostoso.
Por isto eu quis a cafeteira. Porque ela usava com gosto. E hoje, a cada cafezinho tomado (pena que o médico tenha pedido que eu tome o mínimo possível de café), lembro do carinho dela em preparar uma das únicas coisas “de casa” que ela fazia maravilhosamente.
Obrigada, mãe, pela herança. Que prá mim, a cafeteirinha tá valendo mais que qualquer outra coisa que a senhora nos deixou.
Um beijão, hoje e sempre.
Eu acho que já disse isto aqui algumas vezes.
Sou brega. Breguíssima, aliás.
Adoro o que muitos chamam de breguice.
Músicas lacrimosas, fotos de crianças ou idosos, roupas fora de moda, revistas antiquadas, e por aí vai.
Mas eu gostaria de saber quem, ou o que determina que alguma coisa é brega.
Porque, até onde eu sei, gosto é gosto. E gosto não se discute, né?
Então, por que tenho que ser considerada brega? Porque meu gosto simplesmente não é igual ao dos outros. Mas só por isto? Sem justificativa.
Naturalmente, vou continuar do meu jeito. Não ligo prá moda ou modismos. Ligo somente pro que gosto e me é confortável.
E tenho dito.
Olá.
Como ando com a cabeça meio no mundo da lua, não falei ainda da minha nova vizinha.
Uma pousada. Sim, caros amigos, uma pousada. Onde antes havia uma “casa de excursão”, agora existe uma pousada.
Para quem não sabe, nestes confins em que vivo, casa de excursão é uma casa que tem alguns quartos imensos, que acomodam muitas pessoas em cada um, que vivem entupidas de gente que vem de longe em busca de alguns dias na praia, ao sol.
Pois bem, a casa que havia antes foi demolida, e devo dizer, a bem da verdade, já foi tarde, porque a especialidade dela era receber turistas arruaceiros. (acho até que a polícia já sabia: tocava o nosso número na central, e eles já vinham automaticamente. eheheh).
Oh… mas as coisas mudaram. Agora construiram a pousada. Bonita, até. (com um certo esforço, a gente pode dizer isso). E agora, finalmente, turistas que, realmente, vieram atrás de praia, sol, divertimento e descanso, também.
Cada grupo fica em média uma semana. Claro que, naturalmente, óbvio, sem querer querendo, alguns grupos estão se esbaldando um pouco, mas nada que nos fizesse acionar os “puliça”.
Que ano tranquilo. Que verão gostoso. (embora o calor esteja de matar).
E que grupo bom está neste momento na pousada. Deve ter umas 30 pessoas. Sem gritaria (fora um bebê que chora diretooooo). Mas o mais legal. Acho que o povo faz parte de algum coral destes de comunidades, e eles cantam o dia todo. Repertório super variado. Muito bem mesmo. E, pelo menos até agora, se mostraram super afinados.
Benza Deus. Se continuar neste ritmo, meu verão estará salvo. Que venham quantos grupos quiserem. Serão bem recebidos.
E se precisarem, empresto até um pouco de açúcar.
Mas que continuem com a cantoria.
É muito triste, e também muito estranho.
De repente, sem preparação, fiquei orfã.
Minha mãe faleceu.
Repentinamente, repito, embora ela estivesse se sentindo meio mal, ultimamente.
Mas como ela sempre foi extremamente lutadora, ninguém acreditava que, tendo sido internada num hospital para exames, ela não saísse de lá viva.
Mas aconteceu. Não me perguntem como, porque até agora não entendi direito.
Quem quiser conhecer minha mãe, veja o post anterior a este, em que fiz uma pequena homenagem a ela. Agradeço a Deus a inspiração de tê-la feito, e de minha mãe a ter visto. E gostado. Que bom.
E algumas certezas ficaram.
O exemplo dela e a ventura por ter compartilhado nossas vidas.
Agradecerei a Deus até o fim da minha existência por ter me dado esta oportunidade.
Como toda mãe, com certeza, a minha foi única.
E foi mais que especial, porque foi (e continuará sendo) a minha mãe.
MÃE: TE AMO E TE AMAREI ETERNAMENTE.
PORQUE ESTA MULHER É FANTÁSTICA

E PORQUE ELA É MINHA MÃE.
Acessibilidade. Parece que o mundo acordou, finalmente, para uma grande injustiça. Ou, por outra, muitas pessoas estão finalmente tentando fazer alguma coisa.
Falo daquelas situações pelas quais passam as pessoas que necessitam se locomover numa cadeira de rodas. As pessoas hoje chamadas de cadeirantes.
Algumas nasceram com alguma limitação que as obrigam a se utilizar das cadeiras, outras, por razões diversas, passaram a utilizá-las depois de tempos de vida.
Mas o que me levou a escrever este post, é uma propaganda que tem sido veiculada na televisão sobre uma situação infeliz que acontece comumente. Nesta propaganda, uma garota em cadeira de rodas passa a maior dificuldade para acessar uma calçada, pois o local pelo qual ela poderia facilmente subir (a rampa) está bloqueada por um carro, parado por um homem, muito bem trajado e teóricamente (bem se ve) bem educado.
Esta é uma situação real. Tenho visto isto continuamente. Acho o fim da picada.
Inclusive, há poucos dias, infelizmente, vi um carro oficial, de um setor de segurança, num shopping, parado exatamente onde? na vaga para cadeirantes. Neste dia, o estacionamento não estava cheio, é verdade, mas a vaga especial não é qualquer uma. Se a vaga é aquela, é porque aquele local vai facilitar o acesso ao estabelecimento. Se não fosse assim, as vagas para cadeirantes poderiam estar em qualquer lugar do estacionamento. Mas não é assim. Estas vagas sempre estão próximas à porta. Isto não é à toa.
Foi um pouco decepcionante. Mas o motorista, alertado, logo foi retirar o veículo do local. Pelo menos isso.
Se cada um de nós fizer o pouquinho que nos cabe, o coletivo todo irá ser beneficiado.
Eu procuro fazer a minha parte, com todo empenho. E sei que você, que me lê, também.
Então, obrigada, em nome de quem, neste momento, não pode lhe agradecer.
Quando eu era mais nova, mas bem mais nova mesmo, estudava num colégio de religiosos.
Ao entrarmos na adolescência, mais ou menos, fazíamos um curso de etiqueta.
Na época, nos parecia um curso de uma inutilidade à toda prova, o que se provou o contrário à medida que o tempo foi avançando.
Aprendemos, as meninas, pelo menos, a sentar, cruzar as pernas com classe, usar os talheres corretamente, a falar em público, aprendemos até a andar. Meu curso foi , aliás, com ninguém mais ninguém menos que a maravilhosa Maria Augusta, uma mulher chiquérrima que preparava as misses, na época em que concurso de miss era tudo de bom.
Quanto mais velha fui ficando, mais fui valorizando o aprendido. Nada foi desperdício. Nem o tempo de ensino, nem a utilização do que aprendi.
Etiqueta não é frescura, mesmo que às vezes pareça uma coisa boba. Pode até haver, embora eu não me lembre, uma ou outra regra que não mereça muito crédito ou elogio. Mas no geral, regras de etiqueta servem bem.
Aquela história dos talheres corretos. Eles servem prá nos ajudar na hora de cortar e levar um alimento à boca. Uma faca e um garfo corretos são excelentes ajudantes. Sabe aquela coisa da comida voando? Mais do que simplesmente por um alimento ‘errado’ sendo servido, é um talher sendo usado incorretamente. ( ou até mesmo o talher errado posto à mesa).
Uma espátula para manteiga jamais cortará um pão, que aliás não se corta, parte-se com as mãos. Porém a gente usa uma faca de pão prá passar manteiga. Mas experimente usar o talher apropriado, e se você não tiver uma espátula para a manteiga, use pelo menos uma faca sem serrilhado. A manteiga deslizará muito melhor e com certeza seu pão não irá se transformar naquele amontoado de massa.
Regras quanto a comportamento e convivência. São outras que são destroçadas quando a gente é mais novo. Mas quando seguimos regrinhas básicas, a convivência se torna mais agradável e proveitosa.
O que custa ceder o lugar numa condução para alguém mais velho? Lembre-se que, se Deus pemitir, um dia você também será velho. E haverá de querer esta gentileza para consigo. Ceda lugar a gestantes. Pessoal, aquele peso na barriga desequilibra o mais equilibrado dos mortais. Não é fácil, e principalmente se o bebê é um daqueles agitadinhos. É chute prá tudo que é lado. E isto deixa a gente meio bamba. Não custa, pessoal, não custa.
E ainda pode acontecer de aquela menina ou menino em quem você tem ficado de olho, ver o seu gesto, gostar, aprovar, e você, além de ter sido extremamente educado com a pessoa a quem você cedeu o lugar, ainda vai ser hiper bem visto pela garota ou garoto. Ué, garoto, sim. Por que você pensou que menina não cede lugar? Acorda, a regra vale prá todo mundo.
Existem muitas outras regrinhas. Não as despreze. Antes de reclamar e não querer usá-las, que tal tentar primeiro? Posso garantir que não será tão difícil.
Tente.
Eu falei que avisaria.
Sim, minha amiga e eu conseguimos nos “comunicar”. Agora é tentar não nos perdermos de vista.
E matar as saudades.
Que são enormes.
Estou meio em estado de graça. Meio? Sim, meio. Já explico o porque.
Quando eu estudava na 2ª série do antigo curso científico, atual 2º grau, conheci uma menina muito legal. Nos tornamos muito amigas. Daquelas super amigas mesmo. Sem segredos ou frescuras.
Eu, bolsista, se não a mais, uma das mais chinfrins da sala. Ela, de uma das família$ mai$ tradicionai$ da cidade. Mesmo com esta diferença, sempre nos demos extremamente bem. Confidentes mesmo.
Ela sempre foi linda. Continua, inclusive, com seus 50 e poucos. (mesma idade que eu)
Depois que nos formamos, eu tomei um rumo na vida, me afastando da nossa cidade. Passei num concurso importante, casei, fui prá longe, e ela permaneceu lá.
Depois de uns 8 anos, mais ou menos, não sei como, recebi uma ligação dela, na empresa em que trabalhava, tendo eu daí já voltado prá nossa cidade, me convidando pro casamento dela. Não pude comparecer pois já havia outro casamento na família, e, claro, no mesmo dia.
Depois eu soube que ela havia tido um menino. E eu já tinha uma menina. E até hoje, não sei porque, nem eu conheço o filho dela, nem ela a minha filha mais velha, que dirá meus outros dois.
Quando vim prá Itapema, passados já então quase 20 anos, comecei a lembrar muito dela, procurei nos catálogos telefônicos pelo nome do marido, e não tendo achado, pesquisei pelo pai, irmão, e outros, nem lembro. Mas enfim, achei. (um aparte. naquele tempo, internet já existia, mas funcionava a manivela, era mais rápido pesquisar pelos telefones).
Tanto fiz que consegui falar com ela. E foi como se tivessemos nos encontrado no dia anterior. Coisa boa. Conversa fácil, bonita, sincera.
Daí, mais um tempão, e quase 30 anos depois, num daqueles relâmpagos de inteligencia, pesquisei pelo nome dela no orkut. Demorou horrores, mas achei.
Mandei recados, mensagens, e nada. Estranhei, mas sabendo que nós duas somos meio “antas”, fiquei no aguardo. E eis que num dia, sem que eu lembrasse mais, me chega um recado de alguém que eu não conhecia. Não sei porque, porque não abro recados nem páginas de quem não conheço, desta vez resolvi ver. E era ela.
A minha querida amiga conseguiu “perder” o orkut dela e estava me mandando um recado através de outra pessoa. Mandei prá ela recados e tal, até que ela sumiu novamente.
Mais um tempo, e ela ressurge do nada. Ela achou a senha e o orkut dela. Me mandou um email prá que eu a adicionasse.
Daí, que fiz eu? DELETEI o email dela. Assim, sem um que nem porque. Mas consegui mandar uma mensagem pedindo que me adicionasse que eu completaria o processo, ou que me mandasse novamente um email, prá que eu pudesse adicioná-la.
Prá resumir, estamos nisso há 1 mes. Eu peço o email dela, ela não me entende. Ela me manda um recado, não sei o que ela quer dizer.
Quando digo pros meus filhos que a minha amiga me mandou outro recado eles já riem, e falam que acham que nós nunca vamos nos adicionar mutuamente.
Que estamos parecendo, ou sendo, duas antas quadradas. (perdão às antas, elas não mereciam que eu nos comparasse a elas).
Será que um dia isto vai ter fim?
Será que um dia poderemos conversar (?) via orkut?
Espero sinceramente que sim. E este dia será especial. Tão especial que vou avisar vocês.
O nome dela? Não falo, nem o primeiro nome. Vai que alguém que tenha estudado conosco nos reconheça, daí a gozação tá feita.
E não vou dar esta chance prá ninguém. Não mesmo.